A Audi escolheu Milão para apresentar o estudo Audi Concept C, um ensaio que antecipa de forma definitiva o desenho dos futuros modelos e marca um reposicionamento amplo da fabricante, que já não era sem tempo
Clareza. A nova filosofia integra a realinhamento fundamental da empresa e inaugura um começo que atravessa produtos, processos e estrutura organizacional, sempre com foco no essencial para liberar espaço a inovação e liderança tecnológica.
No evento realizado sob o lema Strive for clarity, algo como “Em busca da clareza”, a Audi abre o próximo capítulo de sua transformação. Com um desenho centrado na redução e na atemporalidade, a marca dá um passo decidido para um código visual capaz de diferenciá la mesmo em um cenário competitivo mais intenso. Não é por acaso que este início acontecen numa cidade que há séculos representa design, tecnologia e personalidades marcantes.

A nova filosofia tem como eixo uma linguagem de design que materializa sem ambiguidades a identidade da marca. Radical Simplicity (Simplicidade Radical)é a expressão usada internamente. A clareza nasce de reduzir tudo ao essencial, por fora e por dentro. As inovações tecnológicas e os materiais aparecem onde abrem possibilidades reais ao cliente, e pequenas medidas produzem impacto máximo. Há aqui um componente emocional explícito. A Audi quer ser desejável e culturalmente relevante.
O Audi Concept C, que será exibido no Salão de Munique, de 9 a 14 de setembro p.v., é a primeira manifestação prática desse pensamento. O estudo antecipa o desenho dos futuros produtos e uma nova experiência de interior, sustentado por princípios universais, redução sem linhas supérfluas e compromisso com a geometria pura. A leitura formal é organizada a partir de uma moldura vertical inspirada no Auto Union Type C de competição e reforçada por referências ao A6 de terceira geração, elemento que reorienta o olhar e estrutura o volume. No interior, a mesma redução afasta distrações e entrega a informação certa no momento certo por meio de tecnologia inteligente.

Essa frente externa inaugura também a nova face de marca com moldura vertical e uma assinatura luminosa de quatro elementos em cada conjunto ótico. O resultado é uma presença inequívoca de dia e de noite. O exterior apresentado na cor Titanium remete à elegância técnica, com brilho e sobriedade inspirados no metal de mesmo nome, material associado a precisão, leveza e resistência.

A leitura de proporção é de esportivo de dois lugares com ombros fortes e cabine recuada sobre uma base sólida, consequência de um arranjo com bateria central. Pela primeira vez num roadster da Audi, o teto rígido de acionamento elétrico é dividido em duas peças. Superfícies limpas e lâminas horizontais enfatizam o caráter esportivo da traseira.

Por dentro, a atmosfera é arquitetônica e precisa, com superfícies bem definidas e geometria clara para acomodar os dois ocupantes sem sacrificar o protagonismo do posto de condução. Controles físicos usinados em alumínio anodizado oferecem tato consistente, visual rigoroso e o conhecido clique da Audi. O volante concentra essa experiência tátil, com forma circular, elementos hápticos refinados e os quatro anéis entrelaçados em metal no centro. A paleta de cores segue tons de titânio em harmonia tom sobre tom, e materiais naturais constroem um ambiente acolhedor e elevado.
A experiência de interface segue a lógica de tecnologia discreta. Shy tech (Tecnologia Discreta) significa recursos sempre disponíveis, nunca dominantes. O mostrador central rebatível de 10,4 polegadas apresenta informações de modo intuitivo e contextual, enquanto os controles hápticos no volante e no console trazem precisão.

A filosofia de clareza não se limita à forma dos carros. Ela se torna princípio corporativo para orientar o portfólio de produtos e a própria organização. É um ethos para navegar os próximos anos. A fase de diagnóstico ficou para trás. Agora a Audi dirige o olhar ao futuro concentrando-se no que realmente importa para estabelecer referências em design e qualidade.
Nos bastidores, a Agenda Audi, iniciada em 2023, acelera mudanças profundas para fortalecer a capacidade de inovação e a sustentabilidade do modelo de negócio. A marca reporta os primeiros efeitos dessa concentração, como a ofensiva de produtos e um portfólio mais focado, que libera investimento para qualidade e inovação. Parcerias estratégicas, a exemplo da colaboração do Grupo Volkswagen com a Rivian em frentes de software, encurtam ciclos e reduzem custos. Em 2026, a entrada na Fórmula 1 surge como laboratório máximo para testar tecnologias, materiais e processos.
Em paralelo, a Audi prepara um cronograma intenso de lançamentos, incluindo mais de 20 modelos em 24 meses, a substituição de pilares como A6 e Q3 e a estreia de um modelo elétrico de entrada produzido em Ingolstadt a partir de 2026, além de versões de alta potência da Audi Sport. A combinação de elétricos puros, híbridos plugáveis e uma nova geração de motores a combustão busca robustez e flexibilidade nos mercados centrais da Europa, China e América do Norte durante a transição à mobilidade elétrica.

