O mundo automobilístico lamenta a perda de Tsutomu “Tom” Matano, o designer visionário por trás do icônico Mazda MX-5/Miata. Nascido em Nagasaki, Japão, em 7 de outubro 1947, Matano partiu no sábado, 20 de setembro, aos 77 anos, deixando para trás um legado que vai muito além de suas criações. Ele era uma figura amada e uma presença constante na comunidade, compartilhando sua paixão com uma legião de fãs que ele tocava com sua humildade e alegria.
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Apesar de sua formação inicial como engenheiro, o destino o levou para o design. Aos 23 anos, Matano se mudou para a Califórnia para estudar no renomado ArtCenter College of Design. A vibrante cultura automobilística americana moldou sua filosofia, o que se tornaria crucial para a criação do MX-5/Miata e para o design atemporal do RX-7 da terceira geração, considerado um dos carros japoneses mais bonitos dos anos ’90.

Após experiências na Holden, na Austrália, e na BMW, na Alemanha, Matano ingressou no estúdio de design da Mazda em Irvine, EUA. Lá, ele e sua equipe abraçaram a ideia de um conversível leve e divertido. O conceito de Matano, chamado Duo 101, superou as propostas de outras equipes e se tornou a base para o design do Miata.

Sua criatividade não se limitou ao Miata. Ele também trabalhou em outros projetos notáveis, como um protótipo de carroceria cupê do Miata, além de ser o principal responsável por trás do design elegante do Mazda RX-7. Enquanto a equipe japonesa buscava um visual mais moderno, Matano concebeu uma forma que evocava a elegância de um grâ-turismo clássico com uma essência inconfundível da marca.

Matano não era apenas um designer talentoso, mas um verdadeiro entusiasta. Dono de um Miata e de um RX-7, ele frequentemente participava de eventos, conversando com os fãs e autografando carros, o que mostrava seu genuíno amor pela comunidade que ele ajudou a construir.

Embora sua jornada tenha chegado ao fim, o espírito de alegria e liberdade que ele infundiu em seus carros continuará vivo, como uma homenagem a seu legado. Para os fãs, a melhor maneira de honrá-lo é pegar a estrada num dia ensolarado, exatamente como ele gostaria.
O conceito
Embora Tom Mitano tenha o mérito de ter desenhado o MX-5/ Miata, a ideia foi do jornalista ameircano Bob Hall, que cresceu em meio aos carros esporte ingleses MG e Triumph de seu pai. Foi ele quem convenceu a direção da Mazda a criar um carro esporte à luz dos que conheceu ainda adolescente. A Mazda a princípio relutou porque sua produção em Hiroshima era dedicada a carros de tração dianteira, mas acabou decidindo produzi-lo e foi — e é até hoje, passados 35 anos — um enorme sucesso.
O nome
O nome Miata não vem do japonês, como muita gente imagina.
Ele foi escolhido a partir de uma palavra de origem germânica antiga que significa “recompensa” ou “prêmio”. A Mazda adotou esse nome no início do projeto do pequeno esportivo porque queria transmitir a ideia de um carro que fosse um presente para quem dirige, uma recompensa ao entusiasmo.
Nos mercados fora da América do Norte, o carro foi batizado oficialmente de Mazda MX-5 (MX = Mazda eXperimental e o número sequencial de protótipo/projeto). Nos EUA, porém, o nome Miata foi mantido e acabou virando quase sinônimo do modelo.
MF






