O mercado brasileiro de suves compactos é, hoje, o mais relevante do país. Para se ter ideia do salto, em 2004 esse tipo de carro representava apenas 3% do total de emplacamentos, com três modelos disponíveis. Dez anos depois, o número dobrou: 5% de participação e oito modelos à venda. Já em 2024, o segmento alcançou incríveis 24% do mercado, com 25 modelos em oferta e 622 mil unidades vendidas, movimentando anualmente cerca de R$ 90 bilhões.

Nesse contexto, o Chevrolet Tracker é protagonista. Desde que passou a ser produzido localmente em 2020, vendeu mais de 500 mil unidades na América do Sul, liderando na categoria e se destacando pelo equilíbrio entre design, desempenho, economia e tecnologia.
Para 2026, a Chevrolet promoveu atualizações pontuais, mas muito bem aplicadas, reforçando a proposta do Tracker como um suve urbano pensado para consumidores que valorizam o estilo, a marca e a conectividade no dia a dia.
O que mudou no Tracker 2026?
Visualmente, o novo ano-modelo adota a linguagem global de design da marca, com dianteira redesenhada, nova grade, assinatura luminosa em dois níveis e faróis auxiliares com tecnologia LED. O para-choque agora incorpora discretos elementos aerodinâmicos, como as entradas de ar laterais que direcionam o ar para fora dos para-lamas e reduzem a turbulência ao redor das rodas, uma solução geralmente vista em modelos esportivos.

Na traseira, o suve ganhou lanternas com lente cristal, rodas inéditas e detalhes que diferenciam com mais clareza as versões AT, LT, LTZ, Premier e RS. Esta última, inclusive, agora assume o topo da gama, com visual esportivo e acabamentos exclusivos.

Por dentro, a cabine recebeu atenção especial: novos materiais, melhor encaixe e uma central multimídia de 11 polegadas, que se conecta ao quadro de instrumentos digital de 8”, ambos personalizáveis e integrados. A conectividade inclui Wi-Fi com internet residente, sistema OnStar com assistência 24h, app MyChevrolet para comandos remotos e carregamento de celular por indução.

Outro ponto de destaque são os novos bancos, com espumas de dupla densidade, que combinam conforto e firmeza nos pontos certos. Segundo a marca, os testes mostraram até 20% de ganho em conforto percebido em relação à geração anterior.
As opções de acabamento interno também foram aprimoradas e agora variam de acordo com a versão. O Tracker Premier adota um visual mais sofisticado, com revestimentos em dois tons, incluindo detalhes em bege claro que ampliam a sensação de requinte. Já o Tracker RS, de apelo esportivo, traz acabamento escurecido com costuras e detalhes em vermelho, reforçando a identidade dinâmica da versão. As demais configurações mantêm o pretinho básico, que privilegia sobriedade e praticidade no uso diário.
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Interior da versão RS – clique nas fotos com o botão esquerdo do mouse para ampliá-las e ler as legendas
Conforto, dirigibilidade e tecnologia integrada
Ao volante, as mudanças são perceptíveis. A direção elétrica foi recalibrada, com assistência mais leve em manobras e centragem mais positiva em velocidade. A suspensão também passou por ajustes: agora absorve melhor as irregularidades sem comprometer o controle dinâmico. Isso se deve, em parte, ao uso de novos pneus com melhor capacidade de absorção de impacto e menor nível de ruído.
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O resultado prático é um suve mais refinado em comportamento, silencioso em rodagem e que transmite segurança em curvas, mérito também da evolução dos dois conjuntos mecânicos disponíveis, ambos de três cilindros com injeção direta de combustível.
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O motor 1,0 Turbo Flex, com 115,5 cv de potência máxima e 18,3/18,9 m.kgf de torque máximo, destaca-se pela eficiência energética, alcançando até 13,8 km/l na estrada com gasolina, segundo o valor homologado junto ao Inmetro. Já o 1,2 Turbo Flex entrega 139/141 cv de potência máxima e 22,4/22,9 m.kgf de torque máximo, com desempenho superior e aceleração de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos. Em ambos os casos, o câmbio automático de seis marchas realiza trocas suaves e bem escalonadas, contribuindo para o conforto e economia.

Outra evolução importante está na correia dentada banhada a óleo, agora com material mais resistente a lubrificantes fora de especificação e combustíveis de qualidade duvidosa, algo comum nas condições de uso no Brasil. A mudança melhora a durabilidade do sistema de sincronismo e reforça a confiabilidade do motor, respondendo a uma demanda dos consumidores.

Impressões ao dirigir
Tivemos a oportunidade de dirigir as versões Premier e RS com motor 1,2 turbo entre Belo Horizonte e Ouro Preto, e a experiência comprova os avanços prometidos. A primeira sensação é de um ambiente mais bem resolvido, tanto visual quanto ergonomicamente. As telas são de leitura clara, e a integração entre painel e multimídia facilita a navegação por menus e ajustes, porém ainda falta maior intuitividade para operação. A configuração do quadro de instrumentos fica “escondida” em um dos botões do volante.

Na cidade, o Tracker é ágil e fácil de conduzir. O motor 1,2 oferece potência suficiente desde baixas rotações, e a direção leve torna as manobras simples, mesmo em vagas apertadas. O assistente de estacionamento da versão Premier é uma ajuda adicional. Em rodovia, o comportamento surpreende pela estabilidade em curvas e silêncio a bordo, evidenciando o trabalho de isolamento acústico e os novos pneus. A positividade na definição do centro da direção é outro ponto de destaque.

A suspensão, mesmo diante de lombadas e valetas, tem comportamento previsível e absorve bem as irregularidades. Já o câmbio automático opera de forma discreta e sem hesitação, tanto em subidas quanto em acelerações para ultrapassagem. A serra do trajeto utilizado, com muitos caminhões, foi um bom teste para o sistema.

No fim, a impressão é de um carro bem acertado, com desempenho coerente, consumo controlado e bom nível de tecnologia embarcada, mas fica devendo itens já disponíveis em outros suves do segmento como: controle de cruzeiro adaptativo (é do tipo convencional), assistente de permanência em faixa e frenagem autônoma de emergência. Como alternativa a este último há alerta de colisão frontal que pode ter a distância de resposta ajustada em três níveis.

Versões, preços e garantia
A linha Tracker 2026 já está disponível nas concessionárias Chevrolet, com cinco anos de garantia de fábrica. As versões e preços são:
Tracker AT 1.0 Turbo – R$ 119.990
Tracker LT 1.0 Turbo – R$ 154.990
Tracker LTZ 1.0 Turbo – R$ 169.490
Tracker Premier 1.2 Turbo – R$ 190.590
Tracker RS 1.2 Turbo – R$ 190.590
Além disso, uma série especial “100 Anos” comemora o centenário da marca no Brasil, que será produzido apenas na cor azul Noronha, terá logotipo escurecido, interior preto e exclusivo emblema 100 anos na tampa traseira. Mil unidades serão produzidas entre julho e agosto com preço de R$ 190.590.

Conclusão
O Chevrolet Tracker 2026 não revoluciona, mas evolui nos pontos certos: visual, conectividade, conforto e comportamento dinâmico. Fica claro que a GM ouviu seus clientes e buscou soluções reais para o uso cotidiano, entregando um suve mais sofisticado, conectado e agradável de dirigir.

Num segmento cada vez mais disputado, o novo Tracker reforça sua posição como referência em equilíbrio e racionalidade, agora com mais valor percebido e ainda mais preparado para manter a liderança.
GB
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