Vinha eu, andando por uma das vias de São Paulo, com seus perigosos buracos nas calçadas e nas ruas, quando comecei a reparar um monte, mas monte mesmo de um mesmo modelo. A cada cinco carros, dois eram suves. E o que vem chamando minha atenção, faz algum tempo, é que todos são muito parecidos. Quase iguais. Então, comecei a perguntar a algumas pessoas, se elas eram capazes de dizer as marcas de cada um deles, fiquei surpreso.
Falei com 18 pessoas sobre o assunto, mostrando um suve a uma distância de cerca de 20 ou mais metros, e todos vistos pela lateral, se elas eram capazes de identificar a marca de cada um deles. Foi assim em algumas ruas e também ?n?os estacionamentos em dois shoppings. ?Entre essas pessoas, seis eram mulheres, jovens senhoras, que desciam de um suve. Nenhuma delas soube reconhecer o modelo do outro lado da rua ou a uma pequena distância no estacionamento.
Delas ouvi, praticamente, a mesma observação: “Nossa, como é parecido com o meu carro. Sei que é outra marca, ?mas parece que ?só a cor é diferente”.
Mas não creditem ao sexo feminino o desconhecimento no assunto carro, lembrando a famosa frase “o problema está na rebimboca da parafuseta”, antigamente muito ouvida? por elas dos mecânicos, não lá muito sérios, para impressionar e enganar as moças nas oficinas.
Acontece que apenas um entre os representantes do sexo masculino conseguiu reconhecer três modelos de suve. Os demais, 11 deles, também não conseguiram saber se o que viam a distância, era Peugeot, Fiat, Citroën ou qualquer outra marca.? E ele trabalhava numa concessionária de veículos.
Palavras de um expert
Adalberto Bogsan Neto foi uma das peças-chaves de um das maiores fabricantes no Brasil. Foi responsável por importantes lançamentos (Vectra, Omega e Corsa) desenhados em conjunto com o pessoal do design da fábrica alemã, a Opel, vendida para a PSA Peugeot Citroën em 2017 e desde janeiro de 2021 uma das diversas marcas da Stellantis.
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Para ele, é tudo uma questão de mercado. Se o desenho, principalmente o da lateral, agrada, por que não se fazer parecido, com algumas modificações nos faróis, lanternas, principalmente as traseiras, um friso aqui e outro ali, mas a grande maioria, com um vinco na lateral. Ele lembrou que as frentes também se diferem, cada uma com a sua grade, embora os faróis também lembrem muito uns aos outros.
O que muda, quando não fazem parte do mesmo grupo, como o da Stellantis, é o conjunto motriz, com a maioria hoje tendo motor turbo, que lhes dá mais potência e ajuda na economia de combustível. Isso quando não é elétrico, mas que parecem muito com os que possuem motores a combustão.
CL
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