Antes de falar do novo A5, vamos explicar o que se passa com a nomenclatura da Audi.
A Audi decidiu abandonar a mudança feita em 2023 que tentava separar os modelos elétricos dos a combustão apenas por números pares e ímpares. A lógica era interessante no papel, mas na prática gerava confusão. Agora, a marca volta ao bom senso: a nova padronização global da nomenclatura será baseada exclusivamente em porte e posicionamento dos modelos, independentemente do tipo de motorização. Ou seja, os nomes dos carros voltam a indicar seu lugar na hierarquia da marca, e não o tipo de propulsão.
Segundo Marco Schubert, membro do board responsável por vendas e marketing da Audi AG, a decisão foi fruto de longas discussões e, principalmente, da escuta ativa de clientes e concessionários ao redor do mundo. A ideia é simples e eficaz: oferecer ao consumidor uma orientação mais intuitiva, em que as letras (como A ou Q) continuam a distinguir os tipos de carroceria (baixo ou alto), enquanto os números, de 1 a 8, indicam o porte do modelo, como sempre fizeram.
Com isso, os modelos elétricos e a combustão poderão compartilhar o mesmo nome-base, e a diferenciação acontecerá por meio de sufixos já consagrados: e-tron para os 100% elétricos, TFSI para os gasolina, TDI para os diesel e TFSI e para os híbridos plug-in. A identificação do estilo de carroceria (como Sedan, Avant ou Sportback) também ajuda a compor o nome completo do modelo. No fundo, trata-se de um retorno à lógica que sempre orientou as famílias da marca e assim manter a consistência.
Como curiosidade, marcas premium gostam de designar seus modelos com números, letras ou combinções de ambos. O racional é que assim o nome da marca se torna mais relevante do que o do modelo. Faz sentido mas não é regra.
O NOVO A5
Segundo a Audi, ele representa a virada de chave no mercado brasileiro. A expressão é ambiciosa, mas talvez sinalize a expectativa de disputar espaço com o BMW Série 3 ou repetir o sucesso do A4 no Brasil. O A5 sucede o A4 que tinha mais de trinta anos em seis gerações. A designação A5 surgiu na quarta geração do sedã como uma versão cupê, ou como a Audi a chamava, sportback. Agora com nova plataforma chega com novo e atraente design, maior em todas as dimensões, e um novo posicionamento.

Vale observar: apesar de a Audi chamá-lo de sedã, a tampa traseira com vidro integrado revela sua verdadeira natureza: é um sportback. Talvez a marca tenha perdido a chance de reforçar esse lado mais esportivo, já que tirando a BMW, que reina entre os sedãs, eu vejo o interesse por esse tipo de carroceria caindo muito.
A seguir selecionei alguns destaques do A5 que me chamaram mais a atenção.
Tampa traseira integra o vidro, como em um fastback
O sistema de abertura do porta-malas do novo A5 confirma a proposta funcional da carroceria sportback. O vidro traseiro se levanta junto com a tampa, o que melhora o acesso ao compartimento de 417 litros. Não é grande, mas graças a abertura enorme é muito funcional. Esse formato já era comum na Audi, mas nunca havia sido adotado oficialmente como um sedã na linha.
Motor EA888 evo5, pureza na combustão
Sob o capô está a evolução do conhecido motor 2.0 TFSI de quatro cilindros, agora na configuração evo5 com turbina de geometria variável. Entrega 272 cv entre 5.000 e 6.500 rpm e torque de 400 Nm (40,8 m·kgf) entre 1.600 e 4.500 rpm. O câmbio é o S tronic de 7 marchas e a tração é quattro com tecnologia Ultra. Acelera de 0 a 100 km/h em excelentes 5,9 segundos e tem velocidade máxima de 210 km/h. Nos dias de hoje, chamou minha atenção não haver nenhum tipo de assistência elétrica na motorização, nem mesmo sistema mHEV (híbrido leve).
Tração quattro Ultra
A tração quattro é um dos, senão o mais importante diferencial frente ao Série 3 da BMW. O nome Ultra me sugere algo com mais capacidade. Mas trata-se de um sistema mais eficiente do ponto de vista de consumo energético.
O sistema quattro Ultra combina segurança e desempenho da tração integral com a eficiência dos modelos com tração dianteira. Para isso, ele opera de forma inteligente e preditiva, mantendo o carro em tração dianteira a maior parte do tempo e acoplando o eixo traseiro apenas quando necessário, como em situações de perda de aderência, curvas mais rápidas ou acelerações intensas. O sistema utiliza duas embreagens, uma no final do cardã (desacoplando o eixo traseiro por completo) e outra dentro do diferencial traseiro. Quando o sistema entende que não há necessidade de tração integral, essas embreagens se abrem, eliminando completamente as perdas mecânicas de arrasto.

