Desde o fim de 2024, a Jaguar passou por uma reviravolta de imagem com uma campanha que dividiu opiniões no mundo todo. Optamos por não entrar nessa polêmica. Preferimos celebrar aquilo que realmente construiu a marca ao longo de nove décadas: seus carros, sua linguagem de design e a ousadia que sempre fez parte do seu DNA.
A Jaguar está completando 90 anos desde a primeira vez em que utilizou esse nome. Em Londres, diante do The Chancery Rosewood, dois carros separados por nove décadas se encontram. De um lado, o SS Jaguar, o primeiro a ser chamado de Jaguar em 1935 (a marca passou de SS Cars para Jaguar em 1945). Do outro, o Type 00, conceito que projeta o que a Jaguar pretende ser a partir de agora. Dois tempos diferentes, a mesma atitude, ainda que controversa. Romper com o óbvio.
O SS Jaguar nasceu em uma época em que os carros britânicos eram altos, utilitários, quase burocráticos. Sir William Lyons decidiu fazer o contrário. Capô longo, linha de teto baixa, elegância explícita. Ali nascia não apenas um automóvel, mas uma ideia. “Copy Nothing” (não copiar nada) era a inspiração.
O Type 00 segue essa mesma lógica, agora aplicada ao século XXI. De acordo com a Jaguar, não tenta agradar a todos, não se esconde em soluções previsíveis. É um conceito que assume risco, forma, proporção e intenção. Assim como o SS fez no seu tempo.
Entre esses dois extremos estão alguns dos maiores ícones da história do automóvel. O XK120 e seus recordes de velocidade. O E-Type, que redefiniu o conceito de beleza sobre rodas. O XJ-S, equilibrando luxo e desempenho por décadas. O F-Type, que devolveu desejo ao esportivo inglês moderno. Em todas essas fases, a Jaguar nunca foi sobre seguir tendências. Sempre foi sobre criar linguagem.
A cor escolhida para esse momento, o London Red, não é um vermelho qualquer. Ele nasce da arquitetura vitoriana em tijolos aparentes, das paredes vermelhas das galerias de arte, dos símbolos mais clássicos da cidade. É uma cor que fala de permanência, identidade e tempo.
Noventa anos depois, a Jaguar volta a dizer, do seu jeito, que não existe futuro sem ruptura. E orienta a sua comunicação para um horizonte além dos amantes de carros.
Vamos ver onde isso vai levar os modelos de produção da marca. No final, independentemente da comunicação, são eles que vão gerar desejo. Ou não.
PM










