A primeira Fiat Titano foi lançada com expectativa de ocupar o espaço que faltava entre a Toro e as picapes grandes. Mas mesmo com porte e pretensão de média, o conjunto inicial deixava lacunas: o motor parecia contido, a suspensão transmitia rigidez excessiva e o isolamento da cabine não estava à altura do segmento.

Agora, na linha 2026, a picape passou por uma revisão profunda, e o termo “revisão” aqui não é eufemismo. O nosso editor de off-road, Luís Fernando Carqueijo, esteve na apresentação em Curvelo, MG e nos contou tudo que viu nas condições de pistas de terra e asfalto do Autódromo dos Cristais, adotado Stellantis como seu campo de provas. (link)
Tudo que fazia o projeto parecer apenas promissor foi repensado. O novo motor 2,2 Multijet Turbodiesel, o novo câmbio automático de oito marchas, o retrabalho de suspensão e o reforço nos coxins de motor, câmbio e carroceria, fazem dela outra picape em comportamento e sensação de uso.
Ao volante, a impressão é imediata: o modelo perdeu a aspereza e ganhou suavidade. Continua robusta e firme, mas agora há harmonia entre desempenho, conforto e silêncio mecânico, atributos que antes não dialogavam entre si.

Mecânica: a força que faltava
O quatro-cilindros turbodiesel de 2.184 cm³ entrega 200 cv de potência máxima a 3.500 rpm e torque máximo de 45,9 m·kgf a 1.500 rpm. É o mesmo motor utilizado em produtos da Stellantis na Europa, aqui otimizado para torque e potência em baixa rotação. O novo câmbio automático de oito marchas é bem escalonadas, conforme mostrado no gráfico “dente de serra” abaixo, o que garante aproveitamento linear e trocas suaves.

No uso, o conjunto mostra vigor logo nas primeiras acelerações. Surpreende pela facilidade com que embala, apesar dos 2.150 kg de peso em ordem de marcha. As retomadas são rápidas, sem hesitação entre uma marcha e outra, e a integração entre pedal, câmbio e resposta do turbo é muito melhor do que antes. Em estrada, mantém 120 km/h a 2.200 rpm, com nível de ruído baixo e sensação de reserva abundante.
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O 0-100 km/h em 9,9 s e a velocidade máxima de 180 km/h divulgados pelo fabricante confirmam que a versão 2026 está no mesmo patamar das demais picapes médias com motor Diesel à venda no Brasil. O consumo homologado junto ao Inmetro é de 9,9 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada, números coerentes com seu porte. E no acumulado de uma semana de testes rodei 1.223 km com registro de 12,8 km/l.

Suspensão e conforto: o verdadeiro divisor de águas
Mais do que potência, a grande transformação veio do chão. A engenharia revisou molas, amortecedores e buchas de ancoragem, suavizando a rigidez da primeira versão, sem que isso tenha comprometido a capacidade de carga (1.020 kg) e a de reboque (3.500 kg).

Na dianteira, a suspensão independente do tipo triângulos superpostos com mola helicoidal e amortecedor pressurizado, mais barra antirrolagem, garante estabilidade e leitura precisa de piso. Já na traseira, o eixo rígido com feixe de quatro lâminas de duplo estágio ganhou nova calibração que elimina boa parte das batidas secas e reduz oscilações indejáveis estando apenas com motorista.

Resultado: o modelo agora absorve imperfeições com muito mais suavidade. Em piso urbano, o comportamento é digno do que se espera de uma picape média; em estrada, transmite estabilidade e mantém trajetória firme em curvas longas. O mérito não é apenas do acerto de suspensão: os novos coxins de motor, câmbio e cabine filtram as vibrações que chegariam até os ocupantes, e a carroceria mais silenciosa reforça a sensação de produto amadurecido.

Direção, freios e controle
A direção com assistência elétrica foi calibrada para respostas mais lineares. É leve em manobras, mas firme em velocidades mais altas. Nas curvas, comunica bem e contribui para o bom equilíbrio da picape. Porém, ainda carece de maior atenção por parte dos engenheiros da Stellantis. Falta melhor definição do centro da direção, o que torna as viagens longas mais cansativas.

Os freios com discos ventilados em ambos os eixos, 332 mm de diâmetro na dianteira e 340 mm na traseira, transmitem confiança, com pedal progressivo e bom controle de dosagem, sem ter o peso de freio de veículo comercial. Em frenagens de emergência, a Titano mostra estabilidade direcional, sem afundar exageradamente a dianteira nem quicar a traseira, algo comum em picapes de feixe de molas na suspensao traseira.

Dimensões, caçamba e usabilidade
Com 5.330 mm de comprimento e 1.960 mm de largura (2.220 mm com espelhos), a Titano é grande e não há como disfarçar. Mesmo assim, a visibilidade é boa e o raio de giro de 7 metros é condizente com o porte do veículo.
A caçamba de 1.210 litros (1.630 mm de comprimento útil) tem capacidade de carga suficiente para o trabalho pesado, mas é no uso misto que ela impressiona. O isolamento da cabine e a ergonomia, com bancos amplos e ajuste de volante em distância e altura tornam viagens longas menos cansativas.
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O vão livre de 235 mm e os ângulos de entrada 29° e saída 27° asseguram aptidão para um fora de estrada leve. A tração naa 4 rodas temporária com reduzida e bloqueio eletrônico do diferencial traseiro mantém o DNA utilitário, mas o comportamento no asfalto é de um carro confortável.

