O Citroën Basalt é hoje um dos pilares da operação da marca no Brasil. Posicionado como um suve-cupê dentro do concorrido segmento dos compactos (B-SUV), ele rapidamente assumiu papel central na estratégia comercial da Citroën e já responde por mais da metade das vendas da marca no país.
Para reforçar a atratividade do modelo, a nova versão Basalt Dark Edition assume o posto de topo de gama e adiciona um pacote visual exclusivo sem alterar a arquitetura mecânica do carro.
Disponível por R$ 116.990, a versão combina o já conhecido conjunto mecânico Turbo 200 com acabamento escurecido e alguns detalhes estéticos que buscam reforçar o caráter urbano e esportivo do modelo.

Visual escurecido e personalidade própria
A proposta visual do Basalt Dark Edition segue uma tendência já bastante explorada pela indústria: acabamentos escurecidos e elementos estéticos que reforçam a aparência esportiva.
Entre os diferenciadores da versão estão:
- rodas de liga de alumínio 16-polegadas pintadas de preto
- logotipos e molduras em tom escurecidos
- pedaleira esportiva
- soleiras exclusivas
O detalhe mais característico é o pequeno destaque em vermelho no aerofólio na traseira chamado Andre Red, referência ao fundador da marca, André Citroën.

O modelo também introduz a cor cinza Sting Gray com teto preto, além das opções preto Perla Nera e cinza Grafito com teto contrastante.
O design do Basalt continua sendo um elemento que divide opiniões. O perfil de suve-cupê chama atenção e desperta curiosidade, mas também provoca certa rejeição estética em parte do público. É possível imaginar que a reação poderia ser diferente se o mesmo produto carregasse outra marca dentro do portfólio Stellantis.
Hoje a Citroën ocupa claramente o papel de marca de entrada do grupo Stellantis, e essa percepção inevitavelmente influencia a forma como o público enxerga o produto.
Espaço interno e porta-malas como diferenciadores
Se o estilo divide opiniões, o aproveitamento de espaço interno é um ponto forte mais consensual.
O Basalt mede 4.343 mm de comprimento, 1.741 mm de largura e 1.585 mm de altura, com 2.645 mm de entre-eixos, dimensões que permitem um bom equilíbrio entre tamanho externo e espaço interno.

Na prática, há espaço suficiente para quatro adultos viajarem com conforto, tanto na dianteira quanto no banco traseiro.
Outro destaque importante está no porta-malas de 490 litros (padrão VDA), um dos maiores da categoria. Esse volume de bagagem reforça o caráter familiar do modelo e pode ser um fator decisivo para quem busca um carro compacto por fora, mas com boa capacidade de acomodar bagagem.

O interior da versão Dark Edition segue a mesma proposta visual do exterior, com predominância de acabamento escuro. Os bancos utilizam revestimento em tecido premium preto com costuras vermelhas contrastantes, que também aparecem no volante e em alguns detalhes do painel.
Entre os equipamentos principais estão:
- quadro de instrumentos digital TFT de 7″
- central multimídia de 10,25″
- espelhamento sem fio Android Auto e Apple CarPlay
- ar-condicionado automático digital
- câmera de ré e sensores traseiros
- duas portas USB-C para passageiros traseiros

Mecânica conhecida
Sob o capô está o já amplamente utilizado motor Turbo 200 da Stellantis.
Trata-se de um três-cilindros de 999 cm³, com diâmetro de 70 mm e curso de 86,5 mm — característica típica de motores com curso relativamente longo, favorecendo torque e potência em baixas rotações.

A potência máxima é de 125/130 cv a 5.750 rpm, enquanto o torque máximo é de 20,4 m.kgf já a 1.750 rpm, independentemente do combustível.
Um dos pontos técnicos interessantes desse motor é o uso do sistema Multiair III, que controla eletronicamente a abertura e o tempo das válvulas de admissão por meio de um sistema eletro-hidráulico. Essa solução permite variar continuamente o enchimento dos cilindros, contribuindo para eficiência e resposta em diferentes regimes de carga.
O câmbio é um CVT de sete marchas, enviando potência para as rodas dianteiras através de um diferencial de relação 5,698:1.

Pequeno ponto de refinamento mecânico
Como já esperado desse conjunto, o desempenho do Basalt é adequado ao segmento. A aceleração de 0 a 100 km/h ocorre em 9,6 segundos com álcool e 10 segundos com gasolina, enquanto a velocidade máxima fica próxima de 200 km/h.

Durante a semana de avaliação, porém, surgiu um pequeno detalhe de refinamento mecânico que poderia ser melhorado.
Em algumas situações de marcha-lenta, especialmente parado em semáforos, foi possível perceber uma leve oscilação na rotação do motor. Não é algo que comprometa o funcionamento, mas é indevido e incômodo para quem observa o comportamento mecânico com mais atenção. Esse comportamento provavelmente poderia ser corrigido com um ajuste mais refinado na calibração do motor

Suspensão bem equilibrada
O Basalt utiliza uma mecânica bastante convencional dentro da categoria.
A suspensão dianteira é independente do tipo McPherson, enquanto a traseira utiliza eixo de torção, ambos com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos pressurizados.
Na prática, o conjunto entrega um equilíbrio interessante entre conforto e estabilidade.
O carro absorve bem irregularidades do piso e mantém comportamento previsível em rodovias. A calibração das suspensões dianteira e traseira apresenta boa harmonia de frequências de trabalho, evitando movimentos longitudinais excessivos da carroceria.

A direção com assistência elétrica também se destaca positivamente. O peso do volante é baixo em manobras e ganha firmeza em velocidades mais altas, transmitindo sensação adequada de controle.
O Basalt apresenta altura livre do solo de 208 mm, número relativamente generoso que ajuda na utilização em pisos irregulares e reforça a proposta de suve urbano.

Sistemas de assistência simples, mas funcionais
Os sistemas de assistência ao motorista são relativamente básicos para os padrões atuais.
O modelo traz controle de cruzeiro, limitador de velocidade, monitoramento da pressão dos pneus e assistente de partida em rampa, mas é desprovido de assistência mais avançada ao motorista.

Um detalhe curioso está no quadro de comandos lateral à esquerda da coluna de direção, onde ficam os acionamentos do controle de velocidade e do modo Sport. Como essa área fica parcialmente escondida pelo volante, o acesso aos comandos poderia ser mais intuitivo e facilitado.
O modo Sport altera a resposta do acelerador e, em determinadas situações, torna a condução um pouco mais agradável.

Uma proposta coerente dentro da estratégia da Citroën
O Basalt Dark Edition reforça claramente a atual estratégia da Citroën no Brasil: oferecer produtos com bom espaço, estilo diferenciado e preço competitivo.
Dentro dessa proposta, o modelo entrega um conjunto bastante equilibrado.
O carro é confortável, tem bom espaço interno, porta-malas generoso e desempenho mais que adequado ao uso cotidiano. O visual pode dividir opiniões e pequenos refinamentos mecânicos ainda poderiam elevar a percepção de qualidade.

Mesmo assim, considerando o posicionamento da marca e o preço praticado, o Basalt Dark Edition se mostra uma opção racional para quem busca entrar no maravilhoso mundo do carro zero-quilômetro.
Especialmente para famílias pequenas que estão dando o primeiro passo rumo a um carro novo, ele consegue entregar uma combinação interessante de espaço, conforto e custo-benefício.
GB




