A Jeep apresentou a atualização de meia-vida do Commander, seu suve grande com sete lugares, lançado em 2021 e desenvolvido no Brasil. O modelo 2026 estreia mudanças visuais externas e internas, incorpora novos equipamentos de conforto, conectividade e assistência à condução, e passa a ter redução de preço em todas as versões. A gama mantém as três motorizações já conhecidas: T270 turbo flex, Multijet 2,2 turbodiesel e 2,0 Hurricane a gasolina, com foco em diferentes tipos de uso e condução.
O Commander 2026 traz uma leve, porém cirúrgica atualização visual. Em modelos onde o desenho já é bem feito desde a introdução é mais difícil de se mexer, ou, se mexer muito e o conjunto pode “desandar”. Pois esse Jeep já nasceu elegante e bem desenhado. E por isso as alterações são sutis, porém muito bem elaboradas.

As novidades estão nos novos faróis com assinatura em LED redesenhada, grade do radiador com leve modificação nas sete fendas verticais, porém com elementos 3D, para-choque dianteiro reestilizado com um novo elemento geométrico que acomoda os faróis de neblina, e novas lanternas traseiras com iluminação em barra contínua em LED. O designer Peter Fasbender chamou a nova frente de shark nose, ou nariz de tubarão, pelo seu perfil. Todas as versões ganham novos modelos de rodas, todas atraentes. Esse conjunto de pequenas alterações modernizou o modelo.

Por dentro, as versões Overland turbodiesel e Blackhawk passaram a adotar o seletor de câmbio rotativo (rotary shifter), no lugar da alavanca tradicional, e receberam câmera 360°. O seletor tem um funcionamento excelente e fácil de usar. Seu acionamento é preciso e transmite qualidade. Já a câmera 360º, muitíssimo bem-vinda e funcional, mas infelizmente não tem o mesmo nível do sistema do Ford Bronco Sport e de alguns chineses.

A cabine mantém a configuração de sete lugares, com novos acabamentos: a Limited incorpora detalhes em cinza, e a Overland e a Blackhawk recebem couro e material tipo camurça em novas cores e texturas, além de bancos dianteiros com ajuste elétrico (dependendo da versão) e teto panorâmico. Já na época do seu lançamento em 2021 o interior do Commander me encantou. Os detalhes em camurça, cores, apliques, bancos, são melhores que no Compass e mais aconchegantes.

O sistema de assistência avançada ao motorista (Adas) nível 2 continua de série em todas as versões e inclui controle de cruzeiro adaptativo com função para e anda, alerta de colisão com frenagem autônoma, frenagem de emergência para pedestres, ciclistas ou motociclistas, detecção de ponto cego, detecção de tráfego transversal à retaguarda, alerta de mudança de faixa, detector de cansaço do motorista, reconhecimento de placas de velocidade, comutação automática de facho dos faróis e detecção de mãos fora do volante. Um belo conjunto de segurança e conforto.
Em termos de conectividade, o Commander segue com painel de instrumentos digital de 10,25″ (excelente) e central multimídia de 10,1″ (funcional, mas poderia ser um pouco maior), compatível com Alexa integrada (a partir da versão Limited). O modelo oferece Wi-Fi hotspot gratuito por 12 meses e nas versões mais equipadas o sistema Adventure Intelligence Plus, que permite monitoramento em tempo real do veículo e funções remotas de controle e diagnóstico via aplicativo. Um pacote completo de conectividade.
Na mecânica, o Commander 2026 mantém a mesma arquitetura, com três opções de motorização:
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T270 1.3 turbo flex: 176 cv e 27,5 m·kgf, câmbio automático de 6 marchas, tração dianteira e o sistema Jeep Traction Control+, que atua aplicando torque de frenagem na roda com baixa aderência e transferindo tração para a roda em contato com o solo. Para mim, a existência de Jeeps 4×2 é algo estranho. Mas pelo menos a Jeep emprega esse controle de tração um pouco mais avançado. Mas ainda não tive oportunidade de experimentá-lo.
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Multijet 2.2 turbodiesel: 200 cv e 45,9 m·kgf, câmbio automático de 9 marchas e tração 4×4 Jeep Active Drive Low, com seletor de terrenos, controle de descida e o painel com Jeep Off-Road Pages.
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Hurricane 2.0 turbo gasolina: 272 cv e 40,8 m·kgf, câmbio automático de 9 marchas, tração 4×4 Jeep Active Drive Low e sistema Performance Pages, com leitura de pressão do turbo, força G, potência e torque em tempo real.
Todas as versões com tração 4×4 mantêm os sistemas eletrônicos auxiliares e recursos como o controle de descida. A suspensão e a estrutura permanecen inalteradas, com foco em versatilidade para uso urbano e fora de estrada. A garantia continua sendo de cinco anos com assistência 24h em todo o Brasil. Um pacote bem interessante.

