O lançamento do Tiggo 5X já como ano-modelo 2027 não é apenas mais uma atualização de meio de ciclo. A CAOA Chery promove uma evolução técnica perceptível e, ao mesmo tempo, adota um posicionamento comercial ousado que tem potencial para impactar não só os suves compactos zero-quilômetro, mas também o aquecido mercado de usados na faixa de R$ 100 mil a R$ 140 mil.
Rodamos cerca de 50 quilômetros com a versão PRO, a topo de gama e, mais do que impressões superficiais, foi possível observar pontos técnicos relevantes — positivos e críticos — que ajudam a entender onde o modelo realmente se posiciona.

Dinâmica veicular
A direção com assistência elétrica é um dos elementos que mais evidenciam a personalidade do carro. No modo Conforto, a assistência é bastante elevada. Em manobras urbanas isso facilita, mas em deslocamentos mais rápidos a sensibilidade pode parecer excessiva para quem prefere maior carga no volante.
Ao selecionar o modo Sport, o cenário muda. A direção ganha peso, o centro fica mais bem definido e a sensação de precisão melhora sensivelmente. É como se o carro apresentasse duas personalidades distintas: uma urbana e outra mais rodoviária; e essa dualidade é bem-vinda.

A arquitetura com suspensão McPherson na dianteira e multibraço na traseira continua sendo um diferenciador técnico frente a concorrentes que ainda utilizam eixo de torção. O controle de rolagem é adequado, a estabilidade direcional é segura e não há sensação de carroceria solta.
O acerto geral é confortável sem ser muito mole. Contudo, há uma crítica importante: a capacidade de absorção de impactos curtos poderia ser melhor. Na versão PRO, equipada com rodas de 18 polegadas e pneus 225/55 R18, as emendas de pontes, remendos de asfalto e tachões são transmitidos com nitidez à cabine e até causa certo incômodo.
Não chega a comprometer o conforto global, mas revela o típico compromisso entre estética, controle de carroceria e conforto vertical. Em pisos urbanos irregulares, isso fica evidente.

Motor e câmbio: conjunto bem-casado
O motor quatro-cilindros montado na transversal de 1,5-l turbocarregado flex mantém os 150 cv de potência máxima e 22,75 m·kgf de torque máximo, números coerentes para a categoria. O mérito maior está na calibração do CVT de nove marchas, que trabalha de forma mais harmônica do que em gerações anteriores. A dirigibilidade geral do conjunto é bem agradável sem apresentar situações de falta de potência ou hesitações nas reduções de marchas.

O efeito elástico comum aos CVTs é menos pronunciado e as retomadas são lineares. Em condução urbana, o torque aparece cedo e garante agilidade adequada. Em rodovia, o conjunto mantém rotações estáveis e transmite sensação de eficiência.
Ainda não há qualquer sistema híbrido associado ao conjunto. Considerando o movimento do segmento, é plausível imaginar que a marca venha a introduzir uma versão MHEV ou HEV ao longo do ciclo do modelo. Por ora, o conjunto puramente térmico atende bem à proposta.

Adas: completo e pouco intrusivo
A versão PRO entrega um robusto pacote de segurança e assistência avançada ao motorista: sete bolsas infláveis, incluindo uma central, além de frenagem autônoma com detecção de pedestres e ciclistas, controle de cruzeiro adaptativo, monitoramento de ponto cego e alerta de tráfego transversal traseiro.
Na prática, os sistemas atuam de maneira progressiva e não invasiva. O comportamento é previsível e transmite confiança. A única observação crítica está na necessidade de reconfigurar preferências a cada ciclo de uso diário do veículo, um detalhe que afeta a experiência cotidiana e poderia ser resolvido por software.

Interior: boa ergonomia e percepção de categoria superior
O painel integrado de 20,5 polegadas em Full HD concentra quadro de instrumentos e multimídia numa peça panorâmica bem resolvida. A conectividade sem fio funciona de forma fluida para Android Auto e Apple CarPlay e a interface é clara e intuitiva.

Os bancos dianteiros em formato concha sustentam bem o corpo, oferecendo bom suporte lateral. Na traseira, o espaço para as pernas é compatível com o entre-eixos de 2.610 mm, estando dentro do padrão do segmento, sem milagres.
O revestimento que imita couro tem toque agradável e reforça a percepção de qualidade. A presença de ar-condicionado de duas zonas com saída de ar climatizado para a traseira é um diferenciador. O carregador por indução é de 50 W e o teto panorâmico é item exclusivo para o Brasil, que não estava no carro apresentado no Salão do Automóvel, ampliando o pacote de itens de conforto.
Um ponto tecnicamente acertado é a manutenção de botões físicos para funções essenciais, incluindo o controle automático de descida. Em termos ergonômicos, isso facilita o uso em situações reais, especialmente em piso escorregadio.
A alavanca de câmbio tipo joystick permite trocas em modo manual, agregando controle adicional quando desejado.
Dimensões e apelo visual
Com 4.338 mm de comprimento e porta-malas de 340 litros, o Tiggo 5x permanece alinhado aos padrões do segmento. A estrutura com suspensão traseira independente segue sendo um diferenciador técnico concreto.