O Audi Concept C condensa essa virada. Minimalismo atlético, pureza de forma, precisão e solidez, com tensão nas interseções entre superfícies cheias e contidas, definidas por uma única linha que organiza a arquitetura. Em essência, clareza técnica e emoção em equilíbrio. É o marco inicial de uma nova linguagem que antecipa um modelo de produção e deverá influenciar outros veículos adiante.
Que venha essa nova Audi!
Abaixo Massimo Frascella, o diretor de design da Audi (ex-Land Rover), fala sobre essa transformação profunda, o que ela significa para a marca, e a introdução de uma nova linguagem de design.

AUDI APRESENTA SUA NOVA FILOSOFIA DE DESIGN – UM PASSO ARROJADO PARA REPENSAR A MARCA
Massimo, cerca de um ano após a sua chegada a Ingolstadt, a Audi apresenta uma nova filosofia de design. O que a marca deve representar no futuro?
Massimo Frascella: Nossa visão é um chamado à ação para toda a empresa e é essencial para tornar nossa marca verdadeiramente distintiva mais uma vez. É a filosofia por trás de cada decisão que tomamos e queremos aplicar seus princípios em toda a organização. Chamamos de “The Radical Next”.
Então o design deixa de ser apenas criador de forma para também ser força motriz?
Massimo Frascella: Exatamente. Entendemos design no sentido mais amplo, abraçando todos os aspectos da experiência Audi. Queremos moldar uma marca capaz de inspirar desejo e gerar impacto cultural.
O Vorsprung durch Technik continuará sendo uma promessa central da marca?
Massimo Frascella: Claro. Nos anos 1980, quando o Audi 100 quattro subiu uma rampa de salto de esqui, aquilo simbolizou avanço técnico e a vontade de tornar o impossível possível. Para nós, tecnologia é um meio para o progresso, não um fim em si. Não queremos escondê la nem ostentá la. Ela deve inspirar sem ser dominante. Para a Audi, tecnologia é um dado, discreta e ainda assim funcional e presente quando o cliente a deseja. É parte contínua e integrada da experiência.
O Audi TT tem fãs no mundo todo. Você também parece ter uma relação especial com esse carro.
Massimo Frascella: É verdade. Em 1998, quando o primeiro Audi TT chegou a uma concessionária em Turim, tirei um dia de folga só para olhar o carro com calma. Fiquei lá por horas, observando cada ângulo, tocando cada superfície. A equipe provavelmente pensou que eu era maluco. Mas para mim o TT era mais do que um carro. Era uma mensagem: você não precisa gritar para ser ouvido. Não precisa de excesso para fazer uma declaração. Você precisa de clareza. E, mais importante, da coragem de segui la.
Clareza é uma palavra que você usa com frequência. O que esse forte foco na redução significa para a Audi?
Massimo Frascella: Simplicidade radical está no centro da nossa abordagem. Alcançamos clareza reduzindo tudo ao essencial. Vivemos em um mundo frequentemente estridente, acelerado e sobrecarregado. Quase tudo é exagerado. O risco de se perder pelo caminho é maior do que nunca. Nossa responsabilidade é ser melhores e fazer o que realmente importa. E o resultado precisa sempre ser uma emoção.
Quase impossível descrever sentimentos. Mas tente mesmo assim: o que significa “sentir a Audi”?
Massimo Frascella: Audi é uma harmonia inexplicável de tecnicidade e emoção, onde racional e irracional coexistem.
O que está no cerne dessa nova atitude?
Massimo Frascella: A resposta a uma pergunta poderosa: como a Audi é sentida pelo cliente? Nossa resposta se apoia em quatro princípios: claro, técnico, inteligente e emocional. Eles formam a base de tudo o que fazemos.
E agora estamos vendo o seu primeiro trabalho. É só o aquecimento?
Massimo Frascella: O Audi Concept C é a primeira manifestação do “The Radical Next”. É inconfundivelmente Audi. Proporções, superfícies e detalhes foram desenvolvidos com clareza e representam uma expressão confiante da identidade da marca. Revela uma presença clara e escultural, com forte senso de solidez, livre de distrações; definido por tensão e forma pura. É uma interpretação tangível da nova filosofia de design, um símbolo da determinação que transformará nossa empresa e toda a marca.
Breve biografia
Massimo Frascella é Chief Creative Officer da AUDI AG desde 1º de junho de 2024. Nessa função, é responsável pelo design abrangente de todos os pontos de contato do cliente com a marca Audi. Também supervisiona as áreas de exterior, interior, cor e materiais, design de interface e experiência do usuário (UI/UX), design de carros de corrida e a estratégia geral de design. Frascella aprendeu o ofício holístico do design automobilístico no lendário Stile Bertone, estúdio italiano conhecido por desenvolver conceitos e veículos de produção para fabricantes globais e que deixou uma marca significativa na história do automóvel. A partir daí, sua carreira seguiu para a Ford Motor Company no Reino Unido, para a Lincoln/Mercury e depois para a Kia na Califórnia, EUA. Em 2011, Frascella ingressou na Jaguar Land Rover, onde ocupou cargos de liderança e, mais recentemente, atuou como Head of Design das duas marcas de tradição.
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PM





