O Roar Before the Rolex 24, nome do tradicional ensaio geral — roar de rugido, barulho em inglês — para as 24 Horas de Daytona, voltou a cumprir em 2026 seu papel estratégico no calendário do IMSA WeatherTech SportsCar Championship: oferecer às equipes a primeira leitura real de desempenho, confiabilidade e equilíbrio técnico antes da largada da prova de resistência mais emblemática dos Estados Unidos.
Realizado entre os dias 16 e 18 de janeiro, o evento reuniu mais de 60 carros no Daytona International Speedway, divididos entre as classes GTP, LMP2, GTD PRO e GTD num intenso programa de sessões que misturou testes longos, simulações noturnas e voltas rápidas de referência.
No topo da pirâmide técnica, a classe GTP concentrou naturalmente os holofotes, e mais uma vez a Porsche se apresentou como o principal parâmetro do paddock. Ao longo do Roar, os Porsches 963 da equipe Porsche Penske Motorsport, vencedores da prova no ano passado, lideraram diversas sessões, evidenciando um conjunto extremamente bem resolvido em termos de eficiência aerodinâmica, estabilidade nas curvas de alta do famoso trioval externo e tração consistente no trecho misto interno de Daytona.

Dentro desse contexto, o brasileiro nascido em Brasília há 33 anos Felipe Nasr voltou a ocupar posição de destaque. Integrante do programa oficial da Porsche na GTP, Nasr esteve entre os mais rápidos desde as primeiras atividades do fim de semana, ajudando a estabelecer o ritmo de referência da classe. Mais do que a busca por uma volta isolada, o trabalho do brasileiro ficou claramente orientado para a consistência em turnos de pilotagem longos, leitura de desgaste de pneus e validação de acertos que deverão ser levados praticamente sem mudanças para a longa corrida — um indicativo claro de confiança no pacote técnico apresentado pela equipe.
Embora Cadillac e BMW tenham conseguido liderar sessões pontuais ao longo do Roar, o balanço geral reforçou a Porsche como referência técnica na GTP. As diferenças de tempo relativamente pequenas indicam um cenário competitivo, mas com a marca alemã partindo alguns passos à frente em termos de refinamento do conjunto e previsibilidade de comportamento ao longo de longos períodos de pista.
Na classe GTD PRO, a atenção se voltou para o trabalho de preparação das equipes num ambiente naturalmente mais sensível a ajustes finos e ao equilíbrio de desempenho. O brasileiro Daniel Serra integra o programa do Ferrari nº 62 para a 24 Horas de Daytona. No Roar, o foco da categoria esteve menos em tempos absolutos e mais em gerenciamento de pneus, comportamento do carro em tráfego intenso e validação de estratégias de corrida — fatores que tradicionalmente pesam mais do que a velocidade pura em provas de longa duração.

O trabalho desenvolvido ao longo do fim de semana reforçou a expectativa de uma GTD PRO altamente equilibrada, na qual execução, consistência e leitura estratégica tendem a ser decisivas. O Ferrari nº 62 surge inserido nesse contexto competitivo, apostando na solidez do conjunto e na experiência de seus pilotos para a prova principal.
Já na classe LMP2, o Roar teve papel fundamental como etapa de consolidação dos projetos que disputarão a prova. Entre eles, o carro que reúne Pietro Fittipaldi e Enzo Fittipaldi, que dividem a mesma equipe e o mesmo protótipo. Para a dupla brasileira, o ensaio geral representou um momento-chave de alinhamento técnico, entrosamento e definição de procedimentos operacionais, como trocas de pilotos, comunicação com os engenheiros e entendimento do comportamento do carro em diferentes fases de uma simulação de corrida.
A LMP2 voltou a se mostrar uma das classes mais equilibradas do evento, com diferenças mínimas entre os carros nas folhas de tempos divulgadas. Esse cenário reforça a importância de um ritmo médio sólido, previsível e confiável — exatamente o tipo de abordagem buscada pelas equipes ao longo do Roar, onde o foco esteve claramente na preparação para 24 horas de prova, e não em desempenhos isolados.
Outro brasileiro integrado às atividades do fim de semana foi Felipe Fraga, envolvido no programa do Mustang GT3 em Daytona. O Roar serviu como parte do processo de preparação técnica e operacional da equipe antes da largada da 24 Horas, especialmente relevante em um circuito de características tão particulares quanto o de Daytona, que combina longos trechos de alta velocidade com um setor interno técnico e exigente, além de intenso tráfego entre classes.

Dudu Barrichelo, uma das revelações do FIA-WEC 2025, faz sua estreia no IMSA pela mesma equipe que o consagrou no Mundial, a Heart of Racing Team, a bordo do Aston Martin Vantage GT3 Evo nº 27. É outra grande chance de pódio para o Brasil na categoria GT Daytona.

De forma geral, o Roar Before the Rolex 24 de 2026 deixou um panorama bastante claro. A Porsche se consolida como referência na classe GTP, com Felipe Nasr novamente figurando entre os protagonistas do grid; as classes GT e LMP2 apresentam elevado grau de equilíbrio, onde execução e estratégia devem se sobrepor à velocidade pura; e os projetos que contam com brasileiros chegam à semana da corrida integrados a estruturas competitivas e com programas de preparação bem definidos.
Mais do que tempos de volta, o Roar reafirmou a essência de Daytona: uma prova decidida pela soma de confiabilidade, leitura estratégica, eficiência operacional e capacidade de adaptação ao longo de 24 horas. Um cenário que historicamente favorece equipes bem organizadas — e que prepara o terreno para mais uma edição em que a corrida propriamente dita começa muito antes da bandeira verde.

AE e Curva 3 em Daytona
Esta edição da 24 Horas de Daytona terá um significado especial para mim. Será a minha primeira experiência acompanhando a prova presencialmente, credenciado como jornalista/fotógrafo pelo AUTOentusiastas e pela Curva 3, com acesso direto ao paddock, boxes e bastidores do evento.

Além do acompanhamento em tempo real ao longo do fim de semana, pretendo publicar um texto analítico após a classificação e, outro ao final da corrida, uma análise completa da prova, contextualizando desempenho, estratégia e momentos-chave nas 24 horas, acompanhadas de fotos exclusivas feitas diretamente no circuito.
Durante todo o final de semana, imagens, vídeos e impressões imediatas estarão sendo compartilhados pelo meu Instagram, @gersonborini, para quem quiser acompanhar Daytona por um olhar próximo e pessoal.
GB