A nova grade do radiador é mais ampla e alinha-se aos demais suves da marca. A iluminação é totalmente em LED, incluindo as luzes de rodagem diurna desde a versão de entrada. As lanternas traseira evoluíram, mostrando muito mais tecnologia em LED, e a barra iluminada amplia a percepção de largura do veículo.

O fator decisivo: preço e impacto no mercado
Aqui está o ponto mais estratégico do lançamento.
Com preço promocional (até o final do mês) a partir de R$ 119.990 na versão Sport e R$ 134.990 na versão PRO, o Tiggo 5x 2027 desafia o mercado de maneira destemida. E não apenas contra suves compactos zero-quilômetro de marcas consolidadas.
Hoje, entre R$ 100 mil e R$ 140 mil, o consumidor encontra suves seminovos com três ou quatro anos de uso, muitas vezes sem pacote Adas completo, com garantia chegando ao seu final ou inexistente e, em vários casos, com suspensão traseira por eixo de torção.
Ao oferecer um modelo zero-quilômetro com sete anos ou 150 mil km de garantia, pacote de segurança avançado e bom nível de tecnologia embarcada, a CAOA Chery passa a disputar também o cliente que tradicionalmente migraria para o seminovo.
Num cenário de crédito ainda seletivo e consumidor mais racional, a garantia longa deixa de ser apenas argumento de marketing e passa a ser componente decisivo de valor residual e segurança patrimonial.

O segmento de suves compactos é hoje o mais disputado do mercado brasileiro. Margens apertadas, guerra de versões e equipamentos e um consumidor cada vez mais informado tornam o posicionamento de preço decisivo. Nesse ambiente, a CAOA Chery escolheu não competir apenas por design ou tecnologia, mas por proposta de valor. E isso muda o jogo, especialmente para quem estava olhando o mercado de usados.
Conclusão: produto sólido, estratégia inteligente
O Tiggo 5x 2027 não revoluciona o segmento, mas mostra evolução técnica consistente. A direção em modo Sport é convincente, o conjunto motor-câmbio está bem harmonizado, a suspensão entrega bom equilíbrio estrutural e o pacote de segurança é bem completo.
Há críticas legítimas: a absorção de impactos curtos poderia ser melhor, e a lógica de memorização dos sistemas avançados de auxílio ao motorista precisa evoluir. Mas, no conjunto, o modelo demonstra maturidade.

O movimento mais relevante, porém, está no posicionamento. Ao entrar na casa dos R$ 120 mil com esse nível de conteúdo e sete anos de garantia, o Tiggo 5x deixa de ser apenas mais um suve compacto e passa a desafiar diretamente tanto os rivais zero-quilômetro quanto o mercado de usados qualificados.
E, nesse cenário, a pergunta que fica para o consumidor é simples: faz sentido levar um usado de três anos com menos tecnologia e menor garantia, quando um zero-quilômetro oferece mais conteúdo por valor semelhante?
Essa é a provocação real que o Tiggo 5x 2027 traz ao segmento.
GB
Ficha Técnica – CAOA Chery Tiggo 5x 2027
Motorização e câmbio
| Motor | 1,5 TCI Turbo Flex, 4 cilindros em linha, 16 válvulas | |
| Potência máxima | 150 cv | |
| Torque máximo | 22,75 m·kgf | |
| Câmbio | CVT de 9 marchas | |
| Tração | Dianteira | |
Dimensões e capacidades
| Comprimento | 4.338 mm | |
| Largura | 1.831 mm | |
| Altura | 1.652 mm | |
| Entre-eixos | 2.610 mm | |
| Porta-malas | 340 litros | |
| Tanque | 51 litros | |
Suspensão, direção e freios
| Dianteira | McPherson com amortecedor pressurizado e barra antirrolagem | |
| Traseira | Multibraço com amortecedor pressurizado e barra antirrolagem | |
| Direção | Assistência elétrica indexada à velocidade | |
| Freios dianteiros | Disco ventilado | |
| Freios traseiros | Disco | |
Rodas e pneus
| Sport | PRO | |
| Rodas | 17” | 18” |
| Pneus | 215/60 R17 | 225/55 R18 |
Equipamentos e tecnologia
| Item | Sport | PRO |
| Android Auto e Apple CarPlay sem fio | • | • |
| Ar-condicionado digital duas zonas | – | • |
| Banco do motorista com ajustes elétricos | • | • |
| Carregador por indução de 50 W | – | • |
| Joystick de câmbio com modo manual | • | • |
| Painel integrado 20,5″ Full HD | • | • |
| Saída de ar climatizado para banco traseiro | • | • |
| Teto solar panorâmico | – | • |
Segurança e Adas
| Item | Sport | PRO |
| 7 bolsas infláveis (inclui central) | – | • |
| Alerta de tráfego transversal traseiro | – | • |
| Assistente de permanência na faixa | – | • |
| Controle eletrônico de estabilidade | • | • |
| Controle de cruzeiro adaptativo | – | • |
| Frenagem autônoma de emergência | – | • |
| Monitoramento de ponto cego | – | • |
Garantia
7 anos ou 150.000 km, o que ocorrer primeiro (ambas as versões).
Preços de lançamento (até o final do mês)
Sport: R$ 119.990
PRO: R$ 134.990



