O Ford Mustang Dark Horse chegou oficialmente ao Brasil como a versão de rua mais próxima de um carro de competição já oferecida pela marca no país e a terceira versão de Mustang a venda neste ano aqui. É um nome com peso e tradição, mas que nesta nova geração traz algo a mais: um conjunto mecânico e dinâmico pensado para entregar desempenho em pista sem perder usabilidade no dia a dia. Tivemos a oportunidade de conhecê-lo em Mogi Guaçu, SP num programa dividido entre estradas da região e um complemento no Autódromo Velocittà.

Avaliação em duas etapas
O trajeto rodoviário permitiu sentir a boa resposta do motor Coyote 5,0 V-8, agora com 507 cv de potência máxima e 57,8 m·kgf de torque máximo, o mais potente V-8 já trazido pela Ford ao Brasil (fora a linha Shelby), e que ultrapassa o marco de 100 cv/l para motor de aspiração atmosférica. A sonoridade é um espetáculo à parte: encorpada, modulada e com variação perceptível conforme o modo de dirigir, capaz de fazer qualquer entusiasta procurar túneis ou paredes para amplificar o efeito.

Já no autódromo, por razões de segurança, o traçado recebeu cinco chicanes adicionais. Isso impediu explorar a velocidade máxima de 250 km/h, mas não comprometeu a percepção de alguns pontos-chave do acerto: a excelente capacidade de tração na saída das curvas, a forte aceleração mesmo em médias rotações e a facilidade com que o carro contorna curvas rápidas.
Houve uma leve tendência ao subesterço em entradas mais agressivas, algo que surpreende num carro de tração traseira com diferencial autobloquante Torsen, mas que provavelmente é fruto do traçado mais travado e da configuração dos pneus dianteiros para uso misto.

Chassi e suspensão calibrados para a pista
O Dark Horse é construído sobre a mesma base do Mustang GT Performance, mas com acertos mais radicais:
- Suspensão adaptativa MagneRide com leitura de até 1.000 vezes por segundo, molas dianteiras e buchas mais rígidas, barra amtirrolagem traseira sólida e calibração voltada à estabilidade em alta velocidade.
- Direção 25% mais responsiva que no GT Performance, transmitindo mais imediatismo e precisão ao comando.
- Freios Brembo com discos flutuantes de 390 mm na dianteira e 355 mm na traseira, que suportam uso intenso sem perda de eficiência por superaquecimento.
- Rodas exclusivas de 19″ associadas a pneus Pirelli P Zero (255/40 na frente, 275/40 atrás), meia polegada (12,7 mm) mais largas que no GT.

Transmissão e modos de condução
O câmbio automático de dez marchas recebeu calibração própria para trocas mais rápidas e inteligentes, além da função downshift, (redução) ao manter a borboleta esquerda aberta, útil para reduzir várias marchas até o giro ideal de forma imediata. São cinco modos de condução (Normal, Esportivo, Escorregadio, Pista, Pista Drag e Personalizado), ajustando direção, suspensão, som do escapamento, controle de estabilidade e tração, e até a apresentação do quadro de instrumentos digital.

Para os mais ousados, há recursos como Drift Brake (freio eletromecânico para derrapagens controladas) e Line Lock (travamento das rodas dianteiras para queimar os pneus traseiros), além do pacote Track Apps com telemetria embarcada.

Design com presença
A postura do Dark Horse é intimidadora: máscara negra na dianteira, faixas no capô, elementos escurecidos, ponteiras de escapamento duplas de 114 mm de diâmetro e o inédito emblema dianteiro do cavalo visto de frente. Por dentro, bancos de couro e suede com costuras azuis, cintos na mesma cor e volante com o logo escurecido reforçam a exclusividade.
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O preço sugerido é de R$ 649.000 — alto, mas competitivo diante de esportivos de desempenho e proposta semelhantes. A garantia é de 3 anos sem limite de quilometragem, e passa a ser a única versão de Mustang disponível no Brasil.
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Impressões finais
Mesmo com o traçado do Velocittà modificado, o Mustang Dark Horse mostrou um equilíbrio interessante entre controle e brutalidade. O motor V-8 entrega potência de sobra e uma faixa de uso mais ampla do que o esperado para um aspirado, enquanto a calibração de suspensão e direção faz jus à promessa de um carro com foco em pista. É um Mustang mais afiado, que ainda mantém usabilidade na rua, mas que claramente pede para ser levado a um circuito para mostrar todo o seu potencial.
GB
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| Ficha Técnica resumida – Ford Mustang Dark Horse 2025 | |
| Motor | Coyote 5,0 V8 aspirado, 32v, injeção direta e nos dutos |
| Potência | 507 cv a 7.250 rpm |
| Torque | 57,8 m·kgf a 4.900 rpm |
| Câmbio/Tração | Automático, 10 marchas, tração traseira, diferencial autobloqueante Torsen |
| Suspensão | Dianteira independente, McPherson; traseira independente, multibraço; adaptativa MagneRide |
| Freios | Dianteiros Brembo a disco ventilado flutuante 390 mm; traseiros a disco ventilado 355 mm |
| Pneus | 255/40 R19 (dianteira), 275/40 R19 (traseira) |
| Aceleração 0–100 km/h | 3,7 s |
| Velocidade Máxima | 250 km/h (limitada eletronicamente) |
| Modos de condução | Normal, Esportivo, Escorregadio, Pista, Pista Drag + ajustes individuais |





