Foi essencialmente urbana a segunda semana do Renault Kwid Intense, período em que rodei pouco mais de 400 quilômetros encarando o cenário que é o teoricamente ideal para a proposta deste pequeno hatch, “marqueteado” como se fosse um suve-mirim: os congestionamentos da cidade de São Paulo.
Suvinho, subcompacto, rotular o Kwid é menos importante do que sua característica mais marcante: a agilidade, resultado do tripé formado por dimensões contidas, peso baixo e motor vigoroso. Aliás, chegando à metade da avaliação, estou praticamente convencido que o ponto alto do Kwid é a animação de seu motor tricilindro de exatos 999 cm³ que permite — aliás, quase que implora — ser abusado.
Como assim? Assim: entrando em uma rampa, preguiçoso, deixo propositalmente de reduzir de terceira para segunda marcha, contrariando a seta no painel que me avisa que reduzir é o adequado para a situação. EM vez de usar o câmbio afundo o pé no aceleraror e, o que acontece? O Kwid vai, progride morro acima. OK, estou sozinho no carro, no porta-malas só tem vento estocado (oi, Dilminha!), mas o motor Renault surpreende positivamente: o ponteiro do conta-giros, frouxão lá embaixo entre 1,5 e 2 mil rpm, inicia sua subida. O motor não nega fogo e faz com que seja possível manter a marcha errada, mostrando elasticidade e uma potência razoável já em rotação pouco acima da marcha-lenta.
Este tipo de comportamento, empurrar em baixa rotação, é, inclusive, uma das qualidades derivadas do menor fracionamento do motor. Quanto menor é o número de cilindros, melhor a potência em baixas rotações, mas menor capacidade de girar “alegre” em alta. Mais cilindros, o oposto: força em alta, oco em baixa.
Tais teorias, canônicas, são corretas em linhas gerais, já que em casos específicos recursos técnicos como superalimentação, comandos de válvulas variáveis e ele, o cada vez mais evoluído gerenciamento eletrônico, pode driblar a teoria. No entanto, o motor SCe (Smart Control Efficiency), apesar de moderno, não é dotado de nenhum recurso estratosférico. Apenas entrega a característica desejada de um tricilindro, uma consistente força em baixa, mas as indesejadas vêm também…
Quais: vibrações e uma rumorosidade que, no meu modo de entender, pode ou não ser interessante. No caso do motor Renault não é, ao contrário do encantador zumbido dos antigos DKW 2-tempos ou dos motociclísticos Triumph ou Yamaha. Socar o pé no fundo e deixar o motor do Kwid alcançar a faixa vermelha surpreende positivamente pela performance mas nem tanto pelo ruído e trepidação que invade a cabine, que em certas rotações causa uma reverberação na parte central do painel.

A dupla — vibração e sonoridade pouco agradável — acaba desincentivando a quem dirige o Kwid exagerar na dose de rotações. Assim, muitas vezes na semana, me peguei fazendo o que relatei no início, deixando o motor girar quase moribundo em baixa rotação.
Importante citar que após literalmente secar o tanque de estreia, supostamente álcool puro, os quilômetros desta semana foram feitos com o uso de gasolina no tanque. A média de consumo foi de 12 km/l, cifra que considerei altinha principalmente por não ter encarado grandes congestionamentos como comprova a média horária do período, de 19 km/h.


Levado bovinamente o Kwid não fez ver marca melhor do que 13,4 km/l rodando em vias expressas e ruazinhas de bairro sem tráfego intenso. Já quando este mesmo trecho foi feito em horário de pico a cifra caiu a 8,9 km/l. Acho que poderia ser melhor.
Outra coisa que mereceria uma pequena revisão é o ajuste de suspensões. Elevadas, permitem sobrevoar valetas e lombadas sem preocupação, pois a hipótese de contato com o solo é nula. Por outro lado, um forte estalo se ouve quando os amortecedores atingem sua extensão máxima, denunciando a ausência dos batentes hidráulicos, aparato que apenas oferece conforto auditivo mas não influi na eficiência.
Para meu gosto o Kwid também poderia ser algo mais baixo sem que isso prejudicasse seus supostos dotes de “suvinho”, que comprovei e aprovei na excursão off-road relatada na 1ª semana. Algo como dois centímetros a menos na altura o deixaria mais “no chão”, menos “na pontinha do pé” em curvinhas mais animadas. Outra coisa que eu mudaria é a resposta da direção eletroassistida, para mim um tanto lerda e anestesiada.

Passando a aspectos mais práticos da utilização, descobri que o encosto do banco traseiro não só bascula à frente como pode ser retirado; já o assento é fixo. No entanto, com encosto basculado o plano de carga fica razoavelmente… plano! Outro detalhe prático é a maneira como o tampão do porta-malas se encaixa, uma simples e prática fenda que elimina por completo o risco de não tê-la encaixado direito. Por outro lado, sua folga faz com que ruas malcalçadas gerem certo ruído.
Outro detalhezinho à melhorar é o ponto de ancoragem superior dos cintos de segurança dianteiros. É regulável, mas mesmo na posição mais elevada o cinto fica abaixo do ombro se o banco estiver muito recuado. E chato, também, é o travamento das portas. Para abri-las por dentro ou é preciso apertar a tecla no painel ou puxar o pino. O ideal seria o destravamento e abertura ocorrerem quando se atua na maçaneta.
Numa tarde ociosa, instigado pela curiosidade, resolvi retirar a calota de uma das rodas e descobri um fato peculiar: a roda de reserva (de medida idêntica às outras quatro, assim como o pneu) é diferente das quatro da rodagem. Todas são de aço, mas uma, incompreensivelmente, é diferente.

