Baita duna! Foi o que pensei ao alinhar de frente para a “Duna Desafio”, como é conhecida pelo pessoal que pratica off-road nos arredores de Aracaju – SE. Eu já a conhecia de oportunidades anteriores. Mas seria a primeira vez a tentar subi-la com o GWM Tank 300. Estava confiante sabendo que os 394 cv de potência (combinada, entre o motor à combustão e o motor elétrico) seriam fundamentais para chegar ao topo daquela duna de areia “fofa” e com mais de 30 m de altura. Embora seja bastante recomendável, eu havia optado por não reduzir a pressão dos pneus, justamente para entender o comportamento do carro com pneus e calibragem originais naquele “paraíso” de areia que é a região de dunas em Caueira, no litoral sul de Sergipe, a uns 50 km de Aracaju, capital do Estado.
Então, confiante, apesar de haver um certo receio com a “flutuação” dos pneus (essencial para terrenos inconsistentes, como a areia fofa) e se eles não afundariam na areia, parti com a tração 4×4 acionada (do tipo temporária/part-time), acelerei forte e o Tank 300 saiu em disparada (aceleração de 0–100 km/h em 6,8 s). Antes que eu pudesse ter qualquer desconfiança sobre o sucesso da “empreitada”, de forma rápida e confiante, o recém-lançado (em abril de 2025) suve com jeitão de “jipe” da GWM me levou até o alto da duna, permitindo ainda bastante tranquilidade pelo embalo conseguido para manobrar no topo e retomar, descendo de volta para poder fazer a mesma brincadeira mais uma vez e, talvez, a vontade fosse ficar subindo e descendo dunas o restante do dia… rsrs.
Veja como foi a subida da Duna Desafio nesse vídeo:
https://youtube.com/shorts/ywv2BBa8mYo?si=eGjVj2fJMfAWcIjK
Mas essa aventura com o GWM Tank 300 havia começado muitos dias antes. Eu já estava na estrada há quase duas semanas quando cheguei em Aracaju e, ao me encontrar com os amigos do SerJeep (assim mesmo) Clube, partimos para a travessia das dunas de Caueira, onde está a Duna do Desafio. Eu vinha de ter participado de uma das expedições que aconteceram dentro do Rally dos Sertões 2025, mais especificamente com o grupo da agência Latitude 4×4, do meu amigo Júnior Teixeira, que me convidou a ser o carro a fechar o comboio (tarefa que permite ao guia condutor saber se o grupo está todo reunido, se todos conseguiram passar pelos obstáculos das trilhas e, também, entender a extensão do comboio em rodovias, travessias de trechos urbanos e por aí vai, no sentido de garantir que está tudo certo com todos os participantes/clientes).
Foi a partir desse convite que veio a ideia de levar o Tank 300 para essa aventura comigo, em conversa com o Zeca Chaves (que já foi editor do Autoentusiastas) da área de Comunicação da GWM que levou a ideia para o Raphael Magalhães e seu time da área de Marketing.
O Rally dos Sertões e as Expedições
O Rally dos Sertões, que está na 33ª edição em 2025, é o maior rali das Américas e o segundo maior do mundo, perdendo apenas para o Rally Dakar, que tradicionalmente acontece sempre em janeiro de cada ano. Ou seja, trata-se de um rali de longa duração e extensão e do tipo Cross Country (ou Rally Raid na nomenclatura mais atual). Neste ano, tem 3.482 km de trajeto, percorridos em 8 dias desde Goiânia – GO até a chegada na Praia do Francês, no município de Marechal Deodoro, a apenas 20 km de Maceió, capital de Alagoas.

Por ser um rali, o Sertões, basicamente, é uma competição que envolve diferentes modalidades e veículos (motos, UTVs e carros 4×4), subdivididos em diversas categorias conforme o tipo de equipamento. E por ser um rali de longa duração, envolve o trabalho de muita gente, tanto em relação às equipes dos competidores como, também, às equipes da organização da prova: estima-se que a caravana envolva mais de 2.000 pessoas.
E como as etapas passam por diversas cidades chamadas de anfitriãs, toda essa caravana se desloca diariamente, movendo-se de uma Vila Sertões (como são chamadas as áreas destinadas às equipes de apoio) para outra. Entre as cidades, o trajeto é do mais alto desafio off-road, passando por uma enorme diversidade de terrenos e condições, desafios e trilhas.
Veja neste vídeo, de autoria dos organizadores do Sertões, como tudo funciona:
https://www.youtube.com/watch?v=v5lLXohjE4E
Veja neste vídeo do canal de Waleis Antonio no YouTube como foi montada a Vila Sertões em Goiânia – GO, a primeira da edição 2025, na área de estacionamento do Estádio Serra Dourada:
https://www.youtube.com/watch?v=eIQTvCFzzUk&t=2s
E são todas essas características, de certa forma únicas e singulares, que fazem o Rally dos Sertões ter, também, um grande interesse turístico, seja para aqueles que querem acompanhar e vivenciar o espírito do rali, seja para aqueles que querem desbravar um Brasil mais profundo e real fora dos circuitos turísticos mais tradicionais, ou para quem, ainda, quer percorrer caminhos diferentes e desafiadores, embora as expedições não percorram exatamente o mesmo trajeto da competição, mas sempre por perto e, de certa forma, em paralelo.
Na verdade, a soma disso tudo é que faz as Expedições, conduzidas por diferentes agências homologadas com variados perfis e destinadas a diferentes públicos e veículos, serem tão interessantes. Tanto que em 2025, de forma inédita, houve maior quantidade de “expedicionários” do que de competidores participando do Sertões.

