A primeira motocicleta da Royal Enfield com motor bicilindro que conhecemos por aqui foi a Interceptor 650, que chegou acompanhada por sua versão estilo café racer, a Continental GT. Isso foi em 2020. De estilos totalmente “road”, ou seja, feitas para o asfalto, as duas 650 ocuparam seu lugar na hierarquia motociclística até que começaram a chegar suas variações, como a Super Meteor 650, de estilo custom, em 2024, e a Shotgun 650, de estilo roadster, quase uma bobber, em 2025.
A família 650 ainda vai ser completada com a Classic 650 e a Goan 650, duas versões vintage da mesma motocicleta, mas a versão que acaba de chegar, talvez a mais aguardada, é a Royal Enfield Bear 650.

A nova Royal Enfield Bear 650 chega com o estilo scrambler, que é aquele que, historicamente, adaptou motocicletas exclusivamente “road” ao uso no fora de estrada, com alguns “truques” simples que, naquele momento, satisfaziam as necessidades desse tipo de pilotagem.
Algumas motocicletas japonesas que começaram a chegar por aqui em meados dos anos 60 tinham as suas versões scrambler, que contistiam, a grosso modo, em suspensões ligeiramente mais altas, guidão mais largo e algumas proteções adicionais, como a de farol e a de motor. Uma característica que marcou as motocicletas scrambler nesse período foram os escapamentos saindo por cima do motor, para que não roçassem o solo em uma pilotagem em terrenos irregulares.
As motocicletas scrambler de dois cilindros, então, se notorizaram por terem dois escapamentos saindo por cima e do mesmo lado, às vezes cromados e com proteção para as pernas do piloto e do garupa. Isso forneceu a imagem mais icônica das motocicletas scrambler daquela época.

A nova Royal Enfield Bear 650 é, sim, uma scrambler, mas com a particularidade de ter seus dois escapamentos, que também saem para o lado direito, mas por baixo, como em motocicletas comuns.
O resultado visual pode não ser o esperado, com aquele jeitão ousado que as scrambleres da Triumph ostentam, mas a ponteira preta é de extremo bom gosto. É a primeira vez que uma motocicletas Royal Enfield tem um escapamento do tipo dois-em-um.

A Royal Enfield Bear 650 tem como base a Royal Enfield Interceptor 650, e é mesmo considerada da família da Interceptor (a Royal Enfield Shotgun 650, por sua vez, é baseada na custom Super Meteor 650). Mas algumas modificações foram feitas para que a Bear pudesse ter desempenho satisfatório no fora de estrada, como o quadro reforçado e a suspensão dianteira Showa com garfo invertido.
Além da maior distância livre do solo, a Bear tem suspensões de maior curso, a dianteira de 130 mm e a traseira de 115 mm, com pneus dotados de uma certa adaptabilidade no fora de estrada. As rodas são raiadas e os pneus, com câmara, são de medidas 100/90-19 na frente e 140/80-17 atrás.

O motor da Bear recebeu uma calibração específica para sua finalidade, com um pouco mais de torque em médias rotações, o que torna a pilotagem em estradas irregulares bem mais controlável. Trata-se de um bicilindro de comando único no cabeçote com 648 cm3 de cilindrada, 47,4 cv de potência a 7.150 rpm e 5,7 m•kgf de torque a 5.150 rpm. O câmbio é de seis marchas, como na Interceptor, mas, com três dentes a mais na coroa, a Bear tem relação final mais curta.

A Royal Enfield Bear 650 estreia também na linha 650 o novo painel de instrumentos Tripper Dash, de TFT, como na Himalayan e na Guerrilla, com integração com o Google Maps e comando no punho esquerdo do guidão. Toda iluminação é com leds e o sistema antitravamento ABS pode ser desligado na roda traseira, para melhor desempenho no fora de estrada.

No asfalto, a Royal Enfield Bear 650 se mostrou bastante estável e confortável, mesmo com os pneus com uma ligeira pegada off-road. O mesmo se pode dizer para os caminhos de terra, apesar de que nesse aspecto não podemos esperar um comportamento totalmente off-road, justamente devido aos pneus de uso misto mais “on” do que “off”.

Mais do que tudo, a nova Royal Enfield Bear 650 tem uma presença visual muito imponente, talvez uma característica das scramblers, que, neste caso, é reforçada pelos number-plates nas duas laterais, onde, historicamente, os pilotos pintavam seus números ao participarem de uma prova.
Por falar em corridas, a inspiração da Royal Enfield Bear veio justamente daí, mais exatamente quando, em 1960, um rapaz de 16 anos chamado Eddie Mulder venceu 765 competidores na corrida Big Bear Run pelo deserto de Mojave, com uma Royal Enfield Fury 500.
A Royal Enfield Bear 650 já está disponível para venda na rede da marca, com preço a partir de R$ 33.990, para a versão amarela (Wild Honey), R$ 34.490 para a versão intermediária (Golden Shadow, a mais discreta) e R$ 34.990 para a versão de topo (Two Forty Nine, ou 249, justamente o número da motocicleta de Eddie Mulder na prova Big Bear Run).
GM