A Jeep também ampliou a lista de acessórios para o Commander, com mais de 40 itens disponíveis. Entre eles estribos laterais, engate de reboque integrado ao para-choque, tapetes com borda elevada, projetor de logo no solo, protetores de soleira com iluminação e retrovisores com rebatimento automático e função de abaixar orientação do direito ao elecionar ré.. As revisões seguem o padrão da marca: 12 mil km ou um ano para T270 e Hurricane, 20 mil km ou um ano para 2.2 turbodiesel, com plano de preço fixo.
Versões e preços:
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Longitude T270 – R$ 220.990 (redução de R$ 19 mil)
Faróis e lanternas de LED, rodas de 18″, novo para-choque dianteiro, abertura elétrica da porta de carga, seis bolsas infláveis, som Harman Kardon, bancos revestidos de couro preto, terceira fileira de bancos e Adas nível 2.
Commander Longitude -
Limited T270 – R$ 246.990 (redução de R$ 11 mil)
Adiciona Alexa integrada, Adventure Intelligence Plus, sete bolsas infláveis, monitoramento de ponto cego, carregador de bateria de telefone celudar por indução, bancos e painel em couro e material tipo camurça nas cores preto e cinza, banco do motorista com ajuste elétrico.
Commander Limited -
Overland T270 – R$ 273.990 (redução de R$ 7 mil)
Câmera 360°, rodas de 19″, bancos em couro e material tipo camurça marrom, banco do passageiro com ajuste elétrico, teto panorâmico, molduras inferiores pintadas, abertura do porta-malas com função mãos-livres, banco do motorista com memória.
Commander Overland Flex -
Overland 2.2 Turbodiesel – R$ 308.490 (redução de R$ 6 mil)
Inclui motor turbodiesel Multijet 2,2, câmbio com seletor rotativo, tração 4×4 Jeep Active Drive Low, seletor de terrenos, Jeep Off-Road Pages.
Commander Overland Diesel -
Blackhawk Hurricane – R$ 324.990 (redução de R$ 16 mil)
Motor Hurricane 2,0 turbo, rodas de 19″, Performance Pages, pinças de freio vermelhas, acabamentos escurecidos, bancos com detalhes exclusivos.
Commander Blackhawk
Recentemente testei o Compass Overland com o potente motor Hurricane. Gostei muito da robustez, do sistema 4×4 competente, do nível de equipamentos e, claro, do desempenho. Em viagem na região de Mendoza, na Argentina, onde o AE esteve a convite da Jeep, testei o Commander Blackhawk e o Overland Diesel. Obviamente, o desempenho do Blackhawk com o motor Hurricane é mais intenso. Mas o Overland diesel me parece mais apropriado para viagens longsd e aventuras. E testei o sistema 4×4 e seus recursos em situações mais intensas fora de estrada e ele se demonstrou seguro e capaz. Como um Jeep tem obrigação de ser.

Tanto no Compass quanto no Commander eu achei que os pneus Scorpion de uso misto e apropriados para suves, 235/50 R19, são mais voltados para estradas pavimentadas. Em estradas de terra perdem em conforto. Para o meu gosto, e para a proposta do carro, uma roda aro 18 com um perfil 60 seria melhor. Principalmente na versão Overland, que pelo nome, supõe-se que seja associada a viagens longas realizadas por caminhos fora do asfalto, atravessando regiões remotas, frequentemente com veículos preparados para esse tipo de exploração.
Vale notar que o pneus têm a tecnologia Seal Inside da Pirelli. São pneus projetados para selar automaticamente furos na banda de rodagem causados por objetos perfurantes, como pregos ou parafusos, sem perda imediata de pressão e sem necessidade de parar o veículo imediatamente.
Mas sabemos que por aqui todo mundo gosta de rodas grandes mesmo que isso possa comprometer o conforto. Não há test drives de concessionárias em estradas de terra para que os clientes possam experimentar os modelos nessa condição.
Baixar o preço, incluir equipamentos e mudar o visual é louvável. Mas mais do que isso, necessário para enfrentar um mercado cada vez mais competitivo.
A conclusão está após a galeria de fotos adicionais.
Galeria Jeep Commander 2026 e Mendoza, na Argentina (Fotos: autor)
O Commander 2026 mantém a base estrutural e o conjunto mecânico já conhecido, mas atualiza elementos importantes de design, tecnologia embarcada e conectividade. As melhorias pontuais no interior e os novos recursos eletrônicos aumentam a competitividade do modelo, agora com uma faixa de preço mais ajustada ao segmento. O Jeep Commander tem uma das propostas mais completas entre os suves grandes de sete lugares no mercado brasileiro. Não é à toa que é um sucesso.
PM





