A Volkswagen do Brasil ampliou seu espaço dedicado à memória automobilística com a inauguração de um anexo da Garagem Volkswagen, localizada na fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo, SP. Com 400 m² de área, o novo anexo foi projetado para abrigar um acervo ainda mais exclusivo, composto por 13 veículos entre protótipos, carros-conceito, esportivos e modelos que nunca chegaram a ser lançados.
Expansão da Garagem Volkswagen: parte do acervo em detalhes
Com 41 anos de história e pouco mais de 46 mil km marcados no hodômetro, o Brasília produzido em 1974 acaba de voltar de um intercâmbio. É que a unidade foi cedida para exposição em 2012, no Auto Museu Volkswagen, em Wolfsburg, cidade natal da marca, na Alemanha. E retornou ao seu País de origem depois de mais de uma década “aprendendo alemão”.
Na bela cor vermelho Rubi, o hatchback brasileiro tem com motor boxer 1600 a ar de um carburador e câmbio quatro-marchas. Em seu habitáculo, o revestimento na cor caramelo aparece nos bancos e painéis de porta — todo monocromático. Como presente de boas-vindas, o modelo recebeu seu próprio Certificado de Veículos Clássicos Volkswagen.
Parati EDP 1996
A Parati EDP (Engineering Design Prototype) foi um protótipo ousado da Volkswagen, que buscou inspiração no campeonato de turismo alemão, o DTM. Essa influência resultou numa Parati com desempenho digno das pistas. O motor AP-2000 de 16 válvulas recebeu uma preparação similar à dos Audi de competição, elevando sua potência a 200 cv e torque, a 21 m·kgf. Com esse motor, a camioneta era capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em impressionantes 7,4 s e de chegar a 230 km/h.
Além do desempenho, o protótipo trazia detalhes que o tornavam único. O conjunto de rodas BBS de 17″ e um sistema de som Clarion de alta qualidade, que incluía toca-fitas e uma inédita disqueteira para 18 CDs. O interior também se destacava, com um acabamento bicolor nos bancos e nas portas.
Golf Competição 1999
O Golf GTI Competição é um ícone dentro da história da Volkswagen do Brasil. Foi criado em 1999 por uma equipe entusiasta do Desenvolvimento do Produto, inspirados nas corridas europeias. Assim como o GTI original, ele nasceu de um projeto extracurricular, mas ao contrário de seu “irmão” nunca chegou ao público. Com a pintura personalizada em prata e faixas azuis largas, o modelo ostenta o número “17” em homenagem à Ala 17 da fábrica Anchieta, onde o time responsável pelo desenvolvimento da máquina trabalha. Suas rodas 16″ foram importadas da Volkswagen Motorsport, divisão de competução da matriz em Wolfsburg..
O modelo possui o mesmo conjunto motor/transmissão do GTI de série: motor 1,8 20V turbo que entrega 150 cv e 21,4 m·kgf, com tubo de escapamento saindo da turbina do turbocarregador direto para a saída final na lateral esquerda do veículo para trás de linha imaginária que divide o entre-eixos em dois, como determina o Anexo J do Código Desportivo Internacional da Federação Intrernacional do Automóvel (FIA).
É equipado com itens que fazem jus ao nome, como gaiola de segurança confeccionada pela Engenharia de Protótipos (seguindo os padrões da FIA), cintos e banco-concha, além de um sistema de extinção de incêndio. O carro levou cerca de seis meses para ser projetado e executado, com mudanças significativas na suspensão, que foi rebaixada e teve o câmber dianteiro ajustado para -4°15’ante o original -0°33’; o eixo de torção traseiro permaneceu com geometria original,
Gol Endurance 2002
A proposta lançada no Salão do Automóvel de 2002 remetia aos feitos automobilísticos dos anos 1960 e tinha como objetivo promover o Gol, em uma grande jogada de marketing: quebrar o recorde mundial de Resistência (longa duração) na categoria. Foram poucos meses de preparação até que a marca fosse alcançada: o Gol estabeleceu, às 12h23 do dia 15 de janeiro de 2003 a marca de 25 mil km rodados. O local para a prova, nomeada Endurance VW, foi o Autódromo Internacional José Carlos Pace, em Interlagos. O trecho definido para o recorde foi o anel externo do circuito, com 3.108 m de extensão. Três unidades do Gol Power 1,6 foram escolhidas na linha de produção para o desafio. As únicas alterações realizadas foram a instalação de proteção no habitáculo dos veículos (“gaiola” de proteção) e de faróis auxiliares de longo alcance.
Foram nove dias de rodagem ininterrupta, durante os quais os carros só paravam para troca de pneus e pastilhas de freio e abastecimento. Também precisavam cumprir os períodos de revisão! O primeiro Gol chegou aos nove mil km às 22h30 do dia 9 de janeiro. O segundo, que largou dia 10, estabeleceu a marca de 10 mil km às 17h04 do dia 13 de janeiro, após 3.218 voltas. Após mais de oito mil voltas no circuito, o terceiro Gol chegava à marca de 25 mil km rodados em Interlagos. É esse o modelo exposto na Garagem VW, que está mantido com os adesivos originais do evento. A equipe era composta por 120 pessoas, entre técnicos, pilotos, fiscais e organizadores. Foram selecionados 15 pilotos, rodando em turnos cerca de 1h30. Os carros rodavam 24 horas, sempre no limite.
