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Home Portal AE ELETROentusiastas

NOVOS PEUGEOT 208 E 2008 CHEGAM COM TECNOLOGIA BIO-HYBRID

identicon por Paulo Manzano
21/08/2025
em ELETROentusiastas, Notícias, PM
Foto: divulgação Stellantis

Foto: divulgação Stellantis







A Stellantis confirmou para o próximo mês o lançamento dos Peugeot 208 e 2008 equipados com a tecnologia Bio-Hybrid (nome dado pela Stellantis ao que chamamos no AE de semi-híbrido). Trata-se do mesmo sistema já apresentado nos Fiat Pulse e Fastback, desenvolvido pela equipe da Stellantis no Brasil e agora aplicado também na marca francesa.

O que é o Bio-Hybrid

O Bio-Hybrid combina motor flex (capaz de rodar com álcool ou gasolina puros ou misturados em ualquer proporção) com um sistema elétrico auxiliar de 12 V. Na prática, o motor elétrico substitui alternador e motor de partida, permitindo regeneração de energia, assistência em acelerações, desliga-liga motor nas paradas mais eficiente e pequenas reduções de consumo e emissões. Não se trata de um híbrido pleno, como os disponíveis em mercados mais avançados, mas sim de uma solução intermediária, adaptada à realidade brasileira de uso do álcool, um combustível renovável, como se sabe.

Embora apresentado como uma etapa importante da eletrificação, o Bio-Hybrid é uma forma de eletrificação parcial. Ele não permite rodar em modo 100% elétrico e depende do motor a combustão para todo o deslocamento. Os ganhos em eficiência são relativamente modestos, mas a grande vantagem está no uso do álcool, cujo ciclo de produção compensa boa parte das emissões de CO2, ou seja, a sustentabilidade do sistema está mais ligada à matriz brasileira de biocombustível do que à sofisticação técnica do híbrido em si.

Como funciona no Fiat Pulse e Fastback

O Pulse e Fastback foram os primeiros modelos a receberem a tecnologia Bio-Hybrid. Ele utiliza o motor 1,0 turbo flex T200 Hybrid de 125/130 cv e 20,4 m·kgf, acoplado a um câmbio CVT ajustado para sete marchas. O apoio elétrico vem de um gerador que inverte função para motor de cerca de 4 cv, que substitui alternador e motor de partida conhecidos. Esse sistema funciona com duas baterias de 12V: uma de chumbo-ácido (68 A·h), no cofre do motor, e uma de íons de lítio (11 A·h), sob o banco do motorista.

O gerenciamento eletrônico oferece quatro modos de operação:

• e-Start & Stop, que desliga e religa o motor em paradas.
• e-Assist, fornecendo potência extra em arrancadas e retomadas.
• Alternador inteligente, que otimiza a recarga das baterias.
• e-Regen, que recupera até 25% da energia em desacelerações e frenagens.

Na prática, segundo a Stellantis, o resultado é uma economia urbana em torno de 10% a 11% em relação às versões convencionais. Em testes, o Pulse híbrido registrou 13,4 km/l com gasolina (contra 12,1 km/l do flex) e 9,3 km/l com álcool (contra 8,4 km/l), enquanto na estrada os resultados são praticamente equivalentes.

Os motores que equiparão os novos Peugeot serão fabricados no Polo Automotivo de Betim. MG, fábrica que passou por ampliação recente e hoje tem capacidade para 1,1 milhão de unidades por ano. O desenvolvimento da tecnologia envolveu os centros de engenharia da Stellantis na América do Sul, incluindo o TechMobility, dedicado à mobilidade híbrida-flex, e o Safety Center, com novos recursos para testes de colisão em veículos eletrificados.

Entre 2025 e 2030, a Stellantis afirma que investirá R$ 32 bilhões na América do Sul. Esse valor contempla novas linhas de produtos e a nacionalização de tecnologias como Bio-Hybrid, posicionando o Brasil como polo global de motores flex e configuração semi-híbtida.

Os novos 208 e 2008 com Bio-Hybrid chegam num momento em que a eletrificação no Brasil ainda enfrenta limitações de custo, infraestrutura e aceitação. O sistema representa um passo de transição mais do que uma revolução tecnológica: melhora a eficiência, mas mantém o carro essencialmente dependente do motor a combustão. A Stellantis aposta no álcool como diferenciadorl local para sustentar a narrativa de descarbonização, mas, no uso real, os Peugeot híbridos-flex devem oferecer a mesma experiência já vista no Fiat Pulse e no Fastback, eficiência ligeiramente maior, custo controlado, mas sem a capacidade de rodar em modo elétrico puro. Mesmo assim a solução é aceita pela Prefeitura de São Paulo para isentar do rodízio de veículos modelos com a tecnologia.

PM







Tags: microhíbridoPeugeot
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Foto: divulgação GMW

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