Com dois dias úteis a menos que em julho, agosto conseguiu fechar o mês com emplacamentos diários de leves no mesmo patamar, a despeito de os números totais sinalizarem queda, pois tivemos 214.744 leves vendidos em agosto, ante 230.259 no mês anterior.


O programa Carro Sustentável do governo federal beneficia com IPI zero treze modelos. Na coletiva da Anfavea, realizada no último dia 9, Igor Calvet, seu presidente, apontou crescimento de 26%. Nas minhas contas o resultado sai diluído, Argo, HB20 hatch e sedã, Onix (idem) e o Polo, todos eles têm versões no mix fora do programa (os automáticos), enquanto Mobi e Kwid apanham benefício em cheio.
Criei uma tabela que compara o licenciamento desses modelos agosto ’25 com agosto ’24 e repeti a dose para o mês de junho, um mês antes do programa ser anunciado. Ficou nítido que Fiat e Hyundai foram mais ágeis que seus concorrentes, com saltos de vendas para o Mobi, Argo e HB20 (a despeito de certas versões estarem fora do Carro Sustentável), são patentes.
A soma total de vendas de todos modelos contemplados pelo programa, quando comparado com mesmo mês de agosto, ficou em -1%, mas na mesma comparação para junho ’25 x ’24 essa soma vinha caindo 11%. Acredito que a GM faça ações para usufruir melhor do benefício daqui para frente, à medida que consiga ajustar mix de produção até a ponta final de vendas. Já a a VW com o Polo enfrenta situação diversa, pois o Tera entrou em cena roubando seus clientes, que apesar do programa, deve seguir cedendo compradores para o irmão mais novo e mais bonito. Na soma total da marca alemã, acredito ela saia ganhando, como já vem se observando nos números totais.

Igor Calvet enfatizou também a queda de emplacamentos no varejo, mais aguda nos modelos nacionais, coisa de 9%, o que este colunista vem apontando desde março. É uma questão que preocupa, pois o varejo e financiamento, principalmente para modelos de até determinado patamar de preços, andam juntos, com a Selic de 15% ao ano esperada para se manter assim pelos próximos 12 meses. Não há milagres, nem o Carro Sustentável para empurrar isso pra cima.


Até que, considerando as circunstâncias desafiadoras, não estamos em queda, mas o crescimento de emplacamentos, que no começo do ano esperava-se ser de 5%, é bem provável não acointeça, quiçá manter-se no patamar atual de +3%. Minha aposta segue para zero a zero. E olhe
que sou otimista por natureza.


No total, agosto teve 225.380 autoveículos licenciados, sendo 214.744 leves, 8.916 caminhões e 1.720 ônibus. O ritmo diário de emplacamento de leves ficou em 10.226, marginalmente superior a julho (10.011). As vendas diretas seguem em patamares elevados (45,5% para automóveis), porém ainda não desconfortáveis (quando o número ultrapassa os 50%). Vendas no varejo de automóveis, em 93 mil, não está ruim.

Na tabela de varejo e vendas diretas por marca introduzi algumas mudanças. A BYD passou a fazer parte desde mês passado, porém listei por ordem de vendas totais. Nela se observa o crescimento assombroso dessa marca: no acumulado dos oito meses ultrapassou Honda e Nissan, posicionando-se em 8º lugar no ranking., Nas vendas a varejo já figura em 6º.


Os fabricantes aqui instalados vêm demonstrando preocupação com a concorrência chinesa não é de hoje. As marcas que aqui vêm desembarcando ao longo do ano já vêm com modelos consolidados em seu país de origem e preços de incomodar. As tabelas acima de híbridos e elétricos puros mostram quem são os novos entrantes, Omoda-Jaecoo e GAC. Enfim, desafiador.
RANKING DO MÊS E DOS OITO MESES
Fiat (foto de abertura) em primeiro, com 45.373 emplacamentos, VW em 2º e encostando na líder, com 39.230, Chevrolet num distante 3º posto, 21.964. Espera-se reação após a renovação de meio-ciclo, lançados em julho e deve subir ainda mais depois que lançar seu suve compacto para brigar com Tera, Pulse e Kardian. Depois Hyundai, 16.929, Toyota, 15.625, Renault, 10.798, BYD, 9.815, Jeep, Honda e Caoa Chery fechando a lista dos dez. No acumulado de 8 meses a ordem muda pouco, Fiat com 337.387 unidades emplacadas, VW com 266.226, Chevrolet, 166.245, Toyota, 121.922, Hyundai, 119.813, depois Renault, Jeep, BYD, Honda e Nissan. Vale destacar que a queda apresentada pela Toyota deve-se ao fim de produção dos Yaris hatch e sedã, que serão substituídos mais adiante pelo novo Yaris Cross, que se espera venha impulsionar ainda mais as vendas da marca japonesa.
Polo segue na frente dos automóveis, 12.908, Argo pulou para a 2ª posição (este sim impulsionado pelo Programa Carro Sustentável), Corolla Cross em 3º, com incríveis 7.737 unidades, T-Cross na cola, 7.702, HB20, Mobi, Creta, Onix, Fastback e Kwid fechando a lista dos dez primeiros. No acumulado do ano a ordem segue parecida, Polo com 83.065 unidades, Argo com 64.532, T-Cross, 61.256, HB20, Mobi, Onix, Creta, Corolla Cross, HR-V e Tracker.
Strada mais líder que nunca nos comerciais leves, sem sobra de concorrentes, 11.833 unidades licenciadas, Saveiro num bom 2º posto, considerando-se a idade do projeto, Hilux em 3º, Toro em 4º, Ranger, S10, Rampage, Fiorino, Montana e Mitsubishi (somei aqui os modelos Triton e L200). No acumulado do ano alguns modelos vêm perdendo fôlego. Igor Calvet enfatizou sua preocupação com o impacto dos juros de financiamento, Strada com 87.431, Saveiro, 40.201, Hilux, 32.092, Toro, 30.501, Ranger, S10, Rampage, Fiorino, Montana e L200/Triton fechando a lista dos 10.
Ano interessante, desafiador, vamos para os próximos meses.
Até outubro.
MAS







