Antes de receber a esperada remodelação para 2026, avaliamos o Jeep Commander com a importante atualização do motor 2,2 turbodiesel Multijet, o mesmo que equipa a Ram Rampage testada recentemente. A versão Overland é a única que ainda recebe motorização turbodiesel e mostrou como o novo conjunto mecânico se integra à proposta de um suve sofisticado, mas não isento de compromissos técnicos.

Mais força, mesma proposta
Com 200 cv a 3.500 rpm e torque de 45,87 m.kgf a meros 1.500 rpm, o novo motor 2,2 turbodiesel substitui o antigo 2,0 Multijet com ganho claro em elasticidade e potência. Trata-se de um quatro cilindros transversal com injeção direta e duplo comando no cabeçote, dotado de turbocarregador e interresfriador, associado ao câmbio automático de nove marchas e tração 4×4 sob demanda com reduzida.
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A ficha técnica mostra um motor com arquitetura robusta: diâmetro e curso de 83,8 mm x 99 mm evidenciam um desenho subquadrado voltado à entrega de torque em baixas rotações, típico de um diesel de trabalho, o que faz sentido ao lembrar que esse mesmo motor também equipa versões comerciais da Fiat Ducato e veículos off-road na Europa.

Desempenho convincente
Segundo dados oficiais, o Commander 2,2 acelera de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos e atinge 205 km/h de velocidade máxima. São números sólidos para um suve de 1.943 kg em ordem de marcha, com capacidade para sete passageiros e boas credenciais para o fora de estrada leve, graças à altura livre do solo de 213 mm e aos bons ângulos de entrada (26,4º) e saída (24,4º).

No uso urbano, o torque abundante em baixa torna o Commander bastante ágil em saídas de semáforo ou retomadas de velocidade. Na estrada, a nona marcha ajuda a manter o giro do motor em baixas rotações, o que contribui tanto para o conforto acústico quanto para o consumo: 13,4 km/l na estrada e 10,3 km/l em ciclo urbano, de acordo com o homologado junto ao Inmetro.
Durante uma semana de uso foram acumulados 752 km e o consumo médio foi de 14,2 km/l no uso geral cidade/estrada. Em viagens entre São Paulo e Campinas a 120 km/h com ar-condicionado ligado o consumo atingiu 17,4 km/l, fazendo com que o custo do km rodado fosse bem compensador.
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Integração mecânica ainda não é perfeita
Se o novo motor cumpre bem o papel de dar mais fôlego ao Commander, ele também evidencia um ponto importante: a integração com a plataforma Small Wide 4×4 (a mesma de Compass e Toro) ainda não está 100% refinada. Isso se traduz em um nível leve de aspereza e vibrações perceptíveis ao volante, especialmente em rotações intermediárias, algo já notado também na Ram Rampage equipada com esse mesmo motor.

É um comportamento que não chega a comprometer o conforto da cabine, ainda silenciosa e bem isolada, mas que mostra os limites da convivência entre uma motorização originalmente pensada para aplicações comerciais e uma arquitetura derivada de suves compactos.

Câmbio e tração: boa parceria
O câmbio automático de nove marchas oferece relações bem escalonadas, com uma 1ª curta (4,700) e últimas marchas voltadas à economia (9ª com relação 0,480). As trocas são suaves e discretas, embora em acelerações mais intensas o sistema demore um pouco a responder. Em contrapartida, a tração 4×4 com modo reduzido adiciona um grau importante de capacidade em pisos escorregadios, valendo-se também da suspensão McPherson nas quatro rodas com barra estabilizadora e amortecedores hidráulicos pressurizados.

A direção elétrica, com 11,8 metros de diâmetro mínimo de curva, é leve em manobras e progressiva em velocidade, garantindo boa dirigibilidade para um SUV desse porte.

Conforto, espaço e tecnologia
O Commander segue oferecendo o que se espera de um modelo topo de linha: acabamento de bom nível, central multimídia com boa conectividade e espaço generoso para cinco ocupantes. Os dois assentos da terceira fileira, como é comum nesse segmento, são mais indicados para crianças ou adultos em curtos deslocamentos. Com os sete lugares em uso, o porta-malas acomoda 233 litros; com cinco, o volume sobe a 661 litros, e vai a 1.760 litros com a segunda e terceira fileiras rebatidas.

A posição de dirigir é elevada, com excelente visibilidade, e os bancos revestidos em tecido que imita couro oferecem bom apoio, ainda que a ergonomia dos comandos centrais pudesse ser mais intuitiva.
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Preços da linha Commander (2025)
A versão Commander Overland 2,2 turbodiesel 4×4 (também referida como Overland TD380) tem preço sugerido de R$ 314.490, conforme publicado no site da marca. Para contexto e comparação futura com a linha 2026 que está para chegar, a linha 2025 do Jeep Commander traz a seguinte escala de versões e preços:
Longitude T270 1,3 flex 4×2 – R$ 231.490
Limited T270 1,3 flex 4×2 – R$ 257.790
Overland T270 1,3 flex 4×2 – R$ 280.990
Overland 2,2 turbodiesel 4×4 – R$ 314.490 (versão testada)
Overland Hurricane 2,0 4×4 (gasolina) – R$ 323.990
Blackhawk Hurricane 2,0 4×4 (gasolina) – R$ 340.990

Conclusão
O motor 2,2 turbodiesel posiciona o Jeep Commander como uma opção ainda mais versátil entre os suves grandes, com desempenho acima da média e aptidão real para quem enfrenta estradas de terra ou trechos urbanos com obstáculos. A aspereza notada em alguns momentos é um detalhe técnico que talvez passe despercebido para o público-alvo tradicional, mas que vale ser apontado do ponto de vista de quem valoriza integração mecânica e refinamento dinâmico.

Resta agora aguardar o facelift visual para 2026, que deverá atualizar o estilo do Commander para manter sua competitividade frente à nova leva de suves médios e grandes, incluindo o próprio Compass reestilizado e rivais tradicionais como o Toyota SW4 e o Chevrolet Trailblazer.
GB
| FICHA TÉCNICA JEEP COMMANDER OVERLAND 2,2 TURBODIESEL 2025 | |
| MOTOR | |
| Designação | Multijet Turbodiesel |
| Descrição | 4 cilindros em linha, dianteiro transversal, bloco e cabeçote de alumínio, turbocarregador de geometria variável com interresfriador ar-água, 4 válvulas por cilindro, duplo comando de válvulas, correia dentada, variação de fase na admissão e escapamento, injeção direta, diesel S-10 |
| Diâmetro x curso (mm) | 83,8 x 99 |
| Cilindrada (cm³) | 2.184 |
| Potência máxima (cv/rpm) | 200 / 3.500 |
| Torque máximo (m·kgf/rpm) | 45,87 / 1.500 |
| Taxa de compressão (:1) | 15,7 |
| TRANSMISSÃO | |
| Câmbio | Automático epicíclico, 9 marchas à frente e ré, tração Integral, predominantemente dianteira |
| Relações das marchas (:1) | 1ª 4,700 2ª 2,840; 3ª 1,910; 4ª 1,380; 5ª 1,000; 6ª 0,810; 7ª 0,700; 8ª 0,580; 9ª 0,480; Ré 3,805 |
| Relação de diferencial (:1) | 3,805 |
| SUSPENSÃO | |
| Dianteira | Independente, McPherson, braço de controle triangular, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra antirrolagem |
| Traseira | Independente, multibraço, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra antirrolagem |
| DIREÇÃO | |
| Tipo | Pinhão e cremalheira, eletroassistida, indexada à velocidade |
| Voltas entre batentes | 2,8 |
| Diâmetro mínimo de curva (m) | 11,5 |
| FREIOS | |
| Descrição | Freio de serviço hidráulico, servoassistido a vácuo, duplo-circuito em diagonal |
| Controle | ABS, distribuição eletrônica das forças de frenagem, auxilio a frenagem de emergência |
| Dianteiros (Ø mm) | Disco ventilado / 330, pinça flutuante |
| Traseiros Ø mm) | Disco / 320, pinça flutuante |
| RODAS E PNEUS | |
| Rodas | Liga de alumínio, 7,5J x 19 |
| Pneus | 235/50 R19 |
| CONSTRUÇÃO | |
| Tipo | Monobloco de aço, suve, 4 portas, 7 lugares, subchassi dianteiro e traseiro |
| AERODINÂMICA | .n.d |
| DIMENSÕES EXTERNAS (mm) | |
| Comprimento | 4.769 |
| Largura sem/com espelhos | 1.859 / n.d. |
| Altura | 1.725 |
| Distância entre eixos | 2.794 |
| Bitola dianteira/traseira | 1.570 / 1.589 |
| Distância mínima do solo | 213 |
| ÂNGULOS | |
| Entrada/saída/transposição de rampa (º) | 26,4 / 24,2 / 24,4 |
| PESOS E CAPACIDADES | |
| Peso em ordem de marcha (kg) | 1.943 |
| Capacidade de carga (kg) | 500 |
| Porta-malas (L) | 661 (5 pass.), 233 (7 pass;), 1.760 (2 pass.) |
| Tanque de combustível (L) | 61 |
| DESEMPENHO | |
| Aceleração 0-100 km/h (s) | 9,7 |
| Velocidade máxima (km/h) | 205 |
| CONSUMO DE COMBUSTÍVEL INMETRO PBEV | |
| Cidade (km/l,) | 10,3 |
| Estrada (km/l) | 13,4 |
| CÁLCULOS DE CÂMBIO | |
| v/1000 na última marcha (km/h) | 13,9 |
| Rotação a 120 km/h em 9ª (rpm) | 1.671 |
| Rotação à velocidade máxima em 8ª (rpm) | 3.450 |
| GARANTIA | |
| Tempo, anos | 5 |
| CONTEÚDO DO JEEP COMMANDER OVERLAND 2,2 TURBODIESEL 2025 |
| Abertura eletrônica do porta-malas com sensor de presença |
| Assistente de freadas de emergência |
| Banco do motorista com memória |
| Banco elétrico para o motorista (6 direções) |
| Bancos premium em couro e camurça na cor marrom |
| Carregador do celular por indução |
| Central multimídia de 10,1 polegadas com Adventure Intelligence Plus com Alexa no veículo |
| Controle de descida |
| Engates Isofix com pontos de fixação superior para dois bancos infantis |
| Friso cromado por toda a extensão das janelas do veículo |
| Monitoramento de pontos cegos |
| Painel dianteiro em camurça com acabamento cromado |
| Partida remota) |
| Pintura das partes plásticas na cor da carroceria |
| Protetor de cárter |
| Rack do teto com acabamento cromado |
| Rodas de liga de alumínio de 19 polegadas |
| Seletor de terrenos |
| Sete bolsas infláveis (dianteiras, laterais, de cortina e para os joelhos do motorista) |
| Sistema de som Premium Harman-Kardon de 450 W (9 alto-falantes + subwoofer) e tecnologia Fresh Air |
| Tampa de cobertura do porta-malas |
| Terceira fileira de bancos reclináveis |
| Teto solar elétrico e panorâmico |
| Tração 4×4 Jeep Active Drive Low |





