Um sedã à altura dos melhores motoristas.
Certa vez um fã disse ao humorista Bussunda, do programa “Casseta e Planeta”:
— Cara! Invejo o seu trabalho!
— Meu trabalho? Deixe de bobeira. Você deveria era invejar as minhas férias, isso sim é que é bom! – de pronto o Bussunda respondeu.
Há pouco mais de um mês testei o XC40, um ótimo suve da Volvo, e com certeza gostei, porém bastou dirigir por um quarteirão o sedã S60 para perceber que essa era uma máquina que me daria outro nível de prazer, muito mais completo. E assim voltamos à conversa do Bussunda: se o leitor autoentusiasta me invejou por eu ter passado uma semana com o XC40, deveria invejar muito mais por agora tê-lo feito com o S60.

Os suves que me desculpem. A cada dia estão melhores, porém os sedãs igualmente evoluem e continuam largamente superiores em questão de dirigibilidade. A maioria dos motoristas não se dá conta disso, por ser um tanto vaga sua conexão com o automóvel, e essa é uma das razões de se vender tanto suve.
Vale ressaltar que quando comparamos o prazer de dirigir um suve ao de um sedã, não é justo fazê-lo entre marcas e níveis diferentes. Um suve Porsche Cayenne deve ser comparado a um sedã Porsche Panamera, um BMW X5 deve ser comparado a um BMW Série 5, um Chevrolet Tracker a um Chevrolet Cruze, e assim por diante. Quando assim se faz constata-se que os sedãs continuam proporcionando mais prazer ao autoentusiasta; isso para não falarmos dos esportivos, que nesse assunto estão outro degrau acima.

Fazia já uns bons anos que não dirigia um Volvo, e quando peguei o XC40 me impressionou o quanto os carros da marca haviam evoluído, e evoluído em tudo. Então de imediato veio tremenda curiosidade por dirigir um sedã da marca, e a oportunidade veio com este sedã S60; e mesmo que o modelo tenha sido substituído dia 20 de junho último pelo modelo 2019, em lançamento mundial, vale a pena conhecer este 2018, já que o novo só chegará ao Brasil no ano que vem. E vale lembrar que custará bem mais.
Abro um parêntese para explicar que a marca surgiu em 1927 e pertencia à famosa fabricante de rolamentos suecos SKF. Em 1999 passou para as mãos da Ford Motor Company, com quem ficou dez anos, para então passar a ser uma empresa do grupo chinês Geely, justamente quando surgiu este S60, portanto um projeto Ford e com o DNA de uma marca notória pelos carros bons de chão. A segunda geração do S60, que se despediu há dez dias, veio em 2010, e a perua V60, um ano depois.

Esta versão em teste, a T4 Momentum, custa R$ 175.950, e a versão Kinetic, R$ 161.950, sendo que a Kinetic usa o mesmo trem de força e sua única diferença em termos de dinâmica é ter rodas de aro 17, o que acho mais recomendável para uso no Brasil, pois o perfil mais alto dos seus pneus suaviza o rodar e também estão menos sujeitas a danos. Já a Momentum usa aro 18, pneus 235/40R18W, mais recomendável para o piso da Suécia. Porém são superiores em termos de aderência e agilidade, e este veio com excelentes Michelin Pilot Sport 3 o que faz o carro parecer imantado ao chão.

Volvo é “carro de tiozão”? Esqueça isso. Já foi, mas não o é mais. Gostei tanto do “chão” desse carro, ou seja, do seu comportamento, do seu chassi e suspensão, que fiz questão de passar à noite na casa do Bob para que ele desse uma guiada. Rodamos uns 60 quilômetros, pegamos também estrada, e, interessante, ele só deu uma acelerada forte e isso lhe bastou. A maior parte do tempo sua atenção e deleite estavam concentrados no excelente chassi. Motor forte, hoje em dia, é “fácil” fazer. Já um excelente chassi sempre será uma arte, que, infelizmente, não é devidamente apreciada pela maioria.

