No AUTOentusiastas, o HR-V desta geração é velho conhecido. Em outubro de 2022, o Gerson Borini fez a avaliação completa do HR-V Touring, que estreou o motor 1,5-litro turbocarregado (177 cv) com CVT de 7 marchas), somando o rodar confortável e com o vigor nas retomadas. Em fevereiro de 2025, o Gerson voltou ao tema no “no uso”: pacote de segurança completo, consumo real competitivo e rodar silencioso consolidaram a boa impressão do topo de linha. Em julho de 2025, o Gabriel Marazzi apresentou a linha 2026: frente com grades em preto piano, multimídia de 8″ “flutuante”, tela TFT de 7″ para toda a gama, rodas de 18″ nas versões altas e Honda Sensing de série — ajustes pontuais para mantê-lo na trilha.
Com esse pano de fundo, coloquei no uso o HR-V EXL 2026 — a versão que representa o “miolo” da oferta — para ver o que mudou na prática e como ele anda.
O que muda na linha 2026
Sem alterar proporções nem a receita básica, o HR-V 2026 traz frente redesenhada com grade em preto piano (elementos horizontais nos EX e EXL, e trapezoidais em relevo nas versões Advance e Touring), para-choque novo com assinatura em “batimento cardíaco” nas versões Advance e Touring, multimídia de 8″ em base flutuante, console revisto e tela TFT de 7″ agora em todas as versões. Rodas de 18″ (225/50 R18) ficam para Advance e Touring; EX e EXL mantêm 17″ com novos acabamentos. Honda Sensing é de série em toda a linha.
O EXL ganhou itens que faziam falta no dia a dia:
- Sensores de estacionamento dianteiros;
- Ar-condicionado de duas zonas;
- Sensor de chuva;
- Retrovisor direito com ajuste automático para baixo em ré.

Os motores seguem iguais: 1,5-litro DI i-VTEC Flex (126 cv a 6.200 rpm; 15,8/15,5 m·kgf a 4.600 rpm) no EX/EXL e 1,5-litro DI VTEC turbocarregado Flex (177 cv a 6.000 rpm; 24,5 m·kgf de 1.700 a 4.500 rpm) em Advance/Touring — ambos com CVT e Step Shift (escalonamento de 7 marchas), além de freio-motor em descidas).
O carro ao vivo: design, porte e ergonomia
Gosto do jeito do HR-V. Há algo de “bulldog” na frente, parruda sem ser caricata. Embora seja compacto, a impressão de tamanho é acima do que se espera: linha de cintura mais alta, áreas envidraçadas um pouco menores e espelhos grandes que ajudam na vida real. As maçanetas traseiras embutidas continuam um detalhe interessante e marca registrada do modelo.



Por dentro, o console novo acerta a ergonomia: carregador por indução bem posicionado (acesso fácil dos dois lados) e porta-objetos profundo que realmente serve ao cotidiano. A multimídia de 8″ não ganha pelo tamanho, mas vence pelo básico bem feito: botões físicos (home, voltar e volume), resposta rápida e Android Auto e CarPlay sem drama. Os ajustes do veículo ficam todos fora da tela multimídia. São feitos por controle no volante na interface dos instrumentos, com tela TFT de 7″ combinada a mostrador analógico, o que melhora legibilidade e reduz distração. Simples, mas bem feito.


Atrás, há espaço muito bom para as pernas e eu com 1,87 m viajo ali sem drama. O sistema Magic Seat (banco mágico) segue como trunfo e diferenciadorl: assento traseiro levanta para trás e cria um salão vertical; rebatido, sobra volume e aproveitamento inteligente. Porta-malas suficiente para família de quatro com organização. Há gancho útil para sacolas. O estepe é temporário (T145 / 90 R16 ; entre ele e kit de reparo, ainda prefiro o estepe.


Rodar: suspensão, pneus e silêncio
A calibração é o destaque. Tradicionais McPherson na frente, eixo de torção atrás, mas o que vale é o como. Buchas bem escolhidas, amortecedores bem calibrados e, sobretudo, a medida certa de pneus. No EXL as rodas de 17″ com pneus 215/60 R17(Michelin Primacy) entregam conforto, boa aderência e ruído baixo. Em estrada de terra, o HR-V segue composto e silencioso. Freios a disco nas quatro rodas reforçam a confiança.

A direção tem peso correto e, mais importante, precisão. Bem diferente dos chineses. Não é leve demais em estrada nem pesada em manobra. A carroceria responde sem atrasos; em mudanças de trajetória, o carro fica na mão e previsível.
O conjunto encara muito bem um dirigiemais esportiva em estradas sinuosas.
Motor e câmbio: uso real
O 1,5-litro de aspiração atmosférica (126 cv) não pretende esportividade — e tudo bem. Na cidade e em estradas sem pressa, cumpre o papel com o CVT bem casado. O modo Sport segura giro e dá um pouco mais de ânimo, mas o efeito elástico típico do CVT aparece quando se exige mais, Normal e ok. Quer mais força? O 1,5-litro turbocarregado das versões acima é o atalho, pois tem expressivos 177 cv e 24,5 m·kgf.

Em um trecho da Castello Branco com velocidade entre 9 e120 km/h, controle de cruzeiro adaptativo ligado e tráfego fluindo, ou seja, uma condição favorável, o EXL marcou 16,4 km/l. Com tanque de 50 litros, dá um alcance interessante para viajar sem ficar refém de posto.
Sistemas de assistência e interface: ajudam de verdade
O Honda Sensing, que reúne os sistemas de auxílio ao motorista, está completo e, mais importante, bem calibrado: atua no momento certo sem sustos. O LaneWatch (câmera no espelho direito) é daquelas coisas que aprendemos a gostar e passa a sentir falta nos outros carros — melhora a consciência lateral em conversões e manobras. A interface dos mostradores e comandos é coerente com a proposta do HR-V: funcional, didática e sem firulas. Em resumo: sistemas avançados de auxílio ao motorista que adicionam segurança com pouca interferência.

Preço e posicionamento
A gama 2026 parte de R$ 163.200 (EX), passa por R$ 170.900 (EXL), R$ 199.400 (Advance) e vai a R$ 209.900 (Touring); conteúdos e cores acompanham o novo pacote visual. É um patamar alto para o segmento, sim, mas há o intangível Honda: rede, confiabilidade, valor de revenda e a consistência do produto.
Veredito
O HR-V EXL 2026 me agradou bastante. O que foi adicionado (ar-condicionado de duas zonas, sensores de estaionamento dianteiros, sensor de chuva, ajuste automático para baixo em ré, tela TFT de 7″, console e multimídia revistos) melhora a vida do dono. O que já era bom segue igual: conforto de rodagem, direção precisa, muito silêncio, versatilidade e sistemas avançados de auxílio ao motorista que ajudam de fato. Some a isso consumo real competitivo e a praticidade do sistema Magic Seat.


Para quem prioriza conforto, usabilidade e qualidade de construção sem abrir mão de estabilidade e segurança, o EXL entrega bem. Quem quer mais vigor, deve mirar os turbocarregados. Mas quem é mais comportado e busca um pacote equilibrado para a família, encontra aqui uma compra segura.
PM
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