A volta do Teste de 30 Dias ao AUTOentusiastas (o último foi no início de 2023, com o VW Polo TSI) tem como protagonista o Honda ZR-V. Lançado há pouco menos de um ano, ele chegou em versão única, importado do México, para se encaixar na fresta entre o bem sucedido Honda HR-V made in Itirapina, SP e o Honda CR-V, importado da Tailândia.
Ainda se veem poucos ZR-V na rua, e justamente para entender por qual razão este suve da Honda não vende o que podia — ou deveria? — que ele vai merecer muita atenção da mais extensa de nossas avaliações. Trata-se do 35ª Teste de 30 Dias, que teve início aqui no AE no já distante ano de 2015.
Você, leitor assíduo, já deve ter visto a matéria de apresentação do Honda ZR-V feita pelo Bob Sharp por ocasião do lançamento, em novembro passado, ou a avaliação do Gerson Borini em fevereiro deste ano, aliás com este mesmíssimo carro que ora me foi entregue.

Porém, mesmo com estas completíssimas resenhas já publicadas, e sem querer chatear vocês, acho adequado dar uma pincelada nos aspectos fundamentais do Honda ZR-V: seu preço sugerido é de 214 mil reais e trata-se de um suve aparentado com o atual Civic, o híbrido, do qual deriva sua estrutura. Segundo a Honda, na construção do ZR-V foi aplicado o conceito de Compatibilidade de Engenharia Avançada (ACE, a sigla em inglês) que tem como característica distribuir uniformemente a energia de eventuais colisões salvaguardando a cabine, tecnologia possível graças ao uso de aços de alta resistência, de diferentes especificações. Já a motorização, o motor 2-litros R20Z1 é o mesmo que equipava o último Civic produzido no Brasil, que foi descontinuado em 2021, um motor famoso por sua resistência e parcimônia em termos de consumo de combustível.
Como disse no começo, o ZR-V é importado do México, e seu motor apesar de ser o mesmo do Civic de 10ª geração não é FlexOne, ou seja, não aceita o álcool, o que pode desgostar a alguns e agradar a outros. O câmbio é o clássico CVT, assim como é a receita das suspensões, McPherson na dianteira, multibraço na traseira, igual a do Civic, obviamente com outra calibração.

Ponto alto do ZR-V é, para mim, seu estilo. As formas da carroceria são atraentes, e ele impressiona muito mais ao vivo do que em fotos. A frente de formas arredondadas, com aquela grade frontal baixa e larga, é o ponto alto, mas laterais e traseira não deixam nada desejar, com linhas limpas e absoluta ausência de vincos e outros excessos. Um ar de Porsche Cayenne Coupé misturado com Ford Kuga, mas com indiscutível personalidade Honda.
Na cor azul Aurora perolizada e com revestimento dos bancos de couro cinza claro, os olhos — ao menos os meus — gostam do que veem. Antes de dar a partida no pátio da sede da Honda em São Paulo, gastei um bom tempo observando detalhes. Amenidades como chave presencial e teto solar, e um banco do motorista com ajuste elétrico atraem no primeiro contato assim como o desenho do console central, “flutuante”. De um modo, o acabamento é requintado, mesclando a forração clara dos bancos ao preto, tudo muito agradável ao tato. A tão buscada percepção de qualidade está presente, o que, em parte, pode fundamentar um preço considerado elevado.
Achar um bom posicionamento ao volante é simples, o banco é envolvente e a cabine, luminosa. A partida se dá por botão na parte baixa do painel, botão este que não se vê, encoberto pelo aro do volante. A central multimídia tem tela de 9” e descobri com facilidade como parear meu smartphone e espelhar o Waze via Apple CarPlay.

Primeiros metros, primeiras boas impressões, sob a forma de um -vindo silêncio interior que tem como cúmplices o para-brisa acústico e extensa aplicação de material fonoabsorvente. Além disso, as suspensões engolem de maneira mais do que adequada as imperfeições do piso, ajudadas por uma correta escolha na medida dos pneus, 215/60 R17, distante da moda corrente – pneus de perfil baixo especificados em veículos que não tem pretensões esportivas, caso deste Honda.
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Nesta primeira semana de convívio com o ZR-V rodei poucos quilômetros, mas sempre em horários de pico, encarando congestionamentos chatíssimos, condição na qual a agradável cabine me confortou assim como a suavidade dos comandos, em especial o volante, rápido e com “peso” correto, assim como o acelerador e freio. Como todo o Honda de última geração o ZR-V dispõe do pacote Honda Sensing, com vários auxílios à direção, mas que nesta condição urbana e travada pouco atuaram. Destaco apenas a câmera de auxílio ao ponto cego que espelha a imagem que seria atribuição do espelho retrovisor da direita mostrar, só que na tela da central multimídia. Um acessório de segurança útil especialmente na capital paulista, onde o grande número de motociclistas exige atenção redobrada nas mudanças de direção.