E freios! Como freia bem! Usa discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira. Tudo bem, mas isso também é fácil — pinças fortes mordendo grandes discos freia qualquer roda —; o difícil é dar bom comportamento ao carro diante da freada, e nisso este S60 é exemplar. Equilibrado, suave, estável, seguro. Pedal do freio suave, bom de dosar. A segurança em velocidade depende intrinsecamente de como o carro freia e desvia, e este S60 é realmente bom nisso.

A direção, cujo volante tem ampla regulagem de altura e distância, tem assistência elétrica variável. Peso correto, sempre.
O câmbio automático epicíclico é Aisin de 6 marchas. Trabalha à perfeição. Tem quatro modos de programação: Eco, Normal, Sport e Manual. Todos bem distintos e definidos. Após uma semana pegando cidade e estradas, concluí que, para o meu gosto, na a cidade o Eco é o ideal; uma porque é mais econômico em combustível e outra porque segue ainda mais suave. Em estradas de pista dupla, velocidade constante, também, com a vantagem de, nesse modo, e só nesse modo, ele passar à roda-livre, ou seja, em muitas situações, ao se tirar aceleração o câmbio entra em ponto-morto e a rotação cai à marcha-lenta, o que ajuda na economia de combustível. Vai no embalo, aproveita a inércia em vez de desperdiçá-la.

Já em estradas de pista simples, com necessidade de repentinas acelerações, o modo Normal se mostrou ideal, pois o câmbio fica mais, digamos, esperto. Já o modo Sport, que entra ao se deslocar a alavanca para a esquerda, vai bem numa subida de serra. E o modo Manual entra quando em Sport aciona-se as borboletas ou dá-se um toque para trás (-) ou para frente (+) na alavanca. Para sair do Manual basta pressionar a borboleta direita por dois segundos, quando então ele volta para o Sport automático.
Em todas as posições citadas basta uma acelerada a fundo para que o câmbio baixe para a marcha que dará a maior aceleração possível. Estando em modo automático ele aceita os comandos das borboletas. Ao reduzir marchas vem aceleração interina ideal para suavizar a redução. Ótimo câmbio. A 120 km/h a rotação em 6ª marcha é 2.300 rpm.

E a 2.300 rpm o turbo já está empurrando faz tempo, pois o platô do torque máximo de 30,5 m·kgf já começa a 1.300 rpm, e vai a 4.000 rpm. Os 190 cv de potência máxima do motor designado T4 Drive-E aparecem a 4.700 rpm, e seguem nitidamente noutro platô, tanto que o motor vai a 6.200 rpm para então subir marcha automaticamente, seja lá em que modo o câmbio estiver.
A injeção é direta. O carro é um belo foguete. Pesa 1.621 kg e acelera o 0 a 100 km/h em 7,2 segundos, segundo a Volvo, e atinge 230 km/h de máxima. Para evitar multas por excesso de velocidade é conveniente, apesar de enfadonho para mim, usar o controle automático de velocidade, pois o carro rola tão suave e silencioso, a cabine é tão bem isolada, o S60 é tão bem plantado no chão, que há pouca diferença entre estar a 120 ou 150 km/h.

O motorista e o passageiro contam regulagem elétrica dos bancos e seus cintos de segurança têm ajuste da altura da ancoragem. Os de trás têm saídas de climatização localizadas nas colunas. O espaço atrás é ótimo para duas pessoas, já que a do meio irá contrariada.
Como é cada vez mais comum, o quadro de instrumentos é configurável:
O porta-malas é que é meio decepcionante, diante do tamanho do carro. São só 380 litros, mesmo tendo estepe de uso temporário. Já o tanque de combustível pega 67 litros e meio, o que em vista do consumo dá grande autonomia. O sistema stop-start é facilmente desligado através de uma tecla no painel. Já para desligar o controle de tração é aquela ladainha de entrar no computador de bordo, configurações, etapas e mais etapas que tomam um tempo que em certas situações é precioso.

Consumo. Só gasolina. Segundo o Inmetro, faz 10,5 km/l na cidade e 12.6 km/l na estrada. Meu consumo, pelo computador de bordo, bateu com o oficial, se bem que num trecho de 40 quilômetros na rodovia Ayrton Senna ele fez 14,8 km/l rodando a constantes 120 km/h indicados. Consome pouco e anda muito.