Encerrei a semana nº 2 do Kwid na dúvida: manter gasolina ou voltar ao álcool, cujo preço está mais convidativo em São Paulo? Resolvi insistir com a gasolina para realizar uma breve viagem e verificar se o Kwid, em uso rodoviário, consegue com o combustível fóssil obter marca de consumo coerente com seu perfil de carro pequeno, leve e moderno.
RA
Leia o relatório da 1ª semana
RENAULT KWID INTENSE
Dias: 14
Quilometragem total: 871 km
Distância na cidade: 591 km (67,8%)
Distância na estrada: 280 km (32,2%)
Consumo médio: 11,3 km/l (52,8% etanol/47,2% gasolina)
Melhor média: 13,8 km/l (álcool)
Pior média: 6,9 km/l (álcool)
Melhor média: 13,4 km/l (gasolina)
Pior média: 8,4 km/l (gasolina)
Média horária: 22 km/h
Tempo ao volante: 39h20minutos
| FICHA TÉCNICA RENAULT KWID INTENSE | |
| MOTOR | |
| Tipo | B4D, L-3, comando por corrente, 4 válvulas por cilindro, flex |
| Instalação | Dianteiro, transversal |
| Material do bloco/cabeçote | alumínio/alumínio |
| N° de cilindros/configuração | 3 /em linha |
| Diâmetro x curso (mm) | 71 x 84,1 |
| Cilindrada (cm³) | 999 |
| Aspiração | Natural |
| Taxa de compressão (:1) | 11,5 |
| Potência máxima (cv/rpm, G/A) | 66/70/5.500 |
| Torque máximo (m·kgf/rpm, G/A) | 9,4/9,8 m.kgf @ 4.250 |
| N° de comando de válvulas/localização | 2 /cabeçote |
| Formação de mistura | Injeção eletrônica no coletor de admissão |
| TRANSMISSÃO | |
| Rodas motrizes | Dianteiras |
| Câmbio | SG1, manual 5 marchas à frente e uma à ré |
| Relações das marchas (:1) | 1ª 3,769; 2ª 2,048; 3ª 1,290; 4ª 0,949; 5ª 0,791; ré 3,54 |
| Relação de diferencial | 4,38 |
| FREIOS | |
| Dianteiro (tipo, Ø mm) | Disco, n.d. |
| Traseiro (tipo, Ø mm) | Tambor. n.d. |
| SUSPENSÃO | |
| Dianteira | McPherson, triângulo inferior, mola helicoidal e amortecedor pressurizado |
| Traseira | Eixo de torção, mola helicoidal e amortecedor pressurizado |
| DIREÇÃO | |
| Tipo | Pinhão e cremalheira eletroassistida |
| Voltas entre batentes | 3,5 |
| Diâmetro mínimo de curva (m) | 10 |
| RODAS E PNEUS | |
| Rodas | Alumínio, 5Jx14 |
| Pneus | 165/70R14 |
| PESOS (kg) | |
| Em ordem de marcha | 786 |
| Carga máxima | 375 |
| Peso bruto total | 1.171 |
| Reboque máximo sem freio/com freio | n.d. |
| CARROCERIA | |
| Tipo | Monobloco em aço, 4 portas, 5 lugares |
| DIMENSÕES EXTERNAS (mm) | |
| Comprimento | 3.680 |
| Largura sem/com espelhos | 1.579 / n.d. |
| Altura | 1.474 |
| Distância entre eixos | 2.423 |
| Bitola dianteira/traseira | n.d. |
| Altura do solo | 180 |
| AERODINÂMICA | |
| Coeficiente de arrasto (Cx) | n.d. |
| Área frontal calculada (m²) | 1,86 |
| Área frontal corrigida (m²) | n.d. |
| CAPACIDADES (L) | |
| Porta-malas | 290 |
| Tanque de combustível | 38 |
| DESEMPENHO | |
| Velocidade máxima (km/h, G/A) | 152/156 |
| Aceleração 0-100 km/h (s, G/A) | 15,5 / 14,7 |
| Relação peso-potência (kg/cv, G/A) | 11,9/11,2 |
| CONSUMO DE COMBUSTÍVEL INMETRO/PBVE | |
| Cidade (km/l, G/A) | 14,9 /10,3 |
| Estrada (km/l, G/A) | 15,6 /10,8 |
| CÁLCULOS DE CÂMBIO | |
| v/1000 na última marcha (km/h) | 31 |
| Rotação do motor a 120 km/h em 5ª (rpm) | 3.870 |
| PREÇO (R$) | 39.990 |
| GARANTIA | |
| Termo | 3 anos e 5 anos para veículo financiado pelo Banco Renault |





