Eu sempre interpretei o orgulho de um trabalhador de linha de montagem de automóveis como algo corriqueiro, como o orgulho que qualquer profissional tem por sua atividade, mas foi só alguns poucos dias atrás que eu entendi que esse sentimento significa algo maior.
A Citroën está comemorando seu milionésimo automóvel produzido na fábrica fluminense de Porto Real, que foi inaugurada há 25 anos e começou produzindo o Citroën Xsara Picasso. O monovolume teve seu lançamento industrial em dezembro de 2000 e o lançamento comercial foi em março de 2001.

Para celebrar esse número mágico, a Stellantis bolou uma ação pra lá de bacana, chamou alguns jornalistas para, vestidos com o mesmo uniforme dos funcionários da linha, ajudarem a montar o Citroën número 1.000.000.
Esse carro, um Citroën Basalt Shine, que foi estampado, soldado e pintado por nossos “colegas” robôs, chegou até nós como um ainda crú monobloco vermelho, quando passou a receber componentes montados pelos trabalhadores da linha. Eu era um deles, justamente o primeiro dos jornalistas-montadores a colocar as mãos no carro.

Fui designado para instalar os cintos de segurança, um dos primeiros equipamentos a serem fixados no interior do monobloco, antes que outros itens, como forrações, bancos e painel frontal fossem adicionados.
Mesmo uma tarefa tão simples, como ajustar e parafusar os cintos de segurança, provoca um enorme sentimento de responsabilidade, afinal, as pessoas que viajarem nesse automóvel vão estar protegidas pelos cintos que “eu” instalei. Está aí o fundamento principal do orgulho dos trabalhadores de fábricas de automóveis.

Mais à frente da linha de montagem, meus colegas jornalistas-montadores instalariam outros componentes do veículo, inclusive as rodas, que também demandam uma enorme responsabilidade na hora do aperto.
O sentimento maior, no entanto, pelo menos no meu caso — e, acredito eu, também de meus colegas —, foi, cerca de duas horas depois, ver esse mesmo Citroën Basalt Shine sair rodando por seus próprios meios, em direção à liberdade. Neste caso, em direção à pista de testes, ao pátio, ao transporte e, finalmente, ao seu feliz possuidor e condutor.

Fica então aqui, à Stellantis, ao Polo Automotivo de Porto Real e, principalmente, aos funcionários da linha de montagem, meus parabéns pelo seu trabalho. Acho que daqui em diante vou lembrar dessas pessoas sempre que estiver dirigindo um automóvel.
GM