Logo cedinho, parado num posto de combustível à beira da estrada e ajeitando a câmera para filmar o S60, um caminhoneiro recém-desperto desceu de seu caminhão. Veio com a cara amassada, pasta e escova de dentes na mão, e toalha dobrada no braço de munheca peluda e grossa.

— Tive um caminhão Volvo — disse ele — foi o melhor que tive. Se o caminhão é bom daquele jeito, imagino esse carro.
— E tem os suves Volvo, também… — eu ia dizendo, imaginando que caminhoneiro gostasse de suve.
— Não, não, não… — ele me cortou — Para passear com a família eu tenho um sedã. Caminhão é para trabalho. Gosto de dirigir.
E não foi por causa da sua munheca de gladiador romano que imediatamente concordei com ele…
Assista ao vídeo:
Nota: para quem deseja um sedã, mas não o pode ter por necessitar de maior compartimento de bagagens, é lembrar que há a bela e elegante perua V60…
AK
| FICHA TÉCNICA DO VOLVO S60 T4 MOMENTUM | |
| MOTOR | |
| Desgnação | T4 Drive-E |
| Arquitetura de motor | 4 cilindros em linha, bloco e cabeçote de alumínio, duplo comando de válvulas, correia dentada, variador de fase na admissão, 4 válvulas por cilindro, injeção direta, turbocompressor com interresfriador, gasolina |
| Instalação | Dianteiro, transversal |
| Diâmetro x curso (mm) | 82 x 93,2 |
| Cilindrada (cm³) | 1.969 |
| Taxa de compressão (:1) | 11,3 |
| Potência máxima (cv/rpm) | 190/4.700 |
| Torque máximo (m·kgf/rpm) | 30,5/1.300-4.000 |
| TRANSMISSÃO | |
| Câmbio | Transeixo automático epicíclico Aisin Warner TF-71SC de 6 marchas à frente e uma à ré |
| Relações das marchas (:1) | 1ª 4,044; 2ª 2,371; 3ª 1,556; 4ª 1,159; 5ª 0,852; 6ª 0,672; ré 3,193 |
| Relação de diferencial (:1) | 3,365 |
| FREIOS | |
| De serviço | Hidráulico, duplo circuito em diagonal, servoassistido |
| Dianteiro s(Ø mm) | Disco ventilado/336 |
| Traseiros (Ø mm) | Disco/302 |
| Controle | ABS (obrigatório), EBD e assistente à frenagem |
| SUSPENSÃO | |
| Dianteira | Independente, McPherson, braço transversal, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora |
| Traseira | Independente, multibraço, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora |
| DIREÇÃO | |
| Tipo | Pinhão e cremalheira, eletroassistida indexada à velocidade |
| Diâmetro mínimo de curva (m) | 11,3 |
| Relação de direção | n.d. |
| RODAS E PNEUS | |
| Rodas | Liga de alumínio 7Jx18 |
| Pneus | 235/40R18W |
| PESO | |
| Em ordem de marcha (kg) | 1.621 |
| CARROCERIA | |
| Tipo | Monobloco em aço, sedã 3-volumes, 4 portas, 5 lugares, subchassi dianteiro e traseiro |
| DIMENSÕES EXTERNAS (mm) | |
| Comprimento | 4.635 |
| Largura sem/com espelhos | 1.865/2.097 |
| Altura | 1.484 |
| Distância entre eixos | 2.776 |
| Bitola dianteira/traseira | 1.588/1.585 |
| Distância mínima do solo | 130 |
| CAPACIDADES (L) | |
| Porta-malas (VDA) | 380 |
| Tanque de combustível | 67,5 |
| DESEMPENHO | |
| Velocidade máxima (km/h) | 230 |
| Aceleração 0-100 km (s) | 7,2 |
| CONSUMO DE COMBUSTÍVEL INMETRO/PBVE | |
| Cidade (km/l) | 10,5 |
| Estrada (km/l) | 12,6 |
| CÁLCULOS DE CÂMBIO | |
| V/1000 em 6ª (km/h) | 52,2 |
| Rotação a 120 km/h em 6ª | 2.200 |
| Rotação à velocidade máxima. em 6ª (rpm) | 4.400 |
| EQUIPAMENTOS VOLVO S60 T4 MOMENTUM |
| ÁUDIO E NAVEGAÇÃO |
| Comando de voz |
| Controle do sistema de áudio no volante |
