Difícil lembrar quando uma temporada de Fórmula 1 teve tantas mudanças entre os pilotos oficiais das equipes. No futuro, porém, 2025 será lembrado como o ano em que a maioria dos recém-chegados e novatos mostraram maturidade e competência para impressionar positivamente seus patrões e consolidar presença na categoria. No GP dos Países Baixos, disputado domingo, em Zandvoort, o franco-argelino Isaac Hadjar (foto de abertura) ficou em terceiro lugar e repetiu o resultado que o italiano Kimi Antonelli, também estreante na categoria, registrou no GP do Canadá. Outro destaque da prova foi a atuação do argentino Franco Colapinto, que terminou em décimo-primeiro, a menos de 0,5” do francês Esteban Ocon.

De cada uma das 15 etapas já disputadas, apenas no GP da Grã-Bretanha nenhum novato pontuou. Nessa prova, disputada sob chuva, o inglês Oliver Bearman foi o único classificado e cruzou a linha de chegada em décimo-primeiro. O melhor estreante do ano é, disparado, o italiano Kimi Antonelli, que defende a equipe Mercedes: ele já acumula um segundo lugar em Mônaco e um terceiro lugar no Canadá. Em termos de abandonos ele soma quatro (Ímola, Barcelona, Spielberg e Silverstone). Em 2026 deverá continuar na equipe liderada por Toto Wolff.

O pódio em Zandvoort consolidou Isaac Hadjar como o segundo melhor da temporada. O franco argelino, que disputou o título da F-2 em 2024 em disputa direta com o campeão Gabriel Bortoleto, defende uma equipe nitidamente inferior à Mercedes, condição que se aplica todos os demais integrantes deste grupo. Ele pontuou em seis provas e só não completou as etapas de Melbourne e Silverstone.

O fato de se impor frente ao companheiro Liam Lawson, que em 2024 disputou seis provas como substituto de Daniel Ricciardo, diz muito. Na temporada passada o neozelandês substituiu o ustraliano Daniel Ricciardo e mais tarde acabaria herdando sua vaga na Red Bull. O saldo de sua temporada aponta dois nonos lugares, em Austin e Interlagos. Este ano Lawson não teve um início de temporada destacado e seu estilo arrojado contribuiu para lhe criar uma fama pouco agradável, a de dificultar além do razoável a defesa de sua posição.

Quarto nesta lista o jovem inglês Oliver Bearman, que também fez algumas apresentações em 2024: foi sétimo na Arábia Saudita, quando uma crise de apendicite impediu o espanhol Carlos Sainz de participar da prova; na fase final da temporada substitui Kevin Magnussen (Haas) no GP do Azerbaijão, onde foi o décimo colocado. Este ano acumula dois abandonos e seu melhor resultado é o oitavo lugar na prova de abertura da temporada, em Melbourne.

O brasileiro Gabriel Bortoleto enfrentou uma série de obstáculos até marcar seus primeiros pontos na F-1, o que aconteceu no GP da Áustria, quando foi oitavo colocado. Nas tries corridas seguintes foi nono na Bélgica e sexto na Hungria, seu melhor resultado até agora. Rápido e cerebral, ele já se impôs sobre seu companheiro de equipe, o experiente veterano Nico Hulkenberg, em nove das 15 provas de classificação já disputadas. Nas corridas a situação é inversa. A Sauber começou o ano como a equipe mais fraca do grid e conseguiu melhorar bastante ao longo da temporada, o que gera boas expectativas para 2026, quando o time passa a se chamar Audi e consolidara a estreia oficial da marca Audi na categoria.

Após apresentações marcantes e vários acidentes na segunda metade da temporada de 2024, o argentino Franco Colapinto só retornou ao grid no GP de Miami, quando assumiu o lugar de Jack Doohan. Inicialmente ele manteve resultados inexpressivos e no mesmo nível do australiano, mas em Zandvoort parece ter recuperado parte do arrojo que gerou sua ascensão como piloto extremamente midiático e terminou em décimo-primeiro. Sua permanência na Alpine para 2026, contudo, segue em aberto. Por seu lado, Doohan parece fora de qualquer lista para o grid do ano que vem.

O resultado completo do GP dos Países Baixos você encontra aqui. O Campeonato Mundial de F-1 prossegue domingo, em Monza, com a disputa do GP da Itália.
WG
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