A convivência, por vezes nada pacífica, entre Bernie Ecclestone e a Federação Internacional do Automóvel (FIA) ganhou novos contornos com a eleição de sua esposa, Fabiana, como única representante sul-americana no Conselho Mundial do Esporte a Motor (WMSC na sigla em inglês). Posto que a brasileira faz parte do grupo que apoia o atual presidente da entidade, Mohammed Ben Sulayem (foto de abertura/Red Bull), que tenta a reeleição para um novo mandato quadrienal no final deste ano, tal fato praticamente garante que o escrutínio terá chapa única.

A inscrição de uma chapa para disputar as eleições da FIA implica em o candidato apresentar uma lista que contemple presidente, dois vice-presidentes (um para esporte e outro para mobilidade), um presidente do Senado (órgão da FIA responsável por finanças e gestão) e sete vice-presidentes representando todos os continentes, além do apoio de 18 clubes reconhecidos pela entidade. Os sete vice-presidentes devem ser escolhidos a partir 26 nomes que compõem o WMSC e que representem as regiões denominadas África, Oriente Médio e norte da África, América do Norte, América do Sul, Ásia Pacífico e Europa, esta última com duas vagas.

Ao inscrever sua chapa para a eleição em dezembro Bem Sulayem nomeou como vice-presidentes, seguindo a mesma ordem, Rodrigo Ferreira Rocha (Moçambique), Shaikh Abdulla bin Isa Al Khalifa (Bahrein), Daniel Coen (EUA), Fabiana Ecclestone (Brasil), Lung-Nien Lee (Cingapura), Anna Nordkvist (Suécia) e Manuel Aviño (Espanha). Ao contar com o apoio de Fabiana. Ecclestone, o atual presidente impede que os quatro nomes que cogitaram candidatar-se à sua sucessão fiquem impedidos de o fazer. Este ano demonstraram interesse em lançar candidatura Tim Mayer, Laura Villars, Virginie Phillot e Carlos Sainz, piloto de rali e pai do piloto de

F-1. De todos, o que mais esteve mais perto de uma proposta mais sólida foi Tim Mayer, filho de um dos profissionais de F-1 que assumiram a McLaren após a morte do fundador Bruce McLaren. A suíça Villars, de 28 anos, é administradora de empresas e piloto amador e belga Phillot (33), é jornalista e modelo. A candidatura de Sainz não ultrapassou uma primeira rodada de consultas para obter apoio.

Primeiro presidente da FIA nascido fora da Europa, Ben Sulayem alterou várias normas e procedimentos da entidade em seu primeiro mandato, além de propor mudanças institucionais e de imagem. Essa política causou grande desgaste de imagem, especialmente quando quis proibir os pilotos de usar palavras de baixo calão durante entrevistas oficiais e sugeriu que Susie Wolff, esposa de Toto Wolff e executiva da F1 Academy, um programa direcionado a jovens mulheres e que tem um campeonato que complementa vários GPs de F-1. O árabe declarou que Susie teria se valido de sua posição para repassar informações confidenciais ao seu marido, proprietário e 33% das ações da equipe Mercedes de F-1.

Por tudo isso a imprensa especializada inglesa se mostra totalmente contrária ao trabalho e métodos de Ben Sulayem. Por outro lado, seus aliados explicam que ele acabou com muitas primazias e cargos políticos que não contribuíam para o crescimento da FIA.





