Poucos modelos conseguem conquistar status de ícone em tão pouco tempo quanto o P7 original conquistou na indústria automobilística chinesa. Lançado como o segundo carro da Xpeng, ele foi responsável por colocar a jovem fabricante no mapa e alcançar a marca simbólica de 100 mil unidades vendidas. A nova geração do P7 surge, portanto, com a missão de suceder esse sucesso.
O interesse inicial confirma o peso do nome. No dia 6 de agosto, logo após a estreia oficial e abertura de pré-venda na China, o novo P7 recebeu mais de 10.000 pedidos em apenas 6 minutos e 37 segundos. Parece-me que essa é uma nova métrica para avaliar o sucesso do lançamento de um carro. Os fabricantes adoram se vangloriar. Mas isso não é auditado e os critérios podem variar de fabricante para fabricante. E também nunca sabemos quantos cancelamentos são feitos. Mantive essa informação aqui apenas para fazer esse comentário.
Com visual mais esportivo e aerodinâmico, o novo P7 foi projetado para reposicionar a Xpeng como uma marca não apenas voltada a famílias, mas também a entusiastas do design e da dirigibilidade. Algumas marcas chinesas estão realmente começando a se destacar com uma linguagem própria de design. E o que me impressiona, com uma linguagem agradável, moderna e elegante.
Não vou entrar no mérito do gosto pessoal, mas acredito que alguns carros se destaquem muito em termos de design. E o novo P7 certamente é um deles. Tem um ar premium, ou até de luxo, só de olhar para ele. Foi exatamente o design diferenciado, além do fato da Xpeng estar vindo para o Brasil, que me motivou a fazer essa matéria. Mas, ao longo da minha carreira, aprendi que devemos esperar para ver o carro ao vivo. Isso muda tudo. E também, alguns designs ganham substância e entendimento quanto mais se olha. Por isso, apesar dos meus comentários favoráveis, sei que o veredito final pode ser diferente.
Apesar do design chinês ter melhoraro impressionantemente, os modelos de massa estão virando clones deles mesmos. E muitas marcas não estão conseguindo uma diferenciação positiva.
O coeficiente aerodinâmico (Cx)de apenas 0,201(!) é o resultado do trabalho refinado de engenharia e do perfil longo, baixo e liso. Um desafio foi manter o carro com a altura total de 1.407 mm e com excelente espaço interno considerando a bateria sob o ssoalho.

A dianteira traz proporções de cupê, com capô alongado e afilado, faróis verticais de LED e uma faixa luminosa horizontal que cruza toda a frente, formando um conjunto em “H” ou a um “X” alongado. O emblema-logotipo iluminado é embutido na carroceria para evitar turbulências e, abaixo, a grade ativa se integra ao para-choque com soluções de fluxo otimizadas. O frunk (porta-malas dianteiro) oferece limitados 56 litros de capacidade para um carro com capô tão extenso.
O perfil lateral é marcado por teto em arco com coluna “A” escurecida e para-brisa bastante inclinado (67 graus), ressaltando o estilo fastback. Tem carronalidade. As rodas de 20 polegadas em dois tons lembram os designs contemporâneos de marcas escandinavas e revelam pinças de freio Brembo. As maçanetas embutidas e o desenho das rodas em “X” reforçam a identidade visual. As dimensões são de 5.017 mm de comprimento, 1.970 mm de largura e 1.427 mm de altura, com entre-eixos de 3.008 mm.
A gama inclui três versões: 702 km de alcance (alcance longo), 825 km (alcance ultralongo) e 750 km (alto desempenho AWD), segundo o ciclo chinês CLTC, embora, no mundo real, seja razoável subtrair pelo menos 25% desses números. A versão de tração traseira utiliza motor de 362 cv e é combinado a baterias de 74,9 kW·h (LFP) ou 92,2 kW·h (NCM). A AWD soma um motor dianteiro de 227 cv, elevando a potência total para 589 cv e proporcionando 0 a 100 km/h em 3,7 segundos, com velocidade máxima de 230 km/h.

A opção LFP (lítio-ferro-fosfato) de 74,9 kW·h-, é mais acessível, tem vida útil maior, suporta mais ciclos de recarga e apresenta menor risco térmico, mas oferece densidade energética menor e, portanto, menos alcance. Já a NCM (níquel-cobalto-manganês), de 92,2 kW•h, garante maior alcance e melhor desempenho graças à densidade energética mais alta e ao bom comportamento em baixas temperaturas, porém com custo superior e vida útil um pouco menor.
Outro destaque técnico é a arquitetura elétrica de 800 V, capaz de suportar picos de recarga de 486 kW, o suficiente para adicionar mais de 500 km em apenas 10 minutos. A plataforma também integra o sistema de condução autônoma XNGP, com três chips AI Turing capazes de processar até 2.250 TOPS (Tera Operations Per Second ou “teraoperações por segundo”), sensores ultrassônicos, câmeras perimetrais de alta sensibilidade e radar de ondas milimétricas.

Na traseira, o novo P7 adota uma atraente silhueta hatchback em vez do tradicional três volumes da geração anterior. A tampa traseira abre-se por completo, revelando 575 litros de capacidade, com compartimento sob o piso e rebatimento dos bancos traseiros no padrão 40:60. O aerofólio ativo ajuda a manter a eficiência e a estabilidade, parte de um conjunto com mais de 25 pontos de otimização aerodinâmica. O logotipo traseiro acompanha a cor da carroceria, dispensando contrastes e reforçando a fluidez visual.
Por dentro, o P7 mantém a proposta futurista da Xpeng com soluções visuais e funcionais inéditas. O painel abriga uma pequena tela digital para o motorista e uma grande central multimídia de 15,6” que pode ser inclinada eletronicamente em até 25° para os lados e 25° na vertical. O projetor de dados no para-brisa panorâmico de 87” com realidade aumentada foi desenvolvido em parceria com a Huawei. Já o volante de aro ovalado adota seletores giratórios físicos para modos de condução e acionamento do modo “Boost” (potência adicional)..


O sistema multimídia inclui monitoramento de temperatura de pneus e freios, simulação sonora de motores a combustão ou eletrônicos, gerenciamento térmico overclock, controle de distribuição de torque entre eixos (TQ Disc), regulagem de resposta do pedal de freio (quase todo carro chinês tem isso) e direção, além de controle ativo do defletor traseiro. O gerenciamento térmico overclock amplia por tempo limitado a margem de temperatura e o arrefecimento da bateria e dos motores, mantendo potência alta por mais tempo antes de reduzir o ritmo para proteção dos sistemas.

O P7 2026 parece ter sido concebido para clientes que buscam aliar estilo, desempenho e tecnologia com um toque de ousadia. Eu vejo o seu visual refinado, interior elaborado e dados promissores de alcance e potência como elementos que podem ajudar a Xpeng conquistar mercados além da China.
PM