Kombi Série Prata 2005
Normas mais exigentes de emissão de poluentes exigiram a aposentadoria do lendário motor boxer arrefecido a ar no fim de 2005. Para marcar a despedida do motor que nasceu com a própria Volkswagen, 200 unidades do Kombi Standard — o último veículo no mundo ainda equipado com esse tipo de motor, aqui com 1.584 cm³ a gasolina, 58 cv e 11,3 m·kgf, e 67 cv e 12,5 m·kgf a álcool — se transformaram em Série Prata, hoje muito cobiçado por colecionadores.
Externamente, o Kombi Série Prata saía na cor metálica prata Light, combinada a para-choques e aros de faróis em vinza Cross. Luzes de seta transparentes, lanternas escurecidas e uma plaqueta com o nome da versão na porta de carga traseira completavam o diferenciador visual. Internamente, os destaques eram o revestimento exclusivo dos bancos e o logotipo “Kombi Série Prata Limited Edition” ao lado do velocímetro. Havia também vidros esverdeados e desembaçador do vidro traseiro. A unidade do acervo foi retirada da linha de montagem e nunca foi emplacada. Ela pertence, ainda, ao último lote dos modelos arrefecidos a ar.
Kombi Edição 50 anos 2007
Lançado em 2007, o Kombi Edição 50 anos foi uma versão comemorativa e limitada: uma unidade para cada ano de produção nacional do utilitário mais popular do País. Em setembro de 1957 o Kombi se tornou o primeiro Volkswagen nacional. Externamente, sua carroceria bicolor recebia logotipos da série na porta de carga traseira e nas portas dianteiras; as luzes de seta eram translúcidas e as lanternas, escurecidas.
Na cabine, o grande “troféu” dos colecionadores: uma plaqueta com o número de produção no painel (01/50, 02/50, 03/50…). Mimos como miniatura e certificado de propriedade enriqueciam o índice de “colecionabilidade” do veículo que, naquele ano, já tinha o motor EA-111 1,4-L arrefecido a água. A unidade da Garagem é um pré-série, número 00/50, e foi transferido da linha de produção diretamente para o acervo.
Saveiro Rocket 2010
Se existe um conceito que chanou a atenção no Salão de São Paulo em 2010, este foi a Saveiro Rocket. A versão conceitual “Rocket” (foguete, em inglês) foi exibida na 50ª edição da mostra paulistana para encantar os consumidores que costumavam personalizar pequenos utilitários — o que a marca concluiu através de pesquisas.
A Saveiro Rocket foi equipada com motor 1,4 TSI, câmbio manual seis-marchas e bancos esportivos. A caracterização ficava por conta de acessórios como arco de proteção (“santantônio”) arredondado (que conferia um ar de cupê à picape), aerofólio integrado à cobertura rígida da caçamba, rodas 18″ e entradas de ar laterais. O branco perolizado da carroceria atravessado por uma faixa vermelha coroavam a exclusividade do modelo.
Gol GT Concept 2016
Foi no Salão de 2016 que a Volkswagen despertou interesse com o Gol GT Concept. Apesar de ser um carro-conceito, seu desenho era tão próximo da realidade que muitos viram nele um sinal do possível retorno do icônico Gol GTI. O carro se destacava por uma série de detalhes marcantes. Seus para-choques eram mais largos e tinham entradas de ar maiores, complementados por faróis de LED com projetores. A base utilizada foi o Gol duas-portas, que na época ainda em produção na época, recebendo uma pintura cinza Volcano, com detalhes da carroceria em vermelho e teto preto brilhante.
Polo: cinco décadas do modelo
Nascido da base do Audi A1, o Polo chegava à Europa em 1975 com a proposta de ser o menor carro da marca. Cinco décadas e seis gerações depois, o modelo muitas vezes acabou sendo o primeiro carro de jovens ao redor do mundo, representando muito bem a categoria de hatchbacks acessíveisl.
No Brasil, a história do Polo começou em 1997, com o Polo Classic, de terceira geração. À época, foi importado da Argentina com motor 1,8 de 90 cv e uma proposta familiar, pelo entre-eixos 2.440 mm e carroceria sedã. Em 2002, a grande revolução. A quarta geração foi anunciada com produção nacional, na fábrica Anchieta.
O novo design com os faróis duplos circulares chamava a atenção; e o modelo passou a usar a plataforma PQ24, referência em robustez estrutural na época, estreando as soldas a laser num carro produzido no Brasil. Com a reestilização em 2006, a Volkswagen inaugurou uma nova classe de potência no segmento com o Polo GTI. Disponível apenas em carroceria três-portas, seu motor era 1,8 de 150 cv e 22,4 m·kgf. Um verdadeiro hot hatch. Depois de um hiato de dois anos, entre 2015 e 2017, o Brasil recebeu a sexta geração do Polo, inaugurando a produção nacional da plataforma MQB-A0.
Em 2022, o modelo recebeu uma reestilização de meia vida e a linha teve a adição do Polo Track para substituir o Gol. No acervo da Garagem VW, a história do Polo é contada com os modelos de produção nacional: Polo 2002, Polo Sedã 2005, Polo Sportline 2013, Polo Highline 2017, Polo GTS Concept 2018, Polo Track First Edition 2022 e Polo GTS 2024.
Aberto à visitação
A Garagem está aberta ao público geral atrelada ao Programa de Visitas da fabricante. Basta se cadastrar gratuitamente no site para conhecer a fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo, SP. Clique aqui para fazer o agendamento. O tour pela histórica fábrica tem duração aproximada de 2h30 e contempla os principais pontos do processo de fabricação dos veículos, como estamparia, armação e montagem final. No circuito, o visitante terá acesso à Garagem.
MF


