Acostumado a utilizar um Honda HR-V de 1ª geração, com motor aspirado de 1,8 litro, ao cabo de uma semana de uso observo que progresso oferecido pelo ZR-V em termos de conforto, silêncio a bordo e maciez das suspensões é significativo, e que as dimensões externas levemente maiores não impactam negativamente no uso do dia a dia da metrópole. Quanto ao fôlego do motor, os poucos quilômetros não permitem julgamento. Para a 2ª semana, a clássica viagem ao litoral norte paulista, “pista de testes” do Teste de 30 Dias, está programada, e com ela as revelações de um uso mais plural. Não perca.
RA
Honda ZR-V
Dias: 7
Quilometragem total: 122 km
Distância na cidade: 122 km (100%)
Distância na estrada: 0 km (0%)
Consumo médio: 5,8 km/l
Média horária: 16,0 km/h
Tempo ao volante: 7h50 minutos
| FICHA TÉCNICA HONDA ZR-V TOURING | |
| MOTOR | |
| Designação | K20Z5 |
| Descrição | Dianteiro, transversal, bloco e cabeçote de alumínio. duplo comando de válvulas, corrente, controle de fase e de levantamento na admissão e escapamento, árvores contrarrotativa de balanceamento, injeção no duto, sistema de injeção PGM-FI. gasolina 91 RON (comum) |
| Cilindrada (cm³) | 1.996 |
| Diâmetro x curso (mm) | 86 x 85,9 |
| Potência (cv/rpm) | 161 / 6.500 |
| Torque (m·kgf/rpm) | 19,1 / 4.200 |
| Taxa de compressão (:1) | 10,8 |
| Densidade de potência (cv/L) | 80,6 |
| Densidade torque (m·kgf/L) | 9,6 |
| TRANSMISSÃO | |
| Tipo | Transeixo Honda dianteiro com câmbio automático CVT, trocas manuais sequenciais por borboletas, modo Sport, conversor de torque, tração dianteira |
| Número de marchas | 7 |
| SUSPENSÃO | |
| Dianteira | Independente McPherson, braço de controle triangular, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra antirrolagem |
| Traseira | Independente multibraço, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra antirrolagem |
| DIREÇÃO | |
| Tipo | Pinhão e cremalheira, dois pinhões, eletroassistida indexada à velocidade |
| Relação de direção (:1) | 12,5 |
| Diâmetro mínimo de curva (m) | 11 |
| Voltas entre batentes | 2,8 |
| Diâmetro do voante (mm) | 370 |
| FREIOS | |
| Atuação | Servoassistência a vácuo, duplo-circuito em diagonal, ABS, distribuição eletrônica das forças de frenagem, auxílio a frenagens de emergência |
| Dianteiros (Ø mm) | Disco ventilado / 312 |
| Traseiros (Ø mm) | Disco / 310 |
| Freio de estacionamento | Eletromecânico, atuação rodas traseiras |
| RODAS E PNEUS | |
| Rodas | Liga de alumínio, 6,5J x 17 |
| Pneus | 215/60R17H (Michelin Primacy All Season) |
| Estepe | Temporário estreito T135/90D17M com roda de aço |
| CONSTRUÇÃO | |
| Tipo | Monobloco em aço, suve, 4 portas, 5 lugares, subchassi dianteiro e traseiro de alumínio |
| DIMENSÕES (mm) | |
| Comprimento | 4.568 |
| Largura sem / com espelhos | 1840 / 2.093 |
| Altura | 1.611 |
| Entre-eixos | 2.655 |
| Distância mínima do solo | 178 |
| ANGULOS (º) | |
| Entrada | 16,4 |
| Saída | 20,2 |
| Transposição de rampa | n.d. |
| PESOS E CAPACIDADES | |
| Peso em ordem de marcha (kg) | 1.446 |
| Capacidade de carga (kg) | 464 |
| Peso bruto total (kg) | 1.910 |
| Volume do porta-malas (L) | 389 / 1.306 com os encostos do banco traseiros rebatidos |
| Tanque de combustível (L( | 53 |
| DESEMPENHO | n.d. |
| CONSUMO DE GASOLINA, INMETRO | |
| Cidade (km/L) | 10,2 |
| Estrada (km/L) | 12,1 |
| GARANTIA | 3 anos |





