No ano passado a Bugatti apresentou o Tourbillon como o novo capítulo de sua história. Um hipercarro que sintetiza design, engenharia e caráter num só objeto de desejo. Leia a matéria aqui.

Esse encontro entre tradição artesanal e inovação extrema não ficou restrito às pistas e ruas: ele também foi transportado para a relojoaria, numa parceria com a Jacob & Co. que resultou em dois relógios igualmente excepcionais, o Bugatti Tourbillon e o Bugatti Tourbillon Baguette.

A Jacob & Co é uma marca de altíssima relojoaria e quase nada conhecida por aqui, fundada em Nova York em 1986 por Jacob Arabo. Ficou famosa por criar relógios e joias exuberantes para celebridades e, com o tempo, ganhou prestígio no universo relojoeiro por unir design ousado a complicações mecânicas inéditas, sempre em peças de forte impacto visual.
Carros e alguns relógios compartilham o mesmo conceito estético, mecânico e funcional, especialmente os Bugatti e os Jacob & Co. Enquanto engenheiros em Molsheim trabalhavam na redefinição do hipercarro, os mestres relojoeiros de Nova York avançavam para criar uma peça que traduzisse essa mesma filosofia. O resultado é uma das colaborações mais criativas entre uma fabricante de automóveis e uma casa de alta relojoaria.
O desenho do painel de instrumentos do carro, feito com a precisão de um mostrador de relógio, serviu de inspiração direta para a peça. No mostrador, o mecanismo tourbillon de 30 segundos ocupa o lado esquerdo, enquanto o submostrador central de horas e minutos remete aos indicadores de rotação do motor e velocidade do carro. À direita, um mostrador exibe a reserva de marcha de 80 horas, mas também aciona uma função única: um bloco de motor em cristal de safira com 16 pistões de titânio, animados por um virabrequim de 22,37 mm. Ao toque de um botão, todos os pistões entram em movimento, criando um espetáculo mecânico hipnótico.

A caixa do relógio ecoa a silhueta do carro, com proporções de 52 x 44 mm e espessura de 15 mm. As laterais em cristal de safira, moldadas como janelas, permitem observar a mecânica em funcionamento. Cada detalhe foi concebido com a mesma exclusividade que define o hipercarro, numa criação que redefine o que é possível em termos de engenharia.
Para 18 colecionadores, a Jacob & Co. preparou ainda uma versão especial: o Bugatti Tourbillon Baguette. Mantendo o mesmo conceito, mas executado em ouro branco 18 quilates, o relógio é revestido por 328 diamantes lapidação baguette e 18 rubis também baguette, que remetem às lanternas traseiras do hipercarro. São 17 quilates de pedras preciosas num arranjo de cravação invisível, técnica em que a Jacob & Co. é referência mundial. O resultado é uma peça que combina alta joalheria e alta relojoaria em um único objeto, tão exclusivo e ousado quanto o próprio Bugatti Tourbillon.
E assim como o carro, esses relógios são para poucos. Pouquíssimos!
O mecanismo Tourbillon
Um mecanismo tourbillon é uma complicação da relojoaria criada em 1801 por Abraham-Louis Breguet para aumentar a precisão dos relógios mecânicos.
Na época, a principal fonte de erro vinha da gravidade: quando o relógio ficava muito tempo numa posição fixa (por exemplo, no bolso, sempre na vertical), o peso das peças afetava a marcha, acelerando ou atrasando os ponteiros.
O tourbillon resolve isso colocando o conjunto de escape (balanço, âncora e roda de escape) dentro de uma pequena gaiola giratória. Essa gaiola completa uma rotação em torno de si mesma, normalmente a cada 60 segundos, mas há variações (no Bugatti Tourbillon são 30 segundos), o que faz com que os erros causados pela gravidade numa posição sejam compensados em outra.
Hoje, com a relojoaria moderna e os relógios de pulso que mudam de posição o tempo todo, o tourbillon deixou de ser uma necessidade técnica. Mas se mantém como um símbolo de excelência, porque exige enorme habilidade de construção: as peças são minúsculas, leves e precisam ser perfeitamente ajustadas. Por isso, um tourbillon é considerado uma das maiores expressões da alta relojoaria.
PM





