A confirmação de que o finlandês Valtteri Bottas e o mexicano Sergio Pérez serão os pilotos da Cadillac no ano de estreia da equipe americana na F-1, adiou, mais uma vez, a confirmação do brasileiro Felipe Drugovich (foto de abertura) no grid da categoria. Depois de vencer o Campeonato Internacional de F-2 da FIA em 2022, o paranaense foi contratado como piloto de testes da equipe Aston Martin e mais recentemente teve seu nome na lista de nomes considerados pela nova esquadra. Como a F-1 ainda tem, oficialmente, quatro vagas abertas, as chances de o Brasil ter dois pilotos no Campeonato Mundial de 2026 ainda existem, ainda que reduzidas. Gabriel Bortoleto está confirmado na Audi, que também desembarca pela primeira vez na categoria no ano que vem.

As quatro vagas ainda abertas remetem à Red Bull e à Alpine. As chances de Drugovich ser incorporado pela primeira são praticamente nulas: a marca de energéticos tem uma longa lista de nomes em sua academia de pilotos, sem falar que o japonês Yuki Tsunoda, o franco-argelino Isaac Hadjar e o neozelandês Lian Lawson têm grandes chances de manter seus postos. Lawson deve permanecer na Racing Bull enquanto Hadjar pode trocar de cockpit com Tsunoda. O nipônico, porém, é quem tem menos chances de permanecer ligado à organização: sua presença é diretamente ligada ao fato de a Honda fornecer os motores aos dois times, contrato que expira no final do ano. A partir de 2026 a marca japonesa estará associada à Aston Martin, detalhe que pode afetar significativamente a renovação de contrato de Drugovich como piloto de testes.

A outra vaga em aberto está na equipe Alpine e aqui restam as esperanças de o brasileiro finalmente assegurar a continuidade de sua carreira na categoria que sempre foi seu objetivo maior. Atualmente o time francês conta com o igualmente francês Pierre Gasly e o argentino Franco Colapinto. Gasly todos os 20 pontos para a Alpine na tabela deste ano enquanto Colapinto ainda não conseguiu repetir as atuações arrojadas 2024 e que lhe deram fama de piloto rápido. Há rumores de que sua permanência no time liderado por Flavio Briatore está ameaçada. Refletindo sobre o currículo de Briatore e a instabilidade que marca a escuderia francesa há algum tempo, tais rumores ganham consistência e ficam mais próximos de serem transformados em fato consumado.

Felipe Drugovich é um piloto reconhecidamente rápido e técnico, mas sua carreira tem episódios que prejudicaram sua consagração nas pistas. Um deles foi assinar contrato de piloto de testes com a Aston Martin, onde uma vaga pertence ao bicampeão mundial Fernando Alonso e a outra a Lance Stroll, cujo pai é o dono da escuderia e há décadas investe na carreira do filho com o objetivo de transformá-lo em campeão mundial.

No passado recente Drugovich foi procurado por equipes da F-Indy e da F-E para vagas de período integral, o que o manteria em evidência, inclusive, na categoria principal. O paranaense fez alguns testes com os carros elétricos e mostrou-se o mais rápido, ou um dos mais rápidos, em todas as oportunidades. Nenhum contrato, porém, foi fechado. Hélio Castro Neves, quatro vezes vencedor da Indy 500 e sócio da equipe Meyer Shank Racing, procurou os assessores de Drugovich oferecendo um lugar em seu time. A oferta foi recusada sob a alegação que a F-1 era prioridade. Por tudo isso é possível que a vaga na Alpine venha a ser ocupada por outro nome.
Cadillac confirma pilotos e dispensa Horner

Ao confirmar a contratação de Valtteri Bottas e Sergio Pérez como seus pilotos para as temporadas 2025/2026, com possibilidades de estender os contratos de ambos, o executivo maior da equipe, Dan Towriss, aproveitou a oportunidade para confirmar Graeme Lowdon com chefe de equipe (ou team principal na nomenclatura do cargo em inglês). Em entrevista coletiva ele foi sucinto: “Nunca tivemos nenhuma conversa com Christian Horner. Endo assim, gostaria de oficialmente pôr um ponto final nesse rumor e confirmar Lowdon, que tem 100% de apoio da nossa equipe.”
Após três semanas sem corridas, a F-1 volta às pistas para a disputa do GP dos Países Baixos, domingo, em Zandvoort.
WG
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