O brasileiro Felipe Massa (foto de abertura) e a suíça Laura Villars têm um ponto em comum. O piloto viveu hoje sua primeira audiência, na Suprema Corte de Londres, na esperança de obter o cancelamento do GP de Singapura de 2008 e, com isso ser declarado campeão mundial dessa temporada. A modelo e piloto amadora requereu, em Paris, uma audiência para falar sobre o processo de eleição da Federação Internacional do Automóvel (FIA), marcada para dezembro.

As consequências desses atos tiveram resultados opostos: o brasileiro e seus advogados ouviram do magistrado britânico que o seu problema não foi o acidente provocado deliberadamente pela equipe Renault e o também brasileiro Nelson Piquet Jr, mas os erros cometidos por sua própria equipe nessa prova. A observação é diretamente ligada ao fato que, ao fazer uma parada para reabastecimento, ele não esperou que a mangueira de combustível fosse completamente destacada do seu carro e com isso ele não teve um bom resultado. Ele terminou em décimo-terceiro lugar e não marcou pontos. Por seu lado, Hamilton terminou a prova em terceiro e somou seis pontos, atrás do vencedor Fernando Alonso e de Nico Rosberg.
Felipe Massa demanda uma compensação financeira de US$ 80 milhões e a anulação dessa prova, o que lhe daria o título. Na última corrida do ano, em Interlagos, ele largou na pole-position, fez a volta mais rápida da prova e venceu a corrida, o que contribuiu para que ele acumulasse 97 pontos ao a longo do ano. Hamilton conseguiu superar o alemão Timo Glock na última curva da última volta e com os quatro pontos do quinto lugar somou 98, o que lhe deu o título. A anulação da corrida em Singapora reduziria esse total a 92 e, consequentemente, consagraria o brasileiro como campeão mundial.

A defesa de Massa justifica que Bernie Ecclestone declarou publicamente que sabia da manobra ilícita da equipe Renault e das atitudes de Flavio Briatore e Pat Symmons, mas que não tomou nenhuma atitude “para preservar a imagem do esporte”. Mais recentemente o empresário inglês afirmou que “não se lembra dessa declaração”. Como era de se esperar diante da gravidade e ineditismo do caso, essa batalha jurídica promete ser longeva e pode criar jurisprudência no direito esportivo de vários outros esportes.

Por seu lado a modelo e piloto amador Laura Villars assumiu a luta de vários setores do automobilismo contra o atual presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem. Em meio a críticas pelos métodos empregados em sua administração, o natural dos Emiratos Árabes Unidos (12/11/1961) tenta a reeleição para o mandato de 2026 a 2029. Para formar uma chapa para esse sufrágio marcado para o dia 12 de dezembro, em Ashkent (Uzbequistão) é necessário nomear um representante de cada região administrativa da FIA. Como a América do Sul tem apenas um representante no Senado, a Fabiana Ecclestone, e que já declarou seu apoio a Bem Sulayem, o resultado da eleição é conhecido antecipadamente.

A vitória de Laura Villars em conseguir uma audiência na Suprema Corte, em Paris (sede da FIA), garantiu que tal situação será analisada pela Justiça francesa. Villars foi uma das quatro pessoas que lançaram candidatura e nenhum deles consegiu o apoio mínimo para isso. Os demais nomes foram Carlos Sainz (Espanha), Tim Mayer (EUA) e Virginie Phillipot (Bélgica).
Os apoiadores de Ben Sulayem comentam que a rejeição ao árabe é uma reformulação que extinguiu cargos e posições ocupados por muitos europeus, principalmente ingleses. Já os seus rivais afirmam a quem queira ouvir que o atual presidente não é praticante da democracia e abusa do poder.
WG
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