A Bugatti acaba de apresentar o Programme Solitaire, uma nova iniciativa dedicada à criação de automóveis absolutamente únicos. Cada exemplar será feito sob medida, respeitando o espírito original da marca, com foco na expressão individual e na excelência artesanal. A primeira criação se chama Brouillard (neblina em francês), um coupé de proporções esculpidas, acabamento singular e inspiração profundamente pessoal.
O nome remete ao cavalo favorito de Ettore Bugatti, um puro-sangue de pelagem branca salpicada como neblina de verão (seja lá o que isso signifique). Brouillard era uma referência de elegância, inteligência e velocidade. Ettore chegou a projetar um mecanismo para que o animal abrisse sozinho a porta de seu estábulo. Agora, sua lembrança toma forma em um carro que carrega esse mesmo ideal de elegância, refinamento e domínio técnico.

O Programme Solitaire amplia os limites já estabelecidos pelo Bugatti Sur Mesure. A inspiração vem da época em que os grandes fabricantes europeus trabalhavam com encarroçadores para criar automóveis com carrocerias exclusivas. Jean Bugatti, antecipando seu tempo, internalizou esse processo e criou ícones como o Type 57 SC Atlantic, além das versões Galibier, Stelvio, Ventoux e Atalante, que exploravam diferentes propostas sobre a mesma base técnica.
Na releitura atual, o Brouillard adota a plataforma com motor W-16 quadriturbo de 1.600 cv, o mais avançado já desenvolvido pela marca. Ou seja, o Chiron. A proporção segue princípios clássicos de composição, com a parte inferior em tons escurecidos conectando o carro à sua sombra e os dois terços superiores tratados com leveza visual. O resultado é uma silhueta mais baixa, longa e fluida. As rodas parecem maiores e a carroceria mais aerodinâmica, sem excessos.

A funcionalidade dos elementos aerodinâmicos está perfeitamente integrada ao desenho. As entradas de ar otimizam o resfriamento dos radiadores. O defletor fixo tipo ducktail garante estabilidade e equilíbrio. O difusor traseiro amplia a superfície útil com um novo arranjo do sistema de escapamento.

O interior combina materiais tradicionais com soluções contemporâneas. O teto de vidro cria uma sensação de leveza arquitetônica. A nervura central, um elemento interessantíssimo, atravessa o carro e pode ser vista tanto de fora como de dentro. Os tecidos foram tecidos sob encomenda em Paris, com padrão tartan. A fibra de carbono esverdeada contrasta com peças de alumínio usinado. Os bancos foram moldados para o proprietário e recebem acabamento exclusivo em couro, com costuras e inserções cuidadosamente distribuídas. O pomo do câmbio, usinado a partir de um único bloco de alumínio, abriga uma escultura em miniatura do cavalo Brouillard, moldada à mão. Nas portas e nos encostos, bordados com a silhueta do cavalo reforçam a temática pessoal.

O cliente que encomendou o Brouillard é um colecionador profundamente envolvido com a história da marca. Além de automóveis, ele reúne peças de Carlo Bugatti, com seu mobiliário singular, e esculturas de Rembrandt Bugatti, reconhecido por suas figuras em bronze. O carro buscou integrar todas essas referências: o artesanato, a escultura, o gosto pela forma e, sobretudo, a ligação de Ettore com os cavalos, que moldou sua visão de velocidade e elegância.

O Brouillard será revelado na Monterey Car Week como a primeira obra do Programme Solitaire. A partir de agora, a Bugatti planeja criar no máximo duas peças por ano dentro desse programa. Cada projeto utilizará motorização e base estrutural já existentes da marca, com foco total na criação de carrocerias inéditas e interiores inteiramente personalizados.
Modelos como o Brouillard reforçam o papel simbólico do automóvel como extensão do gosto, da memória e da identidade de quem o escolhe. Em um universo onde o luxo se reinventa constantemente, a capacidade de contar uma boa história, de forma precisa, sensível e autêntica, permanece como um dos atributos mais valorizados.
A Bugatti vendeu 81 carros em 2023 e apenas 8 em 2024. É o topo da pirâmide.
PM





