A Ford anunciou ontem (11/8) um novo avanço em engenharia e manufatura para criar uma nova família de veículos elétricos acessíveis.
A Plataforma Universal de Veículos Elétricos e o Sistema Universal de Produção de Veículos Elétricos da Ford nasceram de uma equipe que combina disciplina, experiência e escala de uma empresa de 122 anos de história com a velocidade e a inovação de um novo grupo no Vale do Silício, na Califórnia.
O resultado, segundo a Ford, é um ecossistema simples, eficiente e flexível para entregar uma família de veículos elétricos acessíveis e definidos por software — começando com uma picape elétrica média quatro-portas que será produzida na fábrica Ford de Louisville, estado de Kentucky, para o mercado americano e exportação. Seu lançamento está programado para 2027.
O presidente e executivo-chefe Jim Farley mencionou que a empresa planeja lançar diversos modelos, incluindo um hatchback, um crossover, um furgão e um suve com três fileiras de bancos, todos com preços iniciais similares.
A Ford diz que planeja investir quase US$ 2 bilhões na fábrica de Louisville para produzir a picape elétrica média. Junto com os US$ 3 bilhões de investimento anunciados anteriormente no BlueOval Battery Park, em Michigan, que produzirá as baterias de fosfato de ferro e lítio (LFP) prismáticas para a nova picape a partir do ano que vem, os investimentos totalizam cerca de US$ 5 bilhões.
Nova arquitetura
Segundo Farley, a arquiteurura tem 20% menos peças comparada a um veículo típico, 25% menos parafusos e porcas, 40% menos estações de trabalho na fábrica e o tempo de montagem é 15% menor.
Na informação à imprensa de ontem não foi dito se a construção é separada (cabine e caçamba sobre chassi) ou unitária, mas é provável que sera esta útlima.
O chicote elétrico na nova picape média, por exemplo, será mais de 1,3 quilômetro mais curto e 10 kg mais leve que o usado no suve elétrico de primeira geração da marca.
As baterias prismáticas de fosfato de ferro-lítio (LFP), além de economia de espaço e peso, oferecem menor custo e maior durabilidade. Elas são livres de cobalto e níquel e formam um subconjunto estrutural que também serve como assoalho do veículo. O seu baixo centro de gravidade melhora a estabilidade e cria uma cabine silenciosa com maior espaço.
A nova picape média deve oferecer mais espaço para os passageiros, sem contar o porta-malas dianteiro e a caçamba. É possível transportar pranchas de surfe ou outros equipamentos na caçamba sem a necessidade de bagageiro de teto ou reboque.
Mas não se trata só de espaço e versatilidade. Segundo a Ford, esta aequiterura de veículo elétrico com baixo centro de gravidade, torque instantâneo e engenharia de chassi refinada foi feita para proporcionar um dirigir divertido. Além disso, a fabricante informou que a picape média vai acelerar de 0 a 100 km/h tão rápido quanto um Mustang EcoBoost e com mais força vertical descendente. E atualizações remotas de software manterão a picape, ainda sem nome, no pico de eficiência.
Outras especificações da picape elétrica média — data de lançamento, preço, alcance, tamanho e tempo de carregamento da bateria — ainda estão por ser anunciados.
Novo sistema de produção
O time da Ford focou também na eficiência na produção, transformando a linha de montagem tradicional em uma “árvore de montagem”. Em vez de uma esteira longa, três subconjuntos correm simultaneamente em linhas próprias e depois se juntam.
Grandes peças unitárias de alumínio fundido substituem dezenas de peças menores, permitindo que a frente e a traseira do veículo sejam montadas separadamente. A frente e a traseira são então combinadas com o terceiro subconjunto, a bateria estrutural. Esta é montada separadamente com os bancos, consoles e carpetes para formar o veículo.
As peças são transportadas pela árvore de montagem até os montadores num kit. Dentro dele já vêm todos os parafusos e porcas, scanners e ferramentas elétricas necessários para o trabalho, assim como a orientação correta de uso.
O Sistema Universal de Produção de Veículos Elétricos da Ford melhora significativamente a ergonomia dos operadores, para que não tenham a necessidade de se contorcer, alongar ou curvar e possam se concentrar no trabalho.
A integração do Sistema Universal de Produção de Veículos Elétricos da Ford com a nova arquitetura tornará a montagem da nova picape elétrica até 40% mais rápida que a dos veículos atuais da fábrica de Louisville. Parte desse tempo será reutilizada na produção e automação para melhorar a qualidade e o custo, resultando numa melhoria de velocidade de 15%.
“Colocamos nossos empregados no centro e recriamos a fábrica do zero”, disse Bryce Currie, vice-presidente de Manufatura das Américas da Ford. “Vivemos e respiramos melhoria contínua, mas às vezes é necessário um grande salto. Esperamos que as inovações ergonômicas e a redução da complexidade — através da eliminação de peças, parafusos e fios — resultem em ganhos significativos de qualidade e custo.”
A fábrica de 2.200 funcionários será expandida em cerca de 4.800 m² e terá fluxos de logística interna mais eficientes. As atualizações da infraestrutura digital darão à Fábrica de Louisville uma rede mais rápida e com maior número de pontos de acesso que qualquer outra fábrcia da Ford no mundo, permitindo mais escaneamentos eletrônicos de qualidade.
MF








