A Stellantis revelou oficialmente que vai produzir o tão esperado e comentado Jeep Avenger em solo brasileiro. Em evento realizado na fábrica de Goiana, PE, a empresa, que não deu maiores detalhes sobre seu novo carro, ressaltou que o suve ou crossover subcompacto terá fabricação iniciada no ano que vem, com vendas também programadas para 2026.
O Jeep Avenger chega em um segmento que está cada vez mais aquecido. Modelos como Renault Kardian e Fiat Pulse já parecem bem aceitos pelo público e são respostas a uma demanda que o mercado e os clientes vêm pedindo há algum tempo: substitutos para os hatches compactos. Um tema que abordamos em outro texto aqui no AE.

Com visual característico de um Jeep, o Avenger terá um coração conhecido. O conjunto propulsor esperado para o suve é o 1,0 turbocarregado que já equipa outros modelos da Stellantis. São 130 cv e 20,4 m·kgf, sempre com um câmbio CVT de sete marchas, algo que deve permanecer. A versão do motor, porém, deve ser igual à do Pulse semi-híbrido, já com auxílio de um pequeno motor elétrico — é também i motor de partida — que, segundo a fabricante, melhora o consumo do seu hospedeiro em até 15%.
O que, no entanto, me deixa um pouco mais curioso sobre esse Jeep é sua plataforma. A produção do modelo foi confirmada para a fárica de Porto Real, RJ, a mesma de onde saem Citroën Basalt, C3 Aircross e C3. A base do Avenger, claro, será a mesma, a CMP, que entrega modularidade, menos peso e até mais segurança na comparação com a estrutura utilizada nos demais Jeep, como Renegade, Compass e Commander.
O Avenger vem com uma missão ingrata, tendo que competir com os já citados Kardian e Pulse, mas também Volkswagen Tera e os vindouros projetos de Hyundai e GM, que vão explorar essa sanha da clientela por carrinhos altos. Seu sucesso, porém, dependerá de alguns fatores.

Carros como Renegade e Compass foram, de certo modo, surpreendentes quando lançados no Brasil, sobretudo o primeiro, que estreou a plataforma Small Wide 4×4. Com acabamento refinado e suspensão bem acertada para o Brasil, o “Renê” rapidamente conquistou o público e ajudou, junto com o Honda HR-V, a popularizar ainda mais os suves. O Compass, por sua vez, trouxe requinte e tecnologia ao segmento de suves médios, algo que não era visto em modelos como Hyundai Tucson e Kia Sportage, por exemplo.
Para alcançar esse mesmo sucesso dos seus irmãos maiores, o Avenger vai precisar bem mais do que atos de heroísmo, com o perdão do trocadilho com filme “Avengers”, da Marvel/Disney. Se encaixar com bom preço e, principalmente, com diferenciadores tecnológicos e de acabamento será vital para seguir o legado vencedor dos seus correligionários.
Como defensor do Renegade, que é um dos carros mais injustiçados do Brasil, fico curioso para ver como será o Jeep em plataforma de PSA. Vai perder a robustez? Será mais afiado do que parrudo nas ruas esburacadas do Brasil? A ver.
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