No próximo sábado, dia 9 de agosto, o AUTOentusiastas realiza o primeiro AE Talks (restaM poucas vagas) e terá como palestrante o icônico Luiz Alberto Veiga, um dos mais importantes designers da história da Volkswagen do Brasil. Veiga iniciou sua carreira na fabricante em 1976 e permaneceu até 2016, período em que liderou ou participou do desenvolvimento de modelos icônicos como Gol (gerações 2 a 5), Fox, Polo Sedan, além de projetos internacionais nos estúdios da VW em Wolfsburg, Berlim, Detroit e Turim, como o Logus e o Pointer.
Seu traço ajudou a moldar o imaginário automobilistico brasileiro por décadas.
Participe do AE Talks: Ingressos
Nessa matéria Arquivo AE Veiga apresenta, em um texto pessoal e apaixonado, sua seleção de dez carros icônicos sob a ótica do design, indo além da beleza e abordando ergonomia, relevância histórica e memória afetiva.
A lista inclui o Fusca, Impala 1959, Corvette Stingray 1963, Citroën DS, Bugatti Type 35, Kombi Splitscreen (“Corujinha”), Porsche 911 Turbo 1992, Ford Bronco 1966, Jaguar E-Type e o Mini original. Cada modelo é analisado com sensibilidade e olhar técnico, revelando como elementos de forma, proporção e funcionalidade se combinam para criar verdadeiros ícones da história do automóvel. A matéria ainda é ilustrada com desenhos autorais, transformando-se em um verdadeiro álbum de figurinhas do design automobilístico.
DEZ ÍCONES DO DESIGN
Todos têm sua própria lista de carros mais bonitos, icônicos, seja por sua experiência pessoal, seja como nós designers, especialistas em automóveis. Eu,. é lógico, tenho a minha, que aliás é muito longa. Portanto. eu vou começar com os 10 carros mais icônicos para mim olhando especificamente do ponto de vista de design.
Quando se fala “Design” não é somente sobre a forma, se é bonito ou feio, mas sim sobre ergonomia, caráter, a importância do carro na história do automóvel como um todo e, principalmente, sobre minha experiência pessoal, que foi desde a minha infância muito forte.
Infelizmente ou felizmente, pelas características do “carro brasileiro”, nossas preocupações e desafios sempre foram ligados a carros para a família e “budget”, com tecnologia limitada, e ambiente off-road, que é a realidade das nossas estradas. Portanto, não esperem carros luxuosos ou superesportivos, mas sim os que deixaram sua marca na minha história do automóvel.
Além disso decidi ilustrar esta matéria com meus desenhos, assim, iniciando uma longa lista de
“figurinhas colecionáveis” dos ícones da historia automobilística.
Fusca

Este é imbatível no primeiro posto, seja pela seu desenho genial, seja pela minha própria experiência de vida. Ele foi o segundo carro que eu comprei na minha vida (1970), e nele vivi as maiores aventuras de vida na minha juventude. O Fusca pode ser representado, de maneira indiscutível, com apenas três linhas. Uma principal que vai da frente do carro até sua traseira, e duas que representam os para-lamas.
Além disso, o carrinho e adorado, por muitos fãs em todo o mundo até os dias de hoje.
Foi redesenhado pela Volkswagen duas vezes e com certeza todos “redesigns” se tornarão itens de colecionadores num futuro próximo, porém não tão geniais, em termos de conceito, como o original. Alinhados com o Fusca, temos o Citroën 2CV e o Fiat 500, também itens de colecionadores e indiscutivelmente ícones importantes, porém com intensidade bem menor do que o nosso querido Fusca.
Impala 1959

Tive a grande sorte de ter um tio (Afonso) que vinha para casa com estas maravilhas ambulantes quando eu era somente um menino. Este carro marcou o auge da época mais criativa dos incríveis automóveis americanos pós-guerra. O designer foi Joseph R. Schemansky, sob o comando do lendário Harley Earl. Este é um dos mais cobiçados clássicos americanos e marcou o fim da era do sonho do estilo americano do pós-guerra.
Depois disso, os automóveis evoluíam em todos os sentidos. Segurança, desempenho, conforto e conexão são hoje tens obrigatórios, mas veremos quantos desta centena de automóveis lançados todos os anos se tornarão Ícones no futuro.
Corvette Stingray coupé 1963

Suas formas futurísticas influenciaram de maneira marcante todos os automóveis esporte da época. Com motor central-dianteiro, o Corvette exibia uma frente longuíssima, e formas extremamente pseudoaerodinâmicas e dinâmicas, e foi a segunda geração de um dos maiores ícone esportivos americanos.
Os músculos potentes sobre as rodas, faróis embutidos, e vidro traseiro divididos ao meio marcam este fastback superesportivo, que hoje pode chegar ao valor de 200.000 dólares. Sempre fui fã de todas as gerações do Corvette, mesmo na fase mais fraca de estilo, porém suas proporções, dinâmica, potência e ergonomia fazem dele um dos meus sonhos de consumo.
Citroën DS19 1955

