Fechado o terceiro trimestre do ano, os números não são muito animadores. Os emplacamentos totais registraram recuo de 0,4% em relação ao 3º trimestre do ano passado, lembrando que de janeiro a março eles estavam 7,2% superiores ao mesmo período de 2024. Esse recuo vem lento e gradual e foi amenizado pelo aumento das vendas diretas de leves e pelo programa Carro Sustentável.
O tom da reunião da Anfavea com os cadernos econômicos e especializados, na reunião do último dia 8, foi de certa preocupação, em que pese as projeções para o restante do ano estarem mantidas, i.e., crescimento nos licenciamentos de leves entre 2,5 e 3,0%.
Pode parecer contraditório números em crescimento e apreensão dos executivos dos fabricantes. Quem cresceu mesmo no varejo foram os eletrificados das marcas chinesas, BYD com 44% e GWM 39%, VW também (+17%), mas misturada com recuperação de volumes e ultimamente com a boa aceitação de seu novo suve compacto Tera. Fato é que, quando precisa empurrar volume para as vendas diretas para garantir ocupação da capacidade produtiva só saem satisfeitos os grandes frotistas, que exploram seus descontos, deteriorando as margens.
O programa Carro Sustentável do governo federal vem fazendo seu papel, eleitoreiro e de ajuda à indústria. Os modelos de entrada, que são os que mais vinham sofrendo queda de emplacamentos, agora puxam um adicional de 5.000 carros/mês ao total de automóveis, que encerraram setembro com 178.572 unidades.

Ao todo, licenciaram-se 243.230 autoveículos novos, sendo 231.489 leves e 11.752 pesados. Comparando com os primeiros nove meses de 2024, automóveis cresceram 3,1%, comerciais leves +4%, caminhões têm queda de 7,6% nos registros e ônibus um incremento de 8%, também graças aos programas de incentivo do governo federal (Caminho da Escola). A despeito de o Banco Central não sinalizar queda da taxa Selic para os próximos 12 meses, a indústria se prepara para crescer outros 3% no ano que vem, segundo nota da Fenabrave.
Mais importados chineses tomando mercado dos fabricantes locais são compensados com mais exportações, que vêm se recuperando em seus principais mercados (México e Argentina), prevê-se o ano fechará com crescimento de 5% na produção.
Os 231.478 leves de setembro puxaram crescimento de 7,8% com relação a agosto e com mesmo número de 21 dias úteis tivemos 11.023 licenciamentos diários, nosso principal parâmetro para entender o comportamento do mercado.

Abaixo no gráfico de emplacamentos diários nos anos 20-25 vemos que a curva flexionou novamente para cima no mês de setembro, e os responsáveis por isso foram novamente as vendas diretas, que já somam mais da metade das vendas de leves, 52,1% em setembro.

No varejo, apesar do recuo com relação ao ano passado, os números não estão ruins, em setembro tivemos 94.273 emplacamentos, outro respiro importante.


Na tabela de vendas diretas e varejo por fabricantes vê-se a BYD em 7º lugar no total, no varejo ela já é a 6ª marca. Com a interrupção de produção na fábrica de motores da Toyota, teremos algumas mudanças no ranking até o final do ano ocasionadas por esse desastre climático e normalização a partir de 2026.

Novos entrantes nos eletrificados, Omoda Jaecoo e GAC vêm somando volumes interessantes.


Na tabela do programa Carro Sustentável, somente Kwid e Mobi estão 100%, nos demais modelos temos uma mistura com versões não contempladas pelo benefício. A tabela nos ajuda a compreender melhor o impacto total dos incentivos tributários (0% de IPI) e quais modelos vêm apresentando melhor desempenho depois de julho. Lembrando que no mês imediatamente anterior à implementação, a soma desses mesmos modelos apontava queda de 7,3% sobre mesmo junho de 2024 (46.338 vs 50.004). Em setembro o Onix Plus também registrou aumento de emplacamentos, Quem tem aproveitado melhor até o momento são a Hyundai, com o HB20 e HB20S e a Fiat, com o Argo.

RANKING DO MÊS E DOS TRÊS TRIMESTRES
Fiat na frente, com 47.246 emplacamentos, sente a aproximação da VW, com 39.686, depois Chevrolet, com 25.706, Hyundai com 19.004, Toyota com 16.108, Renault, Jeep, BYD na cola, Honda, Nissan fechando os dez primeiros. No acumulado do ano, Fiat com 384.628 unidades licenciadas, +4%, num mercado que se expandiu 3%, depois VW, com 305.907 (+11%), Chevrolet, Hyundai, Toyota, Renault, Jeep, BYD, Honda e Nissan.
Honda, que acaba de relançar o WR-V no mercado brasileiro, deve ganhar participação num segmento já bastante concorrido.
Nos automóveis, Polo na frente, 10.647, parece haver sentido impacto do sucesso de seu irmão suve, o Tera, que já figurou em 4º e desbancou o T-Cross como suve mais vendido da marca. Argo veio em 2º, 9.484, HB20 em 3º (8.796), depois Tera, Corolla Cross, Onix, Kicks (soma das duas versões), Creta, Tracker e Kwid fechando os dez primeiros, cinco suves no meio.
Nos comerciais leves a Strada (foto de abertura) veio em mês forte também, 13.876 unidades, Saveiro surpreendente com 8.154, Toro em 3º, 5.174, Hilux em 4º, 4.066, Ranger em 5º, abrindo certa distância de sua arquirrival, a S10, depois Fiorino, Rampage, Montana e Master.
Setembro foi um mês bom para muitos modelos e outubro aponta para ser outro igual, o que é saudável para o setor.
Até mês que vem!
MAS