Indo para o Rally dos Sertões
Estando com o Tank 300, retirado em 21 de julho em condições absolutamente originais, incluindo pneus, na GWM do Brasil, a preparação incluiu apenas a instalação de um rádio-comunicador VHF com antena externa e meu GPS Garmin para navegação, além, é claro, de equipamentos apropriados para off-road, incluindo um guincho elétrico montado para ser portátil e conectável a qualquer veículo. Então, estávamos prontos (o carro e eu) para partir em 23/07 para Goiânia – GO (com passagem de pernoite em Uberlândia – MG), onde aconteceria a largada do Sertões 2025 a partir de 26/07.
Eu já havia tido uma experiência anterior com o Tank 300 no evento de apresentação para a imprensa, mas foi muito curta e em ambiente controlado, tanto para on-road como para off-road. E como naquela ocasião e, também, concomitantemente com a minha utilização no Sertões 2025, o Gerson Borini, Editor de Testes do Autoentusiastas, também estava com um Tank 300 e, assim, já produziu duas ótimas matérias sobre o carro, as quais você pode ler aqui em relação ao lançamento, ou aqui “no uso em estrada e cidade”.
Nesta matéria vou me ater à convivência e às experiências vividas com o Tank 300 e, claro, minhas impressões sobre tudo o que vivemos juntos.
No primeiro deslocamento entre São Paulo e Goiânia, o Tank 300 já me deu sinais evidentes de que seria um ótimo companheiro de viagem: confortável, silencioso e com ótimo desempenho. O bom sistema de áudio (8 alto-falantes, 1 subwoofer e 640 W de potência), os bancos climatizados (ventilação e aquecimento), o bom funcionamento e a calibração dos recursos de assistência do tipo ADAS nível 2+ (incluindo ACC, centralização na faixa de rolamento, leitura de placas de trânsito, sensor de ponto cego e outros), boa central de infotenimento com tela de 12,3”, incluindo sistema de câmeras 360º e funções como “chassis transparente”, e o ótimo desempenho provido pelos 394 cv de potência e 76,5 m·kgf de torque, pela combinação dos motores à combustão (2,0 L, turbo, gasolina) e elétrico, conjugado com o câmbio automático epicíclico de 9 marchas (com opção de trocas manuais por aletas no volante), permitiram uma viagem tranquila e prazerosa.
Veja neste vídeo como o sistema ADAS do Tank 300 atua:
https://youtu.be/76mDOy5jzgQ?si=vaYwiSXbiGmgSxd9
No começo da viagem, com a bateria de 37,1 kWh a 100%, o carro percorreu algo na faixa de 90 km apenas no modo elétrico, trafegando pela Rodovia dos Bandeirantes em condições normais de velocidade da via. Ao final do trajeto de 942 km até Goiânia, percorrido em dois dias com uma parada em Uberlândia – MG, o consumo ficou em 10,7 km/l de gasolina e 3,5 kWh/100 km (que representa consumir 33 kWh de energia elétrica para esse percurso – condizente com a carga inicial e o saldo de 13% que ainda havia ao chegar ao destino).
Veja neste vídeo os comentários sobre consumo ao chegar em Goiânia:
https://youtu.be/YAbwOfeWoyA?si=665-KKjBELVVKxc3
Abaixo as fotos do painel de instrumentos com as informações de distância percorrida e consumo da viagem entre São Paulo e Goiânia.

Em Goiânia, devido aos preparativos de largada (adesivagem, reunião de briefing, foto oficial e a cerimônia da Rampa de Largada), nossa permanência durou alguns dias. Com a vantagem de ter um carregador no hotel em que nos hospedamos, foi possível restabelecer a carga da bateria do Tank 300. Assim, rodamos em Goiânia apenas no modo elétrico e saímos com a bateria a 100% para iniciar, efetivamente, o trajeto da Expedição Sertões 2025.
De tudo o que fizemos antes de começar a Expedição, o mais emocionante, indubitavelmente, foi a cerimônia da Rampa de Largada. Por mais que eu já tivesse participado de algumas outras edições do Sertões, até mesmo competindo, o momento da rampa sempre é aquele em que você, de verdade, pode dizer: estou dentro do Sertões (mais um).
Veja neste vídeo como foi a nossa passagem na Rampa de Largada do Sertões 2025:
https://youtu.be/Z8Ih29XWsCM?si=hw9ciOgyBDBWm2yb
E começa a Expedição Sertões 2025 com o Tank 300
Era inegável a ansiedade para que, então e finalmente, a gente partisse para o propósito principal: a Expedição!
E o primeiro dia já nos reservava um grande deslocamento, de aproximadamente 560 km até Chapada Gaúcha – MG, onde visitaríamos – já no dia seguinte – o Parque Nacional Grande Sertão Veredas. Mas o que estava no radar mesmo era, justamente, o primeiro longo trecho que faríamos pelas estradas de areia, quando já seria possível conhecer melhor o comportamento do Tank 300 nessa situação, que tanto estaria presente em todos os próximos dias de aventura dentro da Expedição Sertões 2025, com longos trajetos em trechos off-road – e, com eles, muita poeira pela frente, o que a ótima vedação desse suve se mostrou útil e muitíssimo bem-vinda.
O comportamento foi melhor do que o esperado. Com a construção das suspensões do tipo independente duplo A na dianteira e com eixo rígido fixado por braços e molas helicoidais na traseira, já era esperado – e foi comprovado – que o Tank 300 teria bom comportamento também em situação off-road. Mas, nesse tipo de construção, é muito comum que haja uma certa diferença de comportamento entre dianteira e traseira e, principalmente, a tendência de uma oscilação maior, justamente na traseira, por vezes permitindo pequenas alterações de trajetória e perda de aderência quando a traseira quica em irregularidades maiores.
No Tank 300 essa tendência não existiu, tanto nesse primeiro momento como durante todo o tempo que estive com esse 4×4. Foi ótimo constatar esse acerto e calibração; provoquei bastante e não detectei qualquer tendência a quicar, mesmo mantendo a pressão dos pneus como recomendado praticamente todo o tempo (é comum – e até recomendável – reduzir as pressões em utilização fora de estrada; o fiz apenas nas dunas em Mangue Seco – BA).
Veja neste vídeo como foi a primeira oportunidade de rodar com o Tank 300 nas estradas de areia do cerrado brasileiro, na região da Chapada Gaúcha e a caminho do Parque Nacional Grande Sertão Veredas:
https://youtu.be/z8iQ1sUkFPw?si=7m_vgirx35cl3Aw8
Com a tração 4×4 no modo alto (4H), a transferência de força e potência para o piso acontece de forma bastante agradável, tanto pela entrega de potência do conjunto de motores quanto pela característica das suspensões do Tank 300 que, em conjunto com os pneus (do tipo All-Terrain na medida 265/60R18 – estepe de mesma dimensão), permitem alto desempenho e controle também em situação off-road. A verdade é que o carro instiga a uma certa aceleração mais vigorosa e aceita trafegar nessas situações com bastante velocidade, pois transmite segurança a todo momento, inclusive pelo poder dos freios (a disco nas quatro rodas) e pelo bom sistema de direção com assistência elétrica (com opção de ajuste do nível de assistência em três padrões: conforto, normal e sport).
Importante: ao utilizar o modo 4×4 (seja em High ou Low – reduzida), o Tank 300 sempre aciona o motor à combustão, ou seja, não é possível usar tração 4×4 e tracionar apenas com o motor elétrico. Estando em 4×4, ele eleva consideravelmente o nível mínimo de carga da bateria, alcançando rapidamente valores superiores a 50%. Faz sentido: o carro “entende” que você está em terreno pior, que pode requerer com mais frequência elevados níveis de torque e potência. Esse patamar mínimo acima de 50% foi o que comprovei no uso; não encontrei, porém, informação oficial que estabelecesse qual é exatamente esse mínimo.
O Tank 300 dispõe de modos de condução; um deles é o EXPERT (pode ser escolhido em 2H ou 4H), que permite configurar entrega de potência às rodas, nível de assistência da direção elétrica, nível mínimo de carga da bateria desejado e resposta dos controles de tração e estabilidade, podendo, inclusive, desligá-los completamente. São quatro opções, uma pré-configurada chamada “Rally de Alta Velocidade” e outras três que você pode configurar livremente e, inclusive, nomear como desejar.
Existem também outros modos de condução atrelados ao tipo de terreno: neve (o único que atua em 4H), montanha, rocha, lama, areia e estrada acidentada. Somados à existência dos bloqueios de diferenciais traseiro e dianteiro, tela de informações 4×4, HDC (Hill Descent Control, com ajuste mínimo em 4 km/h), Controle de Velocidade Off-Road (OCC) e o sistema Tank Turn (que reduz o raio de giro em off-road ao “frear” as rodas internas, permitindo certo arrasto), trazem ao Tank 300 uma lista útil de recursos para o uso fora de estrada.

