O mercado brasileiro de picapes médias vive um momento de transformação. Modelos consagrados como Toyota Hilux, Chevrolet S10, Ford Ranger e Mitsubishi L200 Triton dominam o segmento há décadas, mas a entrada da chinesa GWM em março de 2023 promete movimentar o jogo e dividir ainda mais essa pizza. Após consolidar sua presença com o Haval H6 entre os suves eletrificados e iniciar a venda do Tank 300, a GWM aposta agora na Poer P30, sua primeira picape nacionalizada, que será produzida na fábrica de Iracemápolis, SP, a partir do último trimestre do ano. Até lá será importada da China.
O segmento não poderia ser mais estratégico: além da importância para o agronegócio, as picapes médias se tornaram símbolo de status e versatilidade, conciliando uso profissional e familiar. É nesse terreno que a GWM pretende se inserir, trazendo uma proposta de preço competitivo e um pacote tecnológico robusto.

Estratégia da GWM no Brasil
A Poer P30 é fruto direto da nova fase da GWM no país. A empresa transformou a antiga fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis em seu local de produção, com capacidade inicial de 50 mil veículos/ano. Além da picape, serão feitos ali o Haval H6 híbrido e o Haval H9 a diesel (em breve contarei mais detalhes).

Outro pilar da estratégia é o pós-venda, com serviços como oficina móvel, recompra garantida de até 80% da tabela Fipe, carro de cortesia por até cinco dias e garantia estendida que chega a 10 anos para componentes-chave como motor, câmbio, direção, freios e componentes eletrônicos, mas limitado a 250 mil km no uso pessoal ou 125 mil km no uso profissional. A jornada digital também faz parte da proposta: compra 100% online, assinatura direta no site e entrega do carro na casa do cliente.
Com esses diferenciadores, a marca busca não apenas competir em produto, mas criar uma experiência de marca comparável à de gigantes como Toyota.
Assista ao vídeo gravado no evento de lançamento e conheça um pouco mais da nova picape média da GWM.
A Poer P30 em detalhes
Sob o capô, a picape traz motor 2,4 turbodiesel de 184 cv de potência máxima e 49 m.kgf de torque máximo, acoplado por conversor de torque ao câmbio automático epicíclico de 9 marchas. A tração 4×4 possui caixa de transferência com reduzida e opção de bloqueio do eixo traseiro, recursos que reforçam sua vocação fora de estrada. Nos números, acelera de 0 a 100 km/h em 11,2 s e tem consumo de 10,6 km/l em rodovias.

Sua carga útil é de 1.010 kg (passageiros incluídos) e a caçamba comporta 1.248 litros. O peso rebocável chega a 3.100 kg com freio, suficiente para enfrentar cenários típicos do agronegócio e do uso recreativo. A suspensão dianteira é independente com braços superpostos e a traseira de eixo rígido e feixes de molas priorizam robustez, mas com o cuidado de oferecer conforto de rodagem.
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Tecnologia e conforto
A cabine da Poer P30 se distancia do estereótipo rústico das picapes. O quadro de instrumentos digital de 10,25” é acompanhado de multimídia central de 14,6” de alta definição. A central oferece conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, além de integração com o aplicativo My GWM, que permite controle remoto de diversas funções.
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Entre os equipamentos, destacam-se bancos dianteiros elétricos, ventilados e aquecidos, acabamento em couro, carregador de celular por indução de 50 W e ar-condicionado de duas zonas. O nível de ruído interno é bem satisfatório e coloca o modelo à frente de rivais diretos em refinamento acústico.
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No pacote de assistência ao motorista, a Poer P30 oferece condução semiautônoma nível 2+, com controle de cruzeiro adaptativo com função para e anda, assistente de permanência em faixa, frenagem autônoma de emergência (inclusive com detecção de pedestres e ciclistas) e câmera 360° com visão de chassi transparente.

Segurança e robustez
Construção de cabine sobre chassi com ancoragem por coxins de elastômeros a Poer P30 alcançou cinco estrelas no crash test do ANCAP, órgão de segurança veicular da Austrália. São seis bolsas infláveis de série, além de controles de estabilidade e tração que se mostraram pouco intrusivo durante a avaliação inicial.
Os ângulos de entrada de 27°, saída 25° e transposição de rampa 21,1° demonstram sua aptidão off-road, enquanto a capacidade de atravessar trechos alagados chega a 500 mm, sendo este último inferior a alguns dos principais competidores.

