Os sinais de perda de tração no mercado vinham desde o começo do ano. Os contínuos aumentos da taxa da Selic, que consequentemente encareceram as tomadas de empréstimo para carros novos, os principais vilões. Vendas de leves no varejo, no acumulado de sete meses, estão 3% menores que em 2024. O governo federal, preocupado com a atividade econômica e com as eleições do ano que vem, não tardou muito a… novos estímulos. A indústria automobilística os aprecia já tem uns sessenta e poucos anos e sabe reagir a tempo de aproveitá-los.
Tão logo foi apresentado o Programa Carro Sustentável, que zera o IPI para os modelos que se enquadram nessa categoria e vigora até dezembro do ano que vem, Fiat, GM, Hyundai, Renault e VW rapidamente apresentaram suas novas listas de preço de IPI zero, trazendo novos compradores às concesionárias. Contudo, a reação observada no mês de julho não está muito ligada (quase nada) ainda a esse programa. Por exemplo, HB20 e Kwid registraram queda nos emplacamentos. Seguramente em agosto veremos os primeiros resultados concretos, há fabricantes, relançando modelos descontinuados e anunciando aumento de turno para atender a nova demanda.
O lobby dos fabricantes instalados também teve outro resultado expressivo ao pressionar o governo na questão de incentivos tributários a dois novos entrantes, BYD e GWM. Ambos começam a operar na montagem e não por coincidência vêm dominando o cenário de híbridos de tomada e elétricos puros.
Em julho a BYD foi a 8ª marca mais vendida em volume, praticamente empatando com as 7ª e 6ª, Renault e Jeep, respectivamente e isso com importados 100%. No varejo, a presença da gigante chinesa tornou-se ainda mais incômoda para os fabricantes locais, nos sete primeiros meses posicionou-se em 6º, com 54.012 unidades e próxima da 5ª, Hyundai, com 58.352 (números Fenabrave).

Julho fechou com 243.238 emplacamentos, sendo 230.259 leves — 181.809 automóveis, 48.450 comerciais leves, 10.598 caminhões e 2.381 ônibus. Os dois dias úteis a mais que junho contribuíram para esses números positivos., Houve também uma leve reação nos licenciamentos diários para 10.011, nosso principal termômetro de mercado.

Quando comparamos os emplacamentos diários de leves de julho com os cinco anos anteriores, vemos que estamos encostados em 2024, um alento face o que vinha se desenhando.

Foram 100.892 automóveis faturados nas concessionárias (o chamado varejo), uma boa reação ao mês anterior, 78.609, que havia baixado ao incômodo patamar de <80k.


Quem vem de vento em popa são os eletrificados. Em julho tivemos uma alta de 17% sobre junho, ou 8% considerando emplacamentos diários.


Este mês também trago mudanças nas tabelas, a BYD atingiu relevância suficiente para figurar entre as 10 maiores, tem 4 de seus modelos no ranking dos 25 mais vendidos, começou a operar em Camaçari e está ampliando seu portfólio. No ranking de marcas foram incluídas também duas novas entrantes, GAC e Omoda Jaecoo. Vocês verão que elas já começam na frente de marcas tradicionais como Porsche, Kia, Land Rover e Audi.

Ranking do mês e dos sete meses
Fiat lidera com 50.604 emplacamentos, a VW vem reduzindo a distância, graças ao Tera e licenciou 41.630 unidades, seguidas da GM, com 24.441, Toyota, 17.291, Hyundai, 16.572, Jeep, Renault, BYD, Nissan e Honda fechando os dez primeiros. O mercado de leves cresceu 4,4% nos primeiros sete meses, a Fiat cresceu 8%, com 292.020, VW teve 227.001 unidades emplacadas (alta de 11%), GM, 144.285, Toyota, 106.299, Hyundai, 102.887, depois Renault, Jeep, Honda, BYD e Nissan.
Vemos dois modelos Toyota se despedindo de nosso mercado, os Yaris, enquanto a fábrica é preparada para o Yaris Cross, cuja estimativa é vender mais que a soma de seus irmãos.
Nos automóveis tivemos o Polo (foto de abertura) ncabeçando a lista, com 12.940 unidades vendidas, passou a Strada no total, seguido do Argo, com 9.966, T-Cross, com 9.022, Mobi, 9.099, Creta, 7.856, Onix, Tracker, Corolla Cross, Kicks e Fastback fechando os dez primeiros. No acumulado dos sete meses o Polo distante, com 70.157 unidades, Argo em 2º, 54.435, T-Cross, 53.554, HB20, 42.394, Onix, Mobi, Creta, Corolla Cross, HR-V e Tracker.
Nos comerciais leves a Strada na ponta, com praticamente o dobro de emplacamentos da Saveiro, foram 12.895, a picape compacta VW 5.696, Hilux em 3º, 5.370, Toro, 3.985, Ranger, 3.104, S10, 2.649, Rampage, 1.976. No acumulado do ano a Strada na ponta, com 75.598, Saveiro com 34.843, Hilux, 28.522, Toro, 27.320, Ranger, 19.080 e S10, 16.432.
Em julho foi apresentado o portfóolio renovado da Chevrolet, face-lift de metade do ciclo e esta semana saiu o comunicado da parceria da GM com Hyundai para os modelos compactos aqui produzidos, uma boa saída para seguir cuidando de modernizar os modelos preferidos de nosso mercado com renovação tecnológica, uma vez o GEM (Global Emerging Markets) que nasceu com a GM chinesa apresentava muitas incertezas naquele mercado que caminha rapidamente para eletrificação completa.
Até mês que vem!
MAS