| Entrada de áudio auxiliar AUX , USB e IPOD |
| Mostrador central de 7″ com DVD player |
| Sensus Navigation – sistema de navegação GPS |
| Sistema de áudio de alta performance 4*45W, 8 alto-falantes e Bluetooth |
| BANCOS |
| Banco do motorista com regulagem elétrica e memória |
| Banco do passageiro com regulagem elétrica |
| Bancos com revestimento em couro |
| Bancos dianteiros com suporte lombar elétrico |
| CLIMATIZAÇÃO |
| Ar-condicionado digital bizona |
| Sistema de qualidade de ar multiativo |
| Teto solar elétrico |
| INSTRUMENTOS |
| Quadro de instrumentos digital 8″ personalizável com três temas |
| SEGURANÇA |
| Alarme |
| Assistente de frenagem de emergência |
| Aviso de cintos de segurança dianteiros desatados |
| Bolsas infláveis frontais para motorista e passageiro (obrigatórias) |
| Bolsas infláveis laterais para motorista e passageiro |
| Chave integrada com controle remoto de travamento |
| Cintos de segurança com pré-tensionadores |
| Cortinas laterais infláveis |
| Engates Isofix dois bancos infantis |
| Freios com ABS (obrigatório), distribuição eletrônica das forças de frenagem e auxílio às frenagens de emergência |
| Frenagem de emergência automática a até 50 km/h |
| Sistema de proteção contra impactos laterais |
| Sistema de proteção contra lesões na coluna cervical |
| Sistema inteligente de informação |
| SISTEMAS DE TRAVAMENTO E PREVENÇÃO |
| Chave integrada com controle remoto de travamento |
| Luzes de aproximação e afastamento |
| Sensor de monitoramento interior |
| Trava elétrica para crianças nas portas traseiras |
| Travamento elétrico central para as portas |
| Vidros elétricos um-toque descida/subida nas quatro portas |
| SISTEMAS DE SUPORTE E TECNOLOGIA |
| Assistente de partida em aclive e declive |
| Borboletas no volante para troca de marcha |
| Câmera traseira de estacionamento |
| Computador de bordo |
| Controle automático de velocidade de cruzeiro |
| Direção eletroassistida com três ajustes de esforço |
| Função desliga/liga motor nas paradas (start/stop) |
| Função ECO+ |
| Sensor de chuva |
| Sensor de estacionamento dianteiro e traseiro |
| Sensus Connect – sistema de entretenimento e conectividade |
| Volante com regulagem de altura e distância |
| Volvo on Call |
| SISTEMAS DE ILUMINAÇÃO |
| Faróis com acendimento automático |
| Faróis de xenônio com controle direcional ativo |
| Lavador de faróis |
| Luzes sinalizadoras dianteiras em LED |
| INTERIOR |
| Apoio de braço dianteiro |
| Apoio de braço traseiro com porta-copos e porta-objetos |
| Espelho retrovisor interno eletrocrômico |
| Jogo de tapetes |
| Manopla da alavanca seletora de câmbio revestida em couro |
| Para-sóis com espelho e iluminação |
| Porta-copos no console dianteiro |
| Porta-objetos nas portas dianteiras |
| Porta-objetos no console central |
| Tomada 12 V no porta-malas |
| Volante revestido em couro e acabamento em alumínio |
| EXTERIOR |
| Espelhos retrovisores elétricos retráteis com desembaçador |
| Moldura dos vidros laterais com acabamento em alumínio |
| CHASSI |
| Controle avançado de estabilidade |
| Controle dinâmico de estabilidade e tração |
| Freio de estacionamento elétrico |
| RODAS |
| Rodas de alumínio Titania 18″ + 235/40 R18 |
| Sistema de monitoramento de pressão dos pneus |
| Estepe temporário |