Isso resulta em uma redução de consumo de até 0,3 litro a cada 100 km, o que representa uma melhora de cerca de 0,3 a 0,5 km/l, dependendo do carro e das condições de uso. Por outro lado a tração 100% traseira do Série 3 é um diferencial para entusiastas mais puros.
Plataforma PPC Premium Platform Combustion
É o primeiro modelo da marca a ser vendido no Brasil com a nova arquitetura Premium Platform Combustion (PPC). A plataforma foi desenvolvida para os modelos à combustão de nova geração e traz ganhos de rigidez, modularidade e evoluções nos sistemas de suspensão e direção. A suspensão é esportiva, com acerto mais firme, e o A5 conta com direção com assistência progressiva.
Rodas RS de 20 polegadas e pacote S-Line
A versão única vendida no Brasil traz rodas Audi Sport aro 20″ com desenho de cinco raios Falx, dos modelos RS, acabamento em cinza acetinado fosco e pneus 245/35, isso, 35! Sem estepe. Lá no porta malas fica a bateria 12 v. Outros elementos de esportividade compostos no pacote S-line são os apliques escurecidos e o difusor traseiro com moldura preta.
Teto solar panorâmico fixo com transparência ajustável
O teto solar é fixo, mas com camada de cristal líquido com seis níveis de ajuste de transparência. É o mesmo conceito do teto do Q6 e-tron, ampliando a iluminação da cabine ou bloqueando a entrada de luz. Quando o veículo é estacionado, o sistema entra automaticamente em modo opaco, contribuindo para o conforto térmico e privacidade.
Interior digital e orientado para o motorista
O painel adota o conceito Digital Stage, com duas grandes telas: Audi Virtual Cockpit Plus de 11,9″ e o MMI touch com display OLED curvo de 14,5″, levemente inclinado para o condutor. Interface excelente e fácil de usar. Lá fora e no Q6 há uma tela exclusiva para o passageiro que no caso do A5 pacote Brasil não está disponível. Até que eu consiga usar uma tela assim tendo a vê-la como supérflua.
O design do painel e console é limpo e elegante, com comandos fáceis de usar. Volante com base e topo achatados. Os comandos das travas, espelhos, memórias dos bancos e iluminação estão agrupados na porta do motorista. Gostei disso. O sistema de som tem 10 alto-falantes e 180 W de potência. Os bancos, com formato esportivo e ajustes elétricos, trazem revestimento misto de couro e material sintético imitando-o, e o acabamento inclui alumínio escovado fosco nas molduras internas.
Versão única, sem opções
O A5 chega ao Brasil em versão única, sem pacotes adicionais nem opções individuais. Isso reflete uma estratégia clara da Audi do Brasil de priorizar conteúdo e valor percebido. Com essa abordagem, o A5 chega posicionado como um produto completo, direto ao ponto, evitando listas extensas de opcionais e facilitando o entendimento da oferta para o cliente. Isso inclui bancos esportivos com ajustes elétricos e memória, carregador por indução, assistente de permanência em faixa, controle de cruzeiro adaptativo, sistema de frenagem autônoma e teto panorâmico. Para manter um bom posicionamento de preços os faróis Matrix LED não estão disponíveis, mas na traseira as lanternas são em LED Pro com barra de luz contínua.
Oito cores sem custo adicional
Eu gosto muito quando o preço das cores faz parte do preço do carro. Todas as oito cores são oferecidas sem custo adicional. As opções são: branco Arkona (sólida), azul Ascari, Azul Firmamento, azul Horizonte, branco Geleira, preto Mito, vermelho Granadina (metálicas) e cinza Daytona (perolizada). O acabamento interno é preto.
Chegada em setembro por R$ 379.990
A pré-venda já está aberta na rede de concessionárias da marca. O modelo estará em exibição nas concessionárias já a partir da segunda quinzena de julho. As primeiras entregas estão previstas para setembro. O preço é R$ 379.990. Um pacote fechado, competitivo e coerente com o reposicionamento do modelo.
O A5 tem boas credenciais para ser atraente. Nova geração, um bom pacote tecnológico, desempenho, conforto e modernidade. Vamos agora ver como o mercado responde. E aguardar o nosso teste, já que não houve test drive durante o lançamento. O que eu mais gostei nele é ser um sportback, ter tração quattro e um design atraente, além do porte. Ele parece ser bem maior do que o A4, e é. Merece ser chamado de A5.

Ah, lá fora existe também a versão Avant. Esta deve ser bem mais funcional ainda que o sedã/sportback com um pequeno incremento no preço. Mas por alguma razão (chamada suve) as peruas passam longe da cabeça de consumidores normais. E também dos consumidores de sedãs.
Difícil entender o que se passa nesse imaginário coletivo. Mas quem sabe, se a gente inundar a caixa de entrada da Audi do Brasil pedindo a A5 Avant, eles se animem? Vale tentar.
PM
Onde me encontrar: Instagram, LinkedIn, AUTOentusiastas e Jornal Roda.