Impressões ao dirigir
O primeiro contato ao volante com a Poer P30 ocorreu em estradas não pavimentadas na região de São Francisco de Paula, RS. Logo ficou evidente o bom ajuste da suspensão, que absorveu bem irregularidades sem comprometer o conforto de rodagem.
A movimentação entre eixo dianteiro e traseiro se mostrou equilibrada na condição de picape vazia, embora reste avaliar o comportamento com meia carga ou carga total.

A direção, por sua vez, apresentou momentos de anestesia no modo Normal, exigindo a troca para o modo Esporte para oferecer maior definição de centro, um ajuste que deverá agradar motoristas que buscam maiores precisão e firmeza da direção. O modo Conforto é muito bom para manobras em baixa velocidade.

O nível de ruído interno e a filtragem de aspereza são pontos fortes, colocando a Poer P30 em patamar próximo de suves médios. Já nas acelerações leves, nota-se um pequeno atraso entre o acionamento do pedal e a resposta efetiva do motor. A sensação lembra a de alguns veículos eletrificados e pode estar relacionada à calibração eletrônica ou ao turbo lag do motor diesel. Algo que os engenheiros da GWM poderiam dar atenção antes que se torne uma epidemia de reclamações.

Posicionamento de mercado
Com preços de R$ 240 mil na versão Trail e R$ 260 mil na versão Exclusive, ambas com R$ 20 mil de desconto até 20 de setembro, a Poer P30 chega abaixo da concorrência. A Toyota Hilux SR hoje parte de R$ 306 mil, a Chevrolet S10 WT de R$ 296 mil e a Ford Ranger XLS de R$ 282 mil.
No comparativo, a Poer se destaca pelo bom pacote tecnológico oferecido e pelo preço competitivo, que obviamente visa atrair os clientes das marcas tradicionais. A garantia de até 10 anos para alguns componentes e a oferta de serviços exclusivos também funcionam como chamarizes para um público acostumado à confiabilidade das outras marcas.
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Conclusão
A chegada da GWM Poer P30 representa um dos movimentos mais ousados do mercado de picapes dos últimos anos. A marca chinesa não esconde a ambição de disputar diretamente com os líderes, apostando em custo-benefício, pós-venda diferenciado e um pacote de tecnologia muito bom para o segmento.

Se a estratégia dará certo, dependerá da aceitação do público profissional e rural, tradicionalmente fiel às marcas japonesas e americanas. Mas uma coisa já está clara: a GWM não veio para ser coadjuvante, e a Poer P30 é a prova de que a disputa pelo topo do segmento acaba de ganhar um novo e competitivo capítulo. A conferir!
GB
| FICHA TÉCNICA GWM POER P30 | |
| MOTOR | |
| Denominação | 2.4 Turbo Diesel |
| Descrição | 4 cilindros em linha montado na longitudinal com 4 válvulas por cilindro, duplo comando de válvulas no cabeçote, injeção direta, turbocarregador com interresfriador ar/ar, correia dentada |
| Cilindrada (cm³) | n.d. |
| Diâmetro x curso (mm) | n.d. |
| Potência máxima (cv/rpm) | 184 / n.d. |
| Torque máximo (m·kgf/rpm) | 48,9 / n.d. |
| Taxa de compressão (:1) | n.d. |
| TRANSMISSÃO | |
| Descrição | Câmbio automático de 9 marchas |
| Relações das marchas (:1) | n.d. |
| Espectro (:1) | n.d. |
| Relação dos diferenciais (:1) | n.d. |
| Relação da reduzida (:1) | n.d. |
| Caixa de transferência | 2H / 4H / 4L |
| SUSPENSÃO | |
| Dianteira | Duplo braço sobreposto |
| Traseira | Eixo rígido com feixe de mola |
| DIREÇÃO | |
| Tipo | Pinhão e cremalheira eletroassistida |
| Relação de direção (:1) | n.d. |
| Diâmetro min de curva (m) | n.d. |
| FREIOS | |
| Operação | Servo freio com circuitos individuais dianteira e traseira, ABS |
| Dianteiros (Ø mm) | n.d. / disco ventilado |
| Traseiros (Ø mm