Há quem diga, caso do ex-piloto Martin Brundle, que as alterações no regulamento da F-1 para 2026 “são a maior mudança na história da categoria”. Verdade ou mentira, os novos carros (foto de abertura) trazem são inúmeras as novidades referentes a sistemas como aerodinâmica, dimensões, motores e até mesmo pneus em relação às últimas temporadas. Historicamente, situações como essa criam condições para uma nova relação de equilíbrio entre as equipes, que este ano serão 11, cortesia da estreia da Cadillac. A temporada inicia dia 8 de março, em Melbourne (Austrália), mas antes disso estão previstas três sessões de testes: dias 29 e 30 de janeiro, com portões fechados no circuito de Barcelona (Espanha), e 11 a 13 e 18 a 20 de fevereiro no autódromo de Sakhir, no Bahrein. Uma seleção de ilustrações divulgadas pela Federação Internacional do Automóvel (FIA) e pela Fórmula 1 mostram as principais alterações. Este vídeo, com narração em inglês, complementa a explanação.
Quando um novo regulamento entra em vigor são maiores as chances de ver soluções diferentes em cada modelo, mas durante a temporada as melhores soluções são copiadas e os carros voltam a ficar mais parecidos. O vídeo acima, com narração em inglês, traz uma explicação bem detalhada sobre todas as mudanças. De uma forma ou de outra, as novas dimensões e normas técnicas que entraram em vigor este ano proporcionam alguma liberdade de criação aos projetistas. Os monopostos deste ano são menores, mais estreitos e 30 kg mais leves e as asas dianteiras e traseiras têm partes móveis (flapes, como nas asas de aviões) e têm perfil simplificado. O acionamento das asas será livre em todo o circuito.

Junto com a simplificação obrigatória dos difusores de ar sob a parte central do chassi, os engenheiros da FIA esperam produzir um escoamento de ar com turbulência mínima e consequentemente facilitar que os carros andam mais agrupados, oferecendo um espetáculo mais emocionantes. Também contribuirá para isso a eliminação das coberturas sobre os pneus dianteiros, algo que os pilotos nunca gostaram. Carros e pneus mais estreitos e com melhor visibilidade à frente deverão proporcionar disputas mais equilibradas em pistas travadas e estreitas, particularmente nos circuitos de rua.

Outro ponto importante nas mudanças deste ano diz respeito ao trem de força. O motor de combustão interna (ICE na sigla em inglês), que continua sendo um V-6 e com cilindrada de 1,6 litro e com potência estimada em torno de 544 cv e alimentado com combustível renovável produzido a partir de lixo urbano, biomassa gerada a partir de elementos não comestíveis e captura de carbono. O custo desse combustível, porém, é fonte de discussão entre equipes e a FIA: seu custo por litro pode chegar a US$ 300,00, cerca de R$ 1.600,00 o litro…
A potência final é a soma da produzida pelo ICE e os cerca de 475 cv produzidos pelo motor elétrico, o que dá um total de pouco mais de 1.000 cv. Apesar da eliminação do recuperador de energia térmica (MGU-H) por questões de custos praticidade, a capacidade de gerar energia cinética aumentou em 100% a cada volta. A utilização total dessa potência será possível com a utilização dos modos ultrapassagem e “boost”, este último quando a diferença para o carro que vai à frente for igual ou inferior a um segundo.

Também houve alterações em temos de segurança: o “santantônio” (arco de proteção) agora deve suportar uma carga 23% maior e o bico dianteiro agora pode ser descrito como um atenuador de impacto de duas fases, aproximadamente localizadas nos primeiros dois terços e no último terço dessa peça. A largura da asa dianteira foi drasticamente reduzida, complementando as alterações para criar fluxo de ar mais limpo.

WG
A coluna “Conversa de pista” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.
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