Acabei com o Renault Kardian — com o teste, melhor dizendo. Depois de 30 dias de convívio posso afirmar que este foi o melhor Renault que passou por minhas mãos nesta editoria, que explora um convívio mais extenso com os carros.
O Kardian, sabemos, é considerado um dos melhores suves de sua categoria. Possivelmente é o melhor, mas não posso afirmar isso com total propriedade por não ter testado seus rivais neste mesmo contexto, durante 30 dias.
Sua maior qualidade? Não há dúvida que é o bom casamento motor-câmbio. O tricilindro turbo de 999 cm3 fala grosso quando o pé vai ao fundo, e quando levado “na casquinha” consome pouco. Poucas vezes vi um tanque (de gasolina) chegar a quase 600 km, 1/3 deles em uso urbano. E quanto ao câmbio robotizado de duas embreagens… que espetáculo!

Estabelecidos os pontos altos, acrescento outras qualidades que ficam em patamar próximo: o design é agradável e a ergonomia excelente, o que torna as horas ao volante quase imperceptíveis, nada sofridas. O acerto dinâmico, leia-se tudo o que acontece em movimento e diz respeito ao sistema de direção, freios e suspensões, também merece destaque,
Agora ao que não é tão bom assim: o painel e bonitinho à primeira vista, mas… Com o passar do tempo, percebe-se que nenhuma das opções de visualização é realmente satisfatória. E, falando em informação, que tristeza o computador de bordo! Dados escassos e apenas um hodômetro parcial, uma economia que não é compreensível. Os Renault de outrora eram melhores neste item. Quanto ao sistema multimídia, a palavra que me ocorre é “razoável”.
A qualidade construtiva percebida ao verificar frestas uniformes entre portas, capô, porta de carga e a estrutura da carroceria oferecem uma impressão bem positiva. Idem a impressão do interior da cabine, que com o passar dos 30 dias não tornou enjoativa a forração dos bancos em duas cores — marrom café e preto. O que pareceu elegante diferenciador no começo permaneceu assim.
Porta-objetos em profusão, carregador de bateria de celular por indução e posição de dirigir confortável contribuíram para um bom convívio. Já a chave presencial, nem tanto. É do tipo cartão, presencial, o que indica que o ato de fechar ou abrir as portas não exige nenhuma ação. Mas não foi bem assim, pois em diversos momentos, sabe se lá por quê, foi preciso atuar nos botões do dispositivo para fechar e/ou abrir o Kardian. Bateria fraca? Pode ser.
http://Suspensão McPhwersom é robusta, mas os articuladores esféricos poderiam ser rmovíveis para faciliar a manutenção
Na tradicional oficina paulistana Suspentécnica o Kardian foi recebido com curiosidade e interesse por uma parcela do pessoal técnico, homens acostumados a colocar suas hábeis mãos na fina flor da produção mundial, carros tecnicamente requintados e com custo de aquisição — e de manutenção — direcionados para “o andar de cima” da população.
Mas o Kardian, como dito, os atraiu mais que Porsches ou Lamborghinis nos quais trabalham diariamente, mas que dificilmente poderão ir parar em garagens de vocês ou na minha, mas na sua talvez.
Primeira constatação da turma sobre as entranhas deste Renault, a visão inferior, é o cuidado aerodinâmico. Painéis plásticos proporcionam uma superfície uniforme, favorecendo o escoamento do ar o que ajuda melhorar o consumo de combustível. Outro ponto positivo assinalado foi a quase total ausência de marcas na porção inferior do para-choque dianteiro, sinal de que o ângulo de entrada do Kardian é adequado aos desníveis excessivos das vias brasileiras.
Já na parte de trás, causou certa perplexidade o tamanho do tanque recolhedor dos vapores de combustível duante o sbastecimento, exigência do PL-8 desde o início do ano. A peça é bem exposta na extremidade traseira direita do Kardian, portanto em posição vulnerável e potencialmente sujeita a danos.

Os olhos experientes miram, também, na curiosa cobertura plástica do eixo de torção fixada por robustas abraçadeiras de nylon (enforca-gato…) assim como na simplicidade da suspensão dianteira tipo McPherson, na qual os braços de controle (“bandejas”) são de aço estampado. Ao final da inspeção, um termo sobressaiu nos comentários: “arrumadinho!”, o que escancara a boa percepção causada pelo Kardian na turma de profissionais que tem como atividade diária a manutenção, conserto e ajuste de suspensões e freios.
Ao final, sou questionado sobre itens práticos como consumo, dirigibilidade, conforto, etc., e a percepção é que o “arrumadinho” vai além da mera consideração sobre o que se viu com o carro no elevador, a organizada e bem caprichada (aerodinamicamente falando) parte do Kardian que ninguém verá a não ser que se agache.
Enfim, todos gostaram do Kardian, e eu também gostei. Como dito no início, o melhor Renault dos últimos tempos, e merecedor de um conceito positivo que (ainda) não se refletiu nas vendas. O futuro dirá se o “boca a boca” e o sempre necessário constante aperfeiçoamento do que já é muito bom o colocará à frente na guerra com a concorrência. Consideração final: esta versão testada, a Iconic, topo de linha, custa mais de 151 mil reais. Porém, por cerca de 114 mil, há o Authentic, basicamente o mesmíssimo Kardian só que despido de um “requinte” que creio bem dispensável. Essencialmente o mesmo carro naquilo que ele tem de melhor, seu excelente conjunto motor-câmbio e grande eficiência dinâmica. Seria esta a boa escolha.