Para além de possuir tais recursos, tudo funciona muito bem, é fácil de operar e mantém ótimo desempenho em fora de estrada, qualquer que seja o terreno ou obstáculo. Com boa geometria off-road e adequada ao tipo de produto (vão livre de 222 mm, ângulos de entrada de 32º, saída de 33º e capacidade de imersão de até 700 mm) e boas dimensões (4.760 mm de comprimento, 1.903 mm de altura, 1.930 mm de largura e 2.750 mm de entre-eixos), talvez os únicos fatores que possam atrapalhar o desempenho do Tank 300 em trilhas sejam o peso – 2.630 kg (algo como de 400 a 500 kg acima de carros de mesmo porte com motor apenas à combustão).
Isso pode trazer dificuldade em subidas lisas e terrenos instáveis – e alguns elementos um pouco expostos abaixo do chassi (destaque para o escapamento). Também o ponto de ancoragem dianteiro, um tanto escondido, pode dificultar sua utilização em terrenos instáveis (pode afundar e ficar difícil de alcançá-lo).
Com esses atributos, trafegar pelos diversos tipos de terreno e condições que encaramos para explorar os caminhos, visitar atrações turísticas e acompanhar, ao longo do trajeto, um pouco dos competidores passando pela prova foi possível com bastante tranquilidade, facilidade e conforto – que, acho, acabam sendo grandes predicados desse suve da GWM.
Acompanhar, em alguns trechos, os competidores disputando a prova, assim como visitar as equipes de apoio na Vila Sertões, colocam os Expedicionários dentro da experiência, entendendo melhor como tudo funciona: estratégia e trabalho árduo das equipes, o quão rápido os carros passam e como piloto e navegador requerem alta dose de interação para um bom resultado. A organização técnica requer inúmeros carros 4×4 e pessoas para fazer o rali acontecer, como se vê no vídeo e na foto a seguir.

Veja neste vídeo um exemplo de passagem de um carro de competição no início de um trecho cronometrado – aliás, o carro que acabou conquistando o título em sua modalidade do Sertões 2025 (aumente o som, o ronco é bacana):
https://youtu.be/nvn5JGeCIzE?si=Li1YUj35kN5GfwHq
Veja neste vídeo um exemplo de passagem de um carro de competição no final de um trecho cronometrado (aumente o som, o “ronco” é bacana):
https://youtu.be/j-8wzYHXEMI?si=9nDSk-fSolDhSU22
Nossa rotina ao longo dos dias: visitar alguma atração turística, percorrer grandes deslocamentos por caminhos alternativos e rodovias (a prova envolve grandes distâncias diárias; os Expedicionários acompanham essa dinâmica) e, vez ou outra, assistir à prova passando. Uma rotina que toma muitas horas, começa cedo e termina tarde, mas traz grande alegria e sensação de desbravar e desfrutar – fórmula típica que motiva toda a caravana do Sertões.
A parte turística foi um grande diferencial do grupo da Latitude 4×4; visitamos lugares incríveis.
Parque Nacional Grande Sertão Veredas e seus caminhos em meio ao cerrado entre rios e veredas, como a área do Encontro dos Rios que aparece no vídeo a seguir.
Caverna do Janelão no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, recém-elevado a Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.
Santuário do Bom Jesus, com suas imagens e capelas inseridas dentro de uma gruta, na cidade de Bom Jesus da Lapa – BA.
As inúmeras vezes que passamos pelo Rio São Francisco, o Velho Chico e Rio da Integração Nacional, por ser o maior rio em extensão totalmente brasileiro (nascente e foz em território nacional), incluindo a Barragem de Sobradinho, o segundo maior lago artificial do mundo.
Parque Estadual de Canudos, que conta a história da Guerra de Canudos exatamente onde ela aconteceu, quando tropas federais combateram e dizimaram a população de 25.000 pessoas seguidoras de Antônio Conselheiro.
Cânions do Xingó, onde foi construída a Usina Hidrelétrica de Xingó, com belíssimo passeio de barco pelos paredões avermelhados.
A seguir fotos e vídeos dessas visitações.
Veja neste vídeo o comboio partindo após a visita no Encontro dos Rios, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas (drone, sem edição):
https://youtu.be/GSbdEuicXK8?si=oZax_YSlPHV884_3


Veja neste vídeo um trecho da caminhada no interior da Caverna do Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu:
https://youtu.be/QLJsMVsxZUM?si=RwlCg3kFfa5Cge6m