Desenhado por Flaminio Bertoni, é considerado por vários especialistas como o carro mais bonito de todos os tempos. Realmente, se não for o mais bonito, pode-se dizer que é o mais exótico, com um caráter único e, levando-se em consideração a época em que foi desenhado, um alienígena em comparação ao que era produzido nesta época.
Até hoje as formas e proporções dos DS19 são extremamente avançadas e ele é um carro a ser estudado por designers contemporâneos.
Bugatti type 35 1928
Desenhado por Ettore Bugatti, o Type 35 foi um vencedor sem igual nas competições da época, mas o que mais impressiona do veículo é seu design, que tem na sua grade, em forma de ferradura, a matriz de onde sai todo o corpo do carro.
Cada abertura de refrigeração, bolha para cobrir mecanismos salientes, alavancas de comando e divisão dos painéis da carroceria obedecem uma ordem rígida e perfeito posicionamento e balanço visual usando linhas geométricas perfeitas
Uma máquina sexy!
O desenho é extremamente “mecânico, mas tão bem balanceado, com proporções tão espetaculares que acabou mostrando como formas geométricas podemos produzir beleza com funcionalidade. Destaque para as rodas de alumínio de 8 raios, novidade absoluta na época e para a quantidade imensa de vitórias em competições de várias modalidades (mais de 2.000 vitórias registradas).
Ele está impresso no subconsciente de todos designers como símbolo de simplicidade, beleza e funcionalidade. Bugatti desenhou carros espetaculares, como os Type 57 coupé Atlantic, com formas orgânicas e também um ícone importante, e o Type 41 Royale, com proporções e luxo inimagináveis.
Kombi 1957 Splitscreen

No mesmo nível do Fusca, o nosso Kombi (Transporter na Alemanha) é sem dúvida um ícone da funcionalidade, liberdade e flexibilidade, traduzidas em um automóvel. Em termos de Design, a ergonomia é o elemento decisivo para o desenvolvimento da forma, que embora pareça mecânica, é delicadamente esculpida, com superfícies curvas e “frisos” estampados que imprimem o caráter, a “cara” extremamente popular do carro.
O Kombi, além de levar pessoas (até 11, no Brasil), pode transportar muito volume de carga, pode ser seu negócio e, sim, até sua casa!
Ele possui um caráter muito forte, com seu famoso sorriso no painel frontal e seus faróis, devidamente colocados na posição “simpatia”.
Ela foi a precursora dos vans (passenger vans, furgões de passageiros), forma muito estigmatizada nos dias de hoje, porém perfeita para uma família grande.
Porsche 911 Turbo 1992

Considero este carro um dos maiores ícones entre os carros alemães de todos os tempos. Além de ter uma mecânica de relógio suíço, consegue demonstrar o “feeling”, a sensibilidade da forma, esculpidas quase sem linhas, essência do Design alemão.
O Package do carro, com motor traseiro, e um verdadeiro desafio em termos de proporção, mas no Porsche foi magistralmente esculpido, criando uma marca (forma) única e inconfundível sobre a personalidade da marca.
Ford Bronco 1966

Ele é primeiríssimo suve, como que a base, o primeiro DNA deste formato que hoje chamamos de Sport Utility Vehicle, veículo utilitário esporte, que está para ser um dos “Body styles” de maior desejo dos motoristas nos dias de hoje. Preparado para encarar todo tipo de terreno, inspirou a base de marketing que explora as aventuras e desbravamento de lugares inacessíveis a carros comuns.
Devido ao posicionamento mais alto, melhor visibilidade do motorista e ótima posição ergonômica de trabalho, além de vencer o barro e a neve, esta modalidade, nos dias de hoje, também foi incrementada com motores potentes, assistentes de condução, conforto e requinte sem-fim.
Jaguar E-Type
O Jaguar tem seu lugar na sua lista pela sua proporção única. É definitivamente o máximo de efeito “capô imenso” que se pode fazer com uma plataforma de motor central-dianteiro, no caso do Jaguar E-Type com muita elegância.
Uma escultura de formas puras, sem linhas de caráter, mas com um “Highlight” perfeito e inspirador. O monstruoso motor de 12 cilindros em “V” acomodado após o eixo dianteiro força o piloto a sentar praticamente em cima do eixo traseiro. Proporcionalmente pela sua sombra é o carro como maior capô já construído.
Embora a frente do carro seja sua grande marca, o balanço traseiro também é enormemente muito elegante. A ergonomia para o motorista é “apertadinha”, mas manusear uma máquina bestial com essa elegância é uma experiência inesquecível. Para mim é o Corvette inglês.
Mini Austin/Morris

O Mini original ganha o troféu de melhor ergonomia no menor espaço possível. A proporção do carro, com as rodas pequenas e entre-eixos curto é perfeita e ajuda muito no quesito simpatia.
É impossível não sorrir perto de um Mini.
Embora pequeno e simpático, não deixa de ter uma “fisionomia” forte e “marrento”. Não é para menos, pois o Mini original tem um belo desempenho, e muita agilidade, se você estiver sozinho. Se tornou um ícone, principalmente na Inglaterra, sua terra natal, mas também em todo mundo.
É uma longa lista e vamos deixar os próximos ícones para a próxima oportunidade.
LV
Participe do AE Talks: Ingressos








