Ainda faltam dois meses para o início da temporada 2026 da Fórmula 1, dia 8 de março em Melbourne (Austrália) e a Ferrari conseguiu o melhor tempo nos testes realizados semana passada em Barcelona. Várias equipes, porém, já iniciaram uma guerra de bastidores contra as especificações dos motores da Mercedes (foto de abertura) e da Red Bull-Ford, mesmo que os resultados desse ensaio sejam ainda pouco claros em relacão ao verdadeiro potencial de cada escuderia. Toto Woll, austríaco que comanda a equipe alemã, não perdeu tempo em “recomendar” que seus rivais deixem de escrever cartas secretas e passem a se concentrar no que acontece em suas casas. A queixa maior diz respeito a uma solução técnica que permite aproveitar melhor o uso do combustível através de um processo que aumenta a taxa de compressão do motor a combustão e gera maior potência.

Na história recente da F-1 a Mercedes demonstra maior capacidade no desenvolvimento de novos motores. Um dos segredos para isso é a pesquisa com protótipos funcionais de motores de um único cilindro usados para avaliar o desempenho. Mais recentemente esse processo foi refinado com a utilização de programas mais refinados de análise e medição mais precisos. O uso de peças construídas em impressoras 3D também contribui nessa agenda.
O regulamento atual da F-1 alterou a relação incidente sobre a geração de potência entre os motores a combustão e elétrico: a partir deste ano esse índice é próximo à igualdade, com vantagem para o processo térmico. Enquanto o primeiro é alimentado por combustível sintético e renovável, o segundo surge da recuperação de energia cinética a partir dos freios. O funcionamento do motor a combustão é limitado ao consumo de 70 kg/h, sendo que o reservatório de combustível pode ter, no máximo, capacidade para conter 155 litros. Este índice é variável em função da temperatura ambiente e na densidade do combustível.
Entre outros itens que configuram o regulamento técnico da categoria, existe a limitação da taxa de compressão em 16:1, ou seja, comprimir em até16 vezes o volume de cada cilindro. Maior compressão significa melhor aproveitamento térmico, mas essa taxa é verificada com o motor em temperatura ambiente. É sabido que o calor mais faz a massa dilatar e vice-versa. No passado, para contornar a limitação da capacidade do tanque de combustível as equipes congelavam a gasolina para ganhar litros extras.
Atualmente a comunidade da F-1 alega que a Mercedes e a Red Bull-Ford conseguiram equacionar a dilatação de peças internas do motor, como pistões e bielas, para aumentar a taxa de compressão. O pulo do gato está no fato que quando o motor está em temperatura de utilização, essas peças dilatam-se e aumentam a taxa de compressão. Como ainda é impossível fazer medições do tamanho daquelas peças e o regulamento determina que isso será feito em temperatura ambiente, não se pode dizer que as duas marcas fazem algo ilegal. Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, Toto Wolff, líder da equipe Mercedes, diz que seus motores — também usados pelas equipes Alpine, McLaren e Williams —, atendem perfeitamente o regulamento da categoria: “O conteúdo do regulamento é muito claro e 
Wolff: “Preocupem-se com o que vocês têm em casa.”(Foto: Mercedes)
e descreve muito bem os métodos e procedimentos. Nossa unidade de potência corresponde ao que está escrito nesse regulamento.”
Wolff destacou ainda que seus rivais “estão mantendo encontros e escrevendo cartas secretas na tentativa de inventar procedimentos que não existem.” O assunto certamente vai movimentar as duas sessões de teste pré-temporada marcadas para o Bahrein, de 11 a 13 e de 18 a 20 de fevereiro.
Doohan volta

O australiano Jack Doohan, que perdeu seu lugar na equipe Alpine para o argentino Franco Colapinto na sexta etapa de 2025, foi anunciado como novo piloto de testes e desenvolvimento da equipe Haas, que tem forte ligação com a Toyota. Doohan vai dividir a carga de trabalho com o japonês Ryo Hirakawa, que também cumpriu função semelhante no time francês.
WG
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