Veja neste vídeo o pôr do sol às margens da Represa de Sobradinho, no Rio São Francisco:
https://youtu.be/ZnkzSo5M74s?si=NKSyVuWZ5HSJTcNB

Veja neste vídeo uma rápida descrição sobre o Parque Estadual de Canudos e a história que ele conta:
https://youtu.be/tuBHejCAKkM?si=-AB_kBIFIOzuKKPs
Veja neste vídeo um pequeno trecho do passeio de barco pelos Cânions de Xingó, no trecho da Gruta do Talhado:
https://youtu.be/0vF57FFazv0?si=rWhOVlf9bdrvwv0l
O penúltimo dia trouxe a chuva. A tônica do Sertões é a poeira; ela nos persegue e acompanha todos os dias nos trechos off-road, justamente por estarmos na época de seca e pelas características das regiões que percorremos. Mas, com a chegada marcada para o litoral de Alagoas nesta edição de 2025, em época de chuvas em grande parte do Nordeste, havia o risco, que foi confirmado, de a chuva nos encontrar.
Para quem é do off-road, chuva não costuma ser ruim. No aspecto da competição, o mau tempo trouxe problemas que fizeram com que as duas últimas etapas fossem canceladas, dadas as condições atmosféricas e a impossibilidade de os helicópteros de resgate médico levantarem voo. Para o nosso grupo, virou diversão, trazendo um pouco de barro, poças de água para alguns splashes e mudando a cara do cenário, possibilitando conhecer o comportamento do Tank 300 nessas condições, onde ele também se mostrou competente e confiável.
Veja neste vídeo um trecho das estradas de terra encharcadas pela chuva:
https://youtu.be/t2lrIQE64fE?si=wTDma2J_HgU2r0ib
A Expedição Sertões 2025 chega ao fim!
Percorridos 4.115 km a partir de São Paulo, a Expedição Sertões 2025 aportou na Praia do Francês, no município de Marechal Deodoro, a 20 km de Maceió, capital de Alagoas. A essa altura, além dos muitos quilômetros percorridos, foram também muitas as histórias e paisagens que colecionamos e os caminhos e trilhas que percorremos.
Chegando na Praia do Francês, o consumo para percorrer os 4.115 km ficou em 9,7 km/l de gasolina + 2,1 kWh/100 km (86,4 kWh de consumo elétrica), condizente com as duas cargas a 100% (São Paulo e Goiânia), duas pequenas cargas (Bom Jesus da Lapa e Usina de Xingó) e o saldo de 13% que ainda havia na bateria — a reserva técnica que o Tank 300 sempre mantém. Esse consumo final, para mim, foi muito bom. Até melhor do que eu esperava, lembrando tratar-se de um suve 4×4 de 2.630 kg e de um percurso com muitos quilômetros em off-road.
Veja neste vídeo a oportunidade de uma rápida carga na bateria do Tank 300 dentro da Usina Hidrelétrica de Xingó:
https://youtu.be/U4MRoOaoO30?si=C–9hohLxvZOhioA
O fato inquestionável é que o GWM Tank 300 foi um ótimo companheiro de viagem e aventura. Para os muitos que me perguntavam o que eu estava achando do carro, a frase que mais usei foi: gostei mais do que deveria ter gostado, dado o ótimo convívio de todos esses dias, usando sua capacidade e conforto para percorrer os caminhos do Brasil. Pouquíssimas ressalvas, mais no campo dos detalhes e do gosto pessoal do que de questões técnicas. No vídeo a seguir cito duas questões que, no meu entender, poderiam ser melhores.
A primeira. Muitos modos de condução para off-road só podem ser ativados em 4×4 com reduzida (4L). Poderiam também ser permitidos em 4×4 normal (4H), pois, por exemplo, na areia queremos usar uma configuração mais adequada sem abrir mão de velocidades mais altas (a reduzida, conforme o manual, é recomendável até 40 km/h — e o Tank 300 é, de fato, bastante reduzido; apurei ser uma redução de 2,64:1).
Ainda sobre a reduzida, achei a calibração de trocas de marchas nesse modo, com os giros do motor à combustão, um tanto elevada e pouco relacionada à carga do pedal do acelerador; as trocas poderiam ocorrer em giros menores com menor carga e em giros maiores com maior carga. Ajuda, nesse aspecto, que mesmo com o câmbio em Drive, você pode comandar trocas pelas aletas do volante (redução na esquerda, subida na direita).
A segunda crítica é ao painel de instrumentos (tela digital de 12,3”). Apesar de ter três modos (normal, orientado e off-road), não permite personalizar as informações, alterando o que aparece ou como aparece (por exemplo, não há destaque para o conta-giros — embora haja para a potência entregue). Melhor ainda seria um formato que emulasse instrumentos analógicos, que em certas condições e usos facilita a leitura.
Veja neste vídeo o resumo e a avaliação ao final da Expedição Sertões 2025:
https://youtu.be/BzG_J1NDJ64?si=PGwH3ZL1jZFaCrxL
O Rally dos Sertões, por toda sua dureza com os competidores, tem um objetivo maior para todos: chegar até o final. Muitos ficam pelo caminho. Por isso, o momento da chegada no Sertões é tão especial. E não poderia ser diferente para os expedicionários. Embora nem de longe enfrentemos os mesmos desafios de quem compete, ainda assim é uma longa jornada que requer atenção e boa dose de boa-vontade e resistência (pessoas e veículos). Chegar ao final precisa ser celebrado.
É o que acontece com a cerimônia da Rampa de Chegada. Se na largada a rampa significa que, sim, você está dentro do Sertões, na chegada a rampa traz o significado de ter concluído, alcançado o objetivo, vivenciado tudo o que aconteceu naqueles dias intensos e prazerosos, cansativos e felizes. Assim foi com todos nós expedicionários que chegamos à Praia do Francês e vivemos, em grupo, o momento radiante e emocionante da chegada. Momento também de agradecimento a todos que fizeram parte da jornada. Os meus agradecimentos ficam a todos que permitiram vivenciar mais um Sertões, depois de duas edições ausente (a última em 2022 — que marcou os 30 anos de Sertões) e estão nominados ao final desta matéria.
Veja neste vídeo como foi a cerimônia da Rampa de Chegada na Praia do Francês, encerrando o Sertões 2025:
https://youtu.be/iC2tBCXnQGI?si=XWgchHRvNvPP8WWs
A expedição terminou, mas a viagem continua!
Chegar na Praia do Francês significou encerrar a Expedição Sertões 2025. Mas estamos apenas na metade do caminho: ainda resta voltar para São Paulo. Para quem é off-roader, voltar nem sempre é pelo caminho mais rápido, curto ou fácil. Desde o início, a volta fazia parte dos planos. Durante a expedição, atrelados ao comboio e à programação, sobra pouco tempo para certas coisas — como avaliar e provocar o Tank 300 em situações específicas. A volta seria importante.
Havia um plano para o retorno, passando por cidades históricas em regiões turísticas. A ideia era criar um contraste entre o Tank 300 — moderno e tecnológico — e cidades que remetem ao passado e à tradição. Antes das cidades históricas, próximos ao fim dos Sertões 2025, havia dois lugares emblemáticos no litoral para explorar o suve da GWM em dunas e longos trechos de areia de praia.
O roteiro de retorno começou por Aracaju, capital de Sergipe, passando por Penedo – AL, às margens do Rio São Francisco, nossa última travessia e visão do maior rio totalmente brasileiro (nasce na Serra da Canastra e encontra o Atlântico logo depois das antigas construções de Penedo). E Penedo não vive apenas de construções históricas: no Hotel São Francisco, onde pernoitamos, havia carregador instalado. Saí de lá com a bateria do Tank 300 a 100%, o que permitiu chegar a Aracaju, quase 100 km adiante, rodando apenas com o motor elétrico.
Veja no mapa a seguir o roteiro de retorno (cerca de 3.000 km — ao final, seriam 3.300 km até São Paulo):
Veja neste vídeo a passagem do Tank 300 por Penedo – AL, a primeira cidade histórica do roteiro de retorno:
https://youtu.be/ai2D7H31SSQ?si=345ao9syj-7C8ShC
O grande e divertido destaque desse início da volta estava por vir. Em Aracaju, junto com os amigos do SerJeep Clube, desafiamos as Dunas de Caueira, área repleta de dunas e, nesta época do ano, com alguns alagados formados pelo acúmulo de água das chuvas. Seria ótima oportunidade para conhecer o desempenho do Tank 300 nesse terreno desafiador para qualquer 4×4. Propositadamente, não reduzi a pressão dos pneus, para entender o desempenho em condições originais.
Logo no começo, os primeiros alagados. Com os 700 mm de capacidade de imersão, há tranquilidade nessas travessias, embora sempre requeiram atenção e cuidado. Nossos amigos de Aracaju conhecem muito bem essas dunas (eu já havia estado lá noutra ocasião) e nos levaram pelos caminhos mais adequados, sem escapar das partes mais divertidas. Tendo sempre um carro à frente, foi fácil avaliar se a profundidade de cada alagado era adequada ao Tank 300.
Veja neste vídeo a travessia do primeiro alagado na área das Dunas de Caueira (visão de frente):
https://youtu.be/HyeHKZCSoLM?si=WmpBf2SeZ66UgfX0
Veja neste vídeo a travessia do primeiro alagado na área das Dunas de Caueira (visão por trás):
https://youtu.be/j7mVRN0uaNU?si=MiJAsEh_Jw8UFZQV
Trafegar em areia, principalmente em dunas, requer bastante capacidade dos carros 4×4: vão livre para não prender por baixo, boa flutuação dos pneus para não afundar na areia fofa, força e potência do conjunto mecânico para vencer a resistência do terreno. Costumo dizer, nos treinamentos de off-road, que a areia pesada é dos terrenos mais técnicos (em obstáculos, são as erosões). Nesse tipo de terreno, um carro apropriado e capaz faz diferença. Foi o caso do Tank 300 nas Dunas de Caueira: após os alagados, os próximos desafios eram subir e descer dunas, trafegando entre elas até alcançar nosso destino mais esperado: a Duna Desafio — o momento que usei para abrir esta matéria.
Veja neste vídeo como usamos o Tank 300 para brincar em algumas dunas:
https://youtu.be/uUEnwwvez7w?si=s30FxlOtNAPwOe47
A Duna Desafio é uma montanha de mais de 30 m de altura, de areia fofa e bastante inclinação, exigindo embalo suficiente para chegar ao topo. Ajuda que os pneus flutuem sobre a areia — normalmente se amplia ao reduzir a pressão, aumentando a área de contato (optei por não fazer, para avaliar com calibragem original). A inércia também ajuda a manter o movimento, brigando com a resistência da areia. Conciliar tudo não é fácil. Entre os carros por lá, alguns subiram e outros não. Como seria a primeira vez do Tank 300, havia apreensão geral: como ele se sairia?
Como se vê no vídeo abaixo e no vídeo que abriu a matéria, ter 394 cv disponíveis facilitou muito. Saindo da imobilidade em 4H e acelerando forte, ganhou velocidade rapidamente e encarou a Duna Desafio, fazendo parecer fácil uma tarefa que não é. Poderíamos usar outros recursos que o suve da GWM oferece (como o bloqueio do diferencial traseiro), mas não foi necessário. Basicamente, tração 4×4 em alta (4H) e mais nada — sem modo Expert ou afins.
Veja neste vídeo como foi encarar a subida da Duna Desafio, com comentários durante a ação:
https://youtu.be/vIRCHQQqb8Q?si=xmRj-34amIdKmaWD
Terminados os desafios nas Dunas de Caueira e após nos despedirmos dos amigos do SerJeep Clube de Aracaju, nosso destino, ainda naquele dia, era alcançar o vilarejo de Mangue Seco, no extremo do litoral norte da Bahia. Como já era final de tarde, sabíamos que chegaríamos à noite. O interessante: iríamos pela praia. Explico: o vilarejo está entre dunas, o Rio Real (divisa entre Bahia e Sergipe) e o mar; não há estradas convencionais até lá e a maioria dos turistas utiliza barcos que saem de Pontal (Indiaroba – SE), atravessam o rio e desembarcam em Mangue Seco. A outra opção é pela praia a partir de Costa Azul – BA e/ou pelas dunas e caminhos de areia. Fomos pela praia, já de noite (naquele horário, a maré estava baixa, condição indispensável), para, no dia seguinte, passear pelo vilarejo (todo pé na areia) e pelas dunas do entorno, como nas fotos e vídeos a seguir.


Veja neste vídeo o Tank 300 num dos mirantes no alto das dunas de Mangue Seco – BA, com o Rio Real (à esquerda) e o Atlântico (ao fundo) — vídeo de drone sem edição:
https://youtu.be/p8RLZhZbHg4?si=CLLX1N0XCaXifsBu
Veja neste vídeo o Tank 300 passeando pelas dunas de Mangue Seco – BA, na imensidão de areia branca (vídeo de drone sem edição):
https://youtu.be/JcroxLfSSVk?si=mPNYsrUqBJhhOINf

Após Mangue Seco, de onde já saí sozinho (os amigos da expedição foram cada um no seu ritmo), meu próximo destino foi a Chapada Diamantina, ainda na Bahia. Passagem rápida, suficiente para duas cidades históricas: Lençóis e Mucugê, ambas com belíssimo casario e história do garimpo. A travessia entre Mangue Seco e Lençóis é extensa (mais de 560 km); como saí do litoral ao cair da tarde (maré baixa), pernoitei em Feira de Santana (BA) antes de chegar a Lençóis no começo da tarde seguinte.
Mas trajetos off-road e aventura estavam na mira. A partir de Lençóis percorri a famosa Trilha do Roncador (ou Trilha do Garimpo) até a região de Andaraí (BA), por pouco mais de 30 km em trilhas de areia, pedras e travessias de rios e riachos, passando pela Cachoeira do Roncador, do rio de mesmo nome. Nessa travessia, tivemos dos trechos mais divertidos e que, por pouco, não virou problema, pois eu estava sozinho (não é o correto em off-road) e quase atolei num trecho de areia muito solta e fofa.


A areia desse trecho é grossa e extremamente solta, o que facilita os pneus afundarem. No vídeo a seguir, percebe-se que eu trafegava procurando o melhor ponto de travessia do Rio Roncador quando, ao parar para analisar, o carro já não queria sair do lugar, com as rodas patinando. Numa situação assim, antes de insistir, é importante descer e analisar. Percebi que havia chance de o carro mover-se e sair sozinho utilizando os bloqueios dos diferenciais traseiro e dianteiro. Com os bloqueios ligados e pouca aceleração (procedimento correto, para não cavar e afundar ainda mais), o Tank 300 conseguiu a façanha de sair da enrascada.
Veja neste vídeo parte da travessia da Trilha do Roncador, na Chapada Diamantina, e a situação de quase ficar atolado na areia solta e fofa às margens do Rio Roncador:
https://youtu.be/8B8-wdl16_8?si=zFy2wIUcLrj01Nn0

Já era final de tarde quando o Tank 300 saiu da enrascada. Ao sair da Trilha do Roncador já havia anoitecido e, por rodovia, seguimos para Mucugê (BA), para pernoite e fotos nessa cidade encantadora, menor que Lençóis em população e Centro Histórico, mas altamente aprazível. Mucugê está mais ao sul e, por rodovia, são algo como 150 km entre as duas. Há diferença marcante: a altitude — Lençóis na faixa de 400 m; Mucugê, 1.000 m. É comum explorar a Chapada em pedaços: Lençóis para as atrações ao norte e Mucugê para as do Sul.


Ainda havia um desafio a mais para o Tank 300 na Chapada. O Rio Paraguaçu, um dos maiores da região, tem nascente na própria Chapada e é totalmente baiano (foz na Baía de Todos os Santos). Fazer sua travessia na área do Poço Azul é grande diversão e, em certas épocas, verdadeiro desafio pela profundidade e largura. Eu não sabia o que encontraria, mas a época de seca aumentava a chance de estar em profundidade adequada para o Tank 300 (capacidade máxima de imersão de 700 mm). Logo pela manhã, parti para encarar a travessia.
Chegando lá, a primeira tarefa foi conferir as condições do rio (profundidade e leito desimpedido). É comum carros 4×4 passarem por dentro do rio para chegar ao Poço Azul. Há também uma balsa no local, oferecendo travessia a quem prefere não arriscar. Veja a tentativa (com sucesso):
Veja neste vídeo o Tank 300 atravessando o Rio Paraguaçu, o maior rio da região da Chapada Diamantina, na área do Poço Azul:
https://youtu.be/f_5HadQf9PI?si=uDfVElqSr0bIiNHt

Concluída a travessia (profundidade de 50 cm), era hora de seguir ao próximo destino: Grão Mogol (MG). Deslocamento de 650 km, passando por Rio de Contas (mais uma belíssima cidade histórica da Bahia), completado no dia seguinte. A ideia em Grão Mogol, além de cidade histórica e outras atrações (balneários do Rio Itacambiruçu), era conhecer o maior presépio a céu aberto do mundo, o Presépio Mãos de Deus (3.600 m², no centro), que utiliza um imenso paredão natural como cenário; construído por iniciativa de Lúcio Marcos Bemquerer, inaugurado em 9 de dezembro de 2011, e, desde 2018, administrado pela Arquidiocese de Montes Claros – MG.


Veja neste vídeo o Tank 300 às margens do Rio Itacambiruçu, em Grão Mogol (vídeo de drone sem edição):
https://youtu.be/Ix9wu–jy-0?si=f-2Tg7N7-eRhDayo
A saída de Grão Mogol marcou o trecho final rumo a São Paulo, passando por mais cidades históricas de Minas, como São Gonçalo do Rio Preto e Serro, antes de alcançar a Fernão Dias na região de Belo Horizonte e, finalmente, apontar para São Paulo. Ainda era uma viagem longa: Grão Mogol está a quase 1.200 km da capital paulista.
No caminho, um pouco de off-road: optei por sair de Grão Mogol pelo caminho que leva à Barragem de Irapé, que possui um inusitado túnel atravessando um dos paredões naturais por onde o Rio Irapé passa. Além de bonito, é um caminho interessante, cruzando a porção da Serra do Espinhaço que, no nosso trajeto, vinha desde a Chapada Diamantina (abrigando Grão Mogol, Serro e a Serra do Cipó) até a região de Ouro Preto, próxima a Belo Horizonte.

Como o deslocamento desde Grão Mogol era muito grande, pernoitei em Betim – MG (região metropolitana de Belo Horizonte) e, na manhã seguinte, parti para São Paulo, para finalizar essa grande viagem, iniciada em 23 de julho e concluída em 11 de agosto, totalizando 20 dias de jornada. Ao chegar em casa, o hodômetro do Tank 300 indicava 7.414 km desde o início, com consumo de 9,4 km/l de gasolina + 2,2 kWh/100 km (163,1 kWh de consumo elétrico), condizente com três cargas a 100% (São Paulo, Goiânia e Penedo – AL) e cinco cargas parciais (Bom Jesus da Lapa; Usina de Xingó; carregador rápido no Shopping RioMar, em Aracaju; tomada comum em Feira de Santana; e outra em Grão Mogol), além do saldo de 13% que a bateria sempre mantém e da regeneração nas desacelerações e no uso 4×4.


Foi uma jornada imensa sem problemas ou dificuldades a relatar no uso do Tank 300. Além de imensamente confortável durante toda a viagem e da ótima capacidade off-road comprovada em inúmeras situações, esse suve 4×4 da GWM, com vocação de jipe, mostrou-se bastante confiável na rotina intensa desses dias. Durabilidade a longo prazo precisará ser comprovada com o tempo, mas a convivência e tantos quilômetros percorridos animam no sentido de entender que, sim, o Tank 300 tem imenso potencial para resistir no fora de estrada: após tanta poeira, tantos alagados, tanta vibração nas inúmeras costelas de vaca ao longo do caminho, terminou a jornada absolutamente íntegro, como começou nossa convivência.
Tudo isso me faz pensar que o lançamento do Tank 300 abriu mais uma opção — e bastante interessante — para quem deseja um veículo para uso urbano (ótima opção pela tração elétrica e alcance de até 75 km pelo Inmetro — sempre consegui maior alcance do que esse, com a mesma bateria), rodoviário (bom desempenho, capacidade de aceleração e consumo compatível com porte e peso) e off-road (boas capacidades e ótimos recursos para uso fora de estrada). Sim, é um lançamento que deve mexer (já mexeu) com as opções disponíveis no mercado para esse fim, e a ótima relação custo-benefício o torna bastante interessante e viável.
Análise do consumo de combustível da viagem
(São Paulo – Expedição Sertões 2025 – Retorno – São Paulo)
Para mim, o consumo foi extremamente satisfatório e adequado ao considerar o peso do Tank 300 e as condições de uso, mesmo computando a energia elétrica, que também tem custo e variou bastante na viagem. Em Goiânia, o custo foi de praticamente R$ 2,00/kWh — para o nível de consumo elétrico desse suve não é vantajoso em custo por km. Conta rápida: 37 kWh a R$ 2,00/kWh = R$ 74,00, permitindo rodar ~100 km (o Tank não costuma alcançar 100 km só no elétrico, pois reserva ~13% a 15% da bateria, mas vamos considerar 100 km para efeito comparativo). Resultado: custo de R$ 0,74/km. Com gasolina (R$ 6,00/l e 9 km/l) corresponde a ~R$ 0,67/km. Ou seja, a R$ 2,00/kWh, a energia seria 10,5% mais cara. Indica que, no caso do Tank 300, para se equivaler ao custo do km com gasolina, o kWh deveria custar no máximo ~R$ 1,80. Vale lembrar: a média residencial varia por região, bandeira e impostos, mas tem sido, rotineiramente, menor que R$ 1,00/kWh.
Recargas ao longo do caminho:
• Goiânia (GO) — hotel, carregador, cobrado — ~R$ 2,00/kWh;
• Bom Jesus da Lapa (BA) — hotel, tomada normal — gratuito;
• Usina Hidrelétrica de Xingó — carregador dos funcionários — gratuito;
• Penedo (AL) — hotel, carregador — gratuito (cortesia do hotel);
• Aracaju (SE) — shopping, carregador — cobrado — ~R$ 2,30/kWh;
• Feira de Santana (BA) — hotel, tomada normal — gratuito;
• Grão Mogol (MG) — hotel, tomada normal — gratuito.
Veja neste vídeo o uso do carregador rápido no Shopping RioMar, em Aracaju (SE), para reabastecer a bateria do Tank 300:
https://youtu.be/i73q3fflwlo?si=8_SMr1YXZhgYQlqo
Os últimos dias com o Tank 300 em São Paulo
Após chegar em São Paulo, aproveitei os últimos dias de convivência para mais algumas brincadeiras, com jeitão de desafio, levando o Tank 300 para trilhas que sempre percorremos nos arredores da capital. Já as fiz com diversos carros, então é sempre uma comparação interessante.
Fomos para a Trilha das Águas e da Placa, famoso trajeto na região de Cajamar que os off-roaders de São Paulo conhecem bem. O nome Águas não é à toa: costuma acumular atoleiros com água. Estávamos na seca; naturalmente, quase tudo seca. Ainda assim, havia alguns atoleiros, com pouca água — divertido e útil para averiguar o comportamento do Tank 300. Porém, no caminho, um pequeno furo no pneu dianteiro esquerdo; com um kit de reparo (sempre carrego nas trilhas), fizemos o conserto ali mesmo.
Veja neste vídeo a travessia do Tank 300 na Trilha das Águas, na região de Cajamar e Santana de Parnaíba:
https://youtu.be/8zNWbUKsfpk?si=PiBjQCo3rD_tu1tt
Veja neste vídeo o conserto do furo num dos pneus do Tank 300 durante a Trilha das Águas, em Cajamar, SP:
https://youtu.be/2nl29T_Vv9A?si=DyuT_CmKEboRy8tz
Veja neste vídeo a chegada do Tank 300 no alto da Trilha da Placa, em Cajamar – SP:
https://youtu.be/EmbSOXcaGtg?si=j8-WHjtFk0u-9Ftk

Dias depois, região da Pedra do Coração (Bom Jesus dos Perdões – SP). A ideia: belas fotos e um último vídeo de agradecimento para encerrar a convivência com o Tank 300, a ser devolvido no dia seguinte (18 de agosto), e desafiá-lo na Subida da Pedra da Morte, difícil travessia com pedras grandes expostas, forte inclinação, erosões e piso com muita areia solta. Soma de características que exige bastante dos 4×4.
O Paulo Manzano e o Gerson Borini, do AUTOentusiastas, estiveram juntos para uma rápida comparação (publicada nas redes sociais) com um Jeep Wrangler e uma Chevrolet S-10. Comparativo intuitivo (sem medições): como era de se esperar, o Wrangler foi um pouco mais capaz (maior vão livre, ângulos e pneus mais adequados), o Tank 300 foi bastante valente (completou sem usar bloqueios dianteiro/traseiro) e a S-10 sofreu mais, mas completou, mesmo com entre-eixos maior e ângulos menos favoráveis. Interessante e divertido.
Veja como foi o desempenho do Tank 300 na Subida da Pedra da Morte, região da Pedra do Coração, arredores de Atibaia – SP:
https://youtu.be/GoAFldFJOuU?si=9vGMG5Xw1eVlGuuO
Conclusão
A oportunidade de uma avaliação de 25 dias (de uso efetivo) e mais de 8.000 km é rara. Foi um imenso privilégio, possível com o apoio e a crença de muita gente. Missão cumprida.
Aos 8.387 km, com consumo médio de 9,6 km/l de gasolina + 3,4 kWh/100 km (melhora no consumo de gasolina devido às cargas parciais da bateria feitas em casa, em tomada comum), devolvi o Tank 300 sem falhas a relatar, sem qualquer incômodo e sem que ele deixasse de superar, com confiança e desempenho, tudo o que propus: das longas horas de rodovia aos obstáculos, terrenos e situações encaradas no off-road.
A conclusão não podia ser mais positiva. Desde antes da metade da Expedição Sertões 2025, passei a dizer — e ainda digo — que gostei do Tank 300 mais do que deveria ter gostado, para resumir o sentimento após tantos dias de uso, convivência e diversão pelo Brasil afora. Saímos de São Paulo e, sertão e Sertões adentro, chegamos a Alagoas, no litoral do Nordeste; de lá, entre litoral, sertão e serras, retornamos para São Paulo, a tempo ainda de um bocado de off-road por aqui. Tudo transcorreu à perfeição.
Se você chegou até o final desta matéria extensa — e tão incrível de vivenciar, produzir e redigir —, agradeço imensamente pelo seu tempo e, sinceramente, espero que tenha ficado a sensação de que valeu a pena conhecer um pouco do que o GWM Tank 300 me proporcionou e pode proporcionar a quem se interessar por ele. Muitíssimo obrigado!


Agradecimentos:
À GWM do Brasil (Zeca Chaves, Raphael Magalhães e seus respectivos times e colegas), por acreditarem na ideia, pela confiança e por transformarem uma ideia em realidade;
Ao Autoentusiastas pelo espaço para publicar este relato, fomentar a ideia e usar as redes sociais para divulgar a aventura enquanto acontecia;
À agência Latitude 4×4 e ao Júnior Teixeira pelo convite para participar da Expedição do Rally dos Sertões 2025.
Veja o vídeo de encerramento e agradecimento:
https://youtu.be/05vCTgSmCWk?si=lKjQdFhD6lcJFef1
Cronograma dos dias com o GWM Tank 300:
| Sequência | Data | Descrição / Trajeto / Atividade |
|---|---|---|
| 1 | 21/07 | Retirada do Tank 300 na GWM do Brasil e gravação de vídeo de introdução |
| 2 | 22/07 | Preparação do carro, equipamentos e bagagem |
| 3 | 23/07 | São Paulo (SP) – Uberlândia (MG) |
| 4 | 24/07 | Uberlândia (MG) – Goiânia (GO) |
| 5 | 25/07 | Vila Sertões – Goiânia (GO) – Rampa de Largada |
| 6 | 26/07 | Vila Sertões – Goiânia (GO) – Prólogo e Super Prime |
| 7 | 27/07 | Expedição – Dia 1 – Goiânia (GO) – Chapada Gaúcha (MG) |
| 8 | 28/07 | Expedição – Dia 2 – Chapada Gaúcha (MG) – Itacarambi (MG) |
| 9 | 29/07 | Expedição – Dia 3 – Itacarambi (MG) – Bom Jesus da Lapa (BA) |
| 10 | 30/07 | Expedição – Dia 4 – Bom Jesus da Lapa (BA) – Xique-Xique e Irecê (BA) |
| 11 | 31/07 | Expedição – Dia 5 – Irecê (BA) – Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) |
| 12 | 01/08 | Expedição – Dia 6 – Juazeiro (BA) – Paulo Afonso (BA) |
| 13 | 02/08 | Expedição – Dia 7 – Paulo Afonso (BA) – Praia do Francês (AL) |
| 14 | 03/08 | Expedição – Dia 8 – Praia do Francês (AL) – Rampa de Chegada |
| 15 | 04/08 | Retorno – Dia 1 – Praia do Francês (AL) – Penedo (AL) |
| 16 | 05/08 | Retorno – Dia 2 – Penedo (AL) – Aracaju (SE) – Mangue Seco (BA) |
| 17 | 06/08 | Retorno – Dia 3 – Mangue Seco (BA) – Feira de Santana (BA) |
| 18 | 07/08 | Retorno – Dia 4 – Feira de Santana (BA) – Mucugê (BA – Chapada Diamantina) |
| 19 | 08/08 | Retorno – Dia 5 – Mucugê (BA) – Monte Azul (MG) |
| 20 | 09/08 | Retorno – Dia 6 – Monte Azul (MG) – Grão Mogol (MG) |
| 21 | 10/08 | Retorno – Dia 7 – Grão Mogol (MG) – Betim (MG) |
| 22 | 11/08 | Retorno – Dia 8 – Betim (MG) – São Paulo (SP) |
| 23 | 12/08 | São Paulo (SP) |
| 24 | 13/08 | São Paulo (SP) – visita à RW Garage |
| 25 | 14/08 | São Paulo (SP) – Trilha das Águas e Trilha da Placa (Cajamar – SP) |
| 26 | 15/08 | Iracemápolis – inauguração da fábrica da GWM no Brasil |
| 27 | 16/08 | São Paulo (SP) |
| 28 | 17/08 | Atibaia (SP) – Pedra do Coração e Fazenda Paraíso |
| 29 | 18/08 | São Paulo (SP) – devolução do GWM Tank 300 |
Playlist no YouTube – 40 vídeos no total (alguns não estão apresentados nesta matéria):
https://www.youtube.com/playlist?list=PLpjNhrGYmmQfV3spMwIP4moQGb0H2wayP
Créditos: todos os vídeos, exceto onde indicado, são do acervo do autor
Abraços 4×4
LFC (@luisfcarqueijo)