Assista ao vídeo:
Renault Kardian Iconc
Dias: 30
Quilometragem total: 1.127,9 km
Distância na cidade: 647,9 km (57%)
Distância na estrada: 480 km (43%)
Consumo médio: 8,9 km/l (87% gasolina – 13% álcool)
Melhor média (gasolina): 15,5 km/l
Melhor média (álcool): 11,2 km/l
Pior média (gasolina): 5,3 km/l
Pior média (álcool): 4,2 km/l
Litros consumidos: 126,51
Preço médio do litro: R$ 5,46
Custo: R$ 691,82
Custo do quilômetro rodado: R$ 0,61
Leia os relatórios anteriores: 1º semana 2ª semana 3ª semana
| FICHA TÉCNICA RENAULT KARDIAN ICONIC 2026 | |
| MOTOR | |
| Designação | Turbo TCe |
| Descrição | 3 cilindros, dianteiro, transversal, bloco e cabeçote de alumínio, duplo comando de válvulas no cabeçote, corrente, variação de fase na admissão e escapamento, 4 válvulas por cilindro, atuação indireta por alavancas-dedo roletadas apoiadas em fulcros hidáulicos, injeção direta sob pressão de 200 bar, turbocarregador com interresfriador ar-ar, pressão de admissão 1,5 bar relativa, válvula de alívio elétrica, volante de duas massas, flex |
| Cilindrada (cm³) | 999 |
| Diâmetro dos cilindros e curso dos pistões )mm) | 72,2 x 81,3 |
| Potência máxima (cv/rpm, G/A) | 120/125 / 5.000 |
| Torque máximo (m·kgf/rpm, G/A) | 20,4 / 2.000 // 22,4 / 2.250 |
| comprimento da biela / relação r/l | n.d. |
| Taxa de compressão (:1) | 11,0 |
| Densidade de potência (cv/L, G/A)) | 120,1 / 125,1 |
| Densidade de torque (m·kgf/L, G/A) | 20,4 / 22,4 |
| CÂMBIO | |
| Fabricante/modelo | Magna-Getrag DW23 |
| Tipo | Transeixo com câmbio robotizado automático de 2 embreagens imersas em óleo, 6 marchas com trocas também manuais sequenciais por borboletas no volante, e ré |
| Relações das marchas (:1) | 1ª 3,891; 2ª 2,647; 3ª 1,792; 4ª 1,219; 5ª 0,825; 6ª 0,561; ré 3,718 |
| Relação do diferencial (:1) | 4,647 |
| SUSPENSÃO | |
| Dianteira | Independente McPherson, braço de controle triangular, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra antirrolagem |
| Traseira | Eixo de torção, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra antirrolagem integrada ao eixo. |
| DIREÇÃO | |
| Tipo | Pinhão e cremalheira eletroassistida indexada à velocidade |
| Relação de direção (:1) | n.d |
| Voltas entre batentes | 3,2 |
| Diâmetro mínimo de curva (m) | 10,9 |
| Diâmetro do volante de direção (mm) | 365 |
| FREIOS | |
| Atuação | Hidráulica com dois circuitos em diagonal, ABS |
| Dianteiros (Ø mm) | Disco ventilado / 258, pinça flutuante de um pistão |
| Traseiros (Ø mm) | Tambor aletado / 203 |
| De estacionamento | Eletromecânico |
| RODAS E PNEUS | |
| Rodas | Liga de alumínio 17″ |
| Pneus | 205/55 R17V |
| CONSTRUÇÃO | Monobloco em aço, suve, 4 portas, 5 lugares, subchassi dianteiro |
| DIMENSÕES EXTERNAS (mm) | |
| Comprimento | 4.119 |
| Largura sem/com retrovisores | 1.747 / 2.025 |
| Altura sem/com barras no teto | 1.544 / 1.596 |
| Entre-eixos | 2.604 |
| Bitola dianteira/traseira | 1.517 / 1.509 |
| Distância mínima do solo | 209 |
| Balanço dianteiro/traseiro | 828 / 687 |
| AERODINÂMICA | |
| Coeficiente de arrasto (Cx) | 0,38 |
| Área frontal (m²) | 2,26 |
| Área frontal corrigida (m²) | 0,85 |
| ÂNGULOS (º) | |
| Entrada | 20 |
| Saída | 36 |
| Transposição de rampa | 12 |
| PESOS E CAPACIDADES | |
| Peso em ordem de marcha (kg) | 1.186 |
| Capacidade de carga (kg) | 443 |
| Porta-malas (L, VDA) | 358 (1.304 com banco traseiro rebatido) |
| Tanque de combustível (L) | 50 |
| CONSUMO DE COMBUSTÍVEL (km/L, Inmetro) | |
| Urbano (G/A) | 13,1 / 9,0 |
| Rodoviário (G/A) | 13,9 / 9,7 |
| DESEMPENHO | |
| Aceleração 0-100 km/h (s, G/A) | 10,7 / 9,9 |
| Velocidade máxima (km/h, G/A) | 180 (limitada) |
| CÁLCULOS DE CÂMBIO | |
| V/1000 em 6ª, pneu 205/55 R17 (km/h) | 46,1 |
| Rotação a 120 km/h em 6ª (rpm) | 2.600 |
| Vel. máx. em cada marcha a 5.500 rpm (km/h) | 1ª 37; 2ª 54; 3ª 80; 4ª 117; 5ª 180 (a 5.770 rpm) |
| MANUTENÇÃO | |
| Revisões (km/tempo) | 10.000/ 1 ano |
| Troca do óleo do motor (km/tempo) | 10.000/ 1 ano |
| Troca de óleo do câmbio (km/tempo) | 90.000 / 6 anos |
| Troca do fluido das embreagens | Não troca, vida-toda |