Impressões dinâmicas
Na cidade, a Titano se move com naturalidade inesperada. O câmbio trabalha de forma quase imperceptível, e o motor responde com suavidade, sem aquele ruído metálico característico de muitos diesel médios. A suspensão lida bem com lombadas e valetas, e a cabine permanece firme mesmo em piso ruim.

Em rodovia, a evolução fica ainda mais clara: o isolamento acústico impede que o som do motor invada o habitáculo em níveis desconfortáveis, e o rodar transmite sensação de veículo bem integrado entre motor e carroceria. A estabilidade em curvas longas e a ausência de vibrações estruturais permitem manter ritmo alto com segurança e conforto.
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Fora de estrada, a picape demonstra resistência e progressividade de tração, com força suficiente para vencer aclives e obstáculos sem depender do giro alto. O controle da tração atua discretamente, preservando tração em piso solto.
Outro ponto que merece atenção pela engenharia é a central multimídia, cuja resposta tátil é lenta e imprecisa, gerando desconforto no uso frequente e desatenção da via para assegurar que a função pretendida foi ativada.

Conclusão
A Fiat Titano 2026 representa um amadurecimento notável. Mantém a robustez estrutural e a vocação para o trabalho pesado, mas agora é também um veículo convincente, sendo confortável, rápido e silencioso.
O novo motor 2,2 Multijet trouxe o vigor que faltava; a suspensão recalibrada e os novos coxins elevaram o nível de conforto; e o conjunto motor-câmbio consolidou uma picape que, enfim, parece completa.

No uso diário, transmite civilidade dentro da média do segmento. E, para quem olha a Titano como ferramenta de trabalho, a solidez e a capacidade de carga seguem intactas. Se antes ela precisava se explicar, agora basta dirigi-la para entender a diferença. Uma picape que, de fato, renasceu.
GB
Ficha Técnica – Fiat Titano Ranch 2,2-l Turbodiesel
| Motor | |
| Posição | Dianteiro, longitudinal |
| Número de cilindros | 4 em linha |
| Diâmetro x curso | 83,8 x 99,0 mm |
| Cilindrada total | 2.184 cm³ |
| Taxa de compressão | 15,6:1 |
| Potência máxima | 200 cv a 3.500 rpm |
| Torque máximo | 45,9 m·kgf a 1.500 rpm |
| Número de válvulas por cilindro | 4 |
| Comando de válvulas | 2 no cabeçote |
| Alimentação | Injeção eletrônica |
| Combustível | Diesel |
| Transmissão | |
| Câmbio | Automático, oito marchas |
| Tração | Nas 4 rodas temporária com reduzida |
| Relações de marcha | 1ª 5,000 – 2ª 3,200 – 3ª 2,143 – 4ª 1,720 – 5ª 1,314 – 6ª 1,000 – 7ª 0,822 – 8ª 0,640 – Ré 3,456 |
| Diferencial | 4,100 |
| Sistema de freios | |
| Dianteiro | Disco ventilado (332 x 32 mm), pinça flutuante, pistão de 48 mm |
| Traseiro | Disco ventilado (340 x 21 mm), pinça flutuante, pistçao de 48 mm |
| Suspensão | |
| Dianteira | Independente, braços triangulares superpostos mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra antirrolagem |
| Traseira | Eixo rígido, feixe de molas de 4 lâminas e amortecedor pressurizado |
| Direção | |
| Tipo | Pinhão e crenalheira eletroassistida |
| Rodas e pneus | |
| Rodas | Liga de alumínio, 7,5J x 18 |
| Pneus | 265/60 R18 |
| Peso e capacidades | |
| Peso em ordem de marcha | 2.150 kg |
| Capacidade de carga | 1.020 kg |
| Capacidade de reboque (com freio) | 3.500 kg |
| Dimensões externas | |
| Comprimento | 5.330 mm |
| Largura | 1.963 mm (sem espelhos) / 2.221 mm (com espelhos) |
| Altura | 1.858 mm / 1.897 mm (com barras de teto longitudinais) |
| Distância entre eixos | 3.180 mm |
| Distância mínima do solo | 235 mm |
| Ângulo de entrada | 29° |
| Ângulo de saída | 27° |
| Tanque de combustível | 80 litros |
| Caçamba | |
| Comprimento | 1.630 mm |
| Largura | 1.600 mm |
| Altura | 516 mm |
| Volume útil | 1.210 litros |
| Desempenho | |
| 0–100 km/h | 9,9 s |
| Velocidade máxima | 180 km/h |
| Consumo (Inmetro) | |
| Urbano | 9,9 km/l |
| Rodoviário | 10,8 km/l |
| Tecnologia e Equipamentos de Série | |
| Ar-condicionado digital de duas zonas
Assistente de partida em rampa Banco do motorista com ajustes elétricos Câmera 360° e sensores de estacionamento traseiros 4 dianteiros Capota marítima e protetor de caçamba Central multimídia com tela de 10” e conectividade sem fio Android Auto e Apple CarPlay Chave presencial com partida por botão Controle automático de velocidade de cruzeiro Controle de descida) Controle de estabilidade e tração Faróis e luzes de rodagem diurna de LED Ganchos de amarração na caçamba e iluminação interna em LED Luzes automáticas e sensor de chuva Painel digital configurável de 7” Retrovisores elétricos rebatíveis com luz de cortesia Revestimento interno em couro Seis bolsas infláveisn(frontais, laterais e de cortina) Seletor de modos de tração (2H, 4H e 4L) |
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