O desfecho da temporada 2025 do Campeonato Mundial de Endurance da FIA (FIA-WEC), disputado neste sábado no circuito de Sakhir, no Bahrein, consagrou a Ferrari como a nova campeã mundial de construtores e de pilotos na classe Hypercar, e a Porsche como vencedora do campeonato da categoria LMGT3.
Foi um fechamento de temporada digno da história do endurance: técnica, precisão e consistência prevaleceram sobre a velocidade pura.

Ferrari 499P: consistência e execução impecável
Em sua terceira campanha na categoria principal desde o retorno ao WEC, a Ferrari impôs ritmo e constância ao longo de toda a temporada. O 499P nº 51, guiado por Antonio Giovinazzi, James Calado e Alessandro Pier Guidi, selou o título com o quarto lugar na 8 Horas do Bahrein, suficiente para manter a liderança no campeonato após vitórias consecutivas nas provas iniciais.
O resultado encerra um hiato de 53 anos sem títulos mundiais de endurance para a marca de Maranello, que não vencia desde o antigo World Sportscar Championship de 1972.
A Ferrari fechou o campeonato com 74 pontos de vantagem sobre a Toyota, e monopolizou o pódio da tabela de pilotos, com o carro nª 51 campeão, o carro 83 AF Corse (Robert Kubica, Phil Hanson e Yifei Ye) em segundo, e o carro nª 50 (Antonio Fuoco, Nicklas Nielsen e Miguel Molina) em terceiro.
“Mesmo antes da bandeirada, eu já estava em lágrimas”, confessou James Calado, agora tetracampeão mundial. “O esforço coletivo desde 2023 foi imenso. Este resultado mostra o quanto evoluímos em cada detalhe: do trem de força híbrido ao gerenciamento de pneus e consumo. É a recompensa de um trabalho de engenharia e espírito de equipe.”
O 499P demonstrou excelente eficiência aerodinâmica e térmica, com equilíbrio entre potência e durabilidade. O sistema híbrido e a calibração eletrônica refinada foram diferenciadores em pistas de alta carga, como Interlagos e Le Mans.

O título da Porsche Manthey 1st Phorm na LMGT3
Na classe LMGT3, a Porsche Manthey 1st Phorm confirmou o favoritismo e conquistou o título de equipes e pilotos com o trio Richard Lietz, Ryan Hardwick e Riccardo Pera, a bordo do 911 GT3 RS-R (992).
A equipe chegou à etapa final no Bahrein com margem segura graças às vitórias em Imola e Le Mans, e consolidou a conquista com o quarto lugar na corrida de encerramento, que garantiu 14 pontos de vantagem sobre a Ferrari VISTA AF Corse (carro nº 21) de Alessio Rovera, Simon Mann e François Hériau.

O triunfo na prova final ficou com o Akkodis ASP Team (carro nº 87) Lexus RC F GT3 (José María López, Clemens Schmid e Petru Umbrrescu), após resistir à pressão de Maxime Martin e da Iron Lynx Mercedes-AMG (carro nº 61) por apenas sete décimos de segundo. O resultado, porém, não alterou o destino do campeonato: a Manthey manteve a consistência que caracterizou toda a campanha, somando pontos em sete das oito etapas.
“Vencer a temporada da LMGT3 é algo especial”, destacou Richard Lietz. “A categoria mostrou competitividade real entre os GTs e exige um equilíbrio técnico muito fino. A base do 911 GT3 RS-R é sólida e responde bem às variações de pista e temperatura, foi o segredo do nosso ano.”
Um ciclo de evolução técnica
A etapa final também marcou a despedida da Toyota Gazoo Racing do posto de campeã mundial, mas com vitória de honra no Bahrein, confirmando a competitividade do GR010 Hybrid até a última corrida. A Ferrari, entretanto, foi inatingível na soma de desempenho e confiabilidade.
O FIA-WEC 2025 encerra-se como um marco técnico: a coexistência entre Hypercars híbridos e GT3 mostrou maturidade e estabilidade do regulamento. O sistema de Balance of Performance (BoP), ou Equilíbrio de Desempenho, atingiu alto grau de precisão, permitindo que marcas distintas disputassem vitórias por mérito técnico e operacional, como foi a vitória dos Cadillac em São Paulo.
A eficiência energética média das equipes Hypercar cresceu cerca de 7% em relação a 2024, reflexo da evolução de software, calibração híbrida e estratégia de regeneração em frenagens, uma tendência que se estende às futuras edições do campeonato.

Um encerramento histórico
Para quem acompanhou de perto, como eu, na 6 Horas de Imola, na 24 Horas de Le Mans e na 6 Horas de São Paulo, a temporada 2025 representou um ponto de virada no endurance mundial: alta tecnologia, regulamentos consolidados e a reafirmação do DNA técnico das grandes marcas.
A Ferrari, com o 499P, reviveu o espírito das glórias dos anos 1970, enquanto a Porsche reafirmou seu domínio em carros de produção com o 911 GT3 RS-R. Ambas traduzem o que há de mais refinado na engenharia aplicada à resistência: precisão, durabilidade e desempenho.
GB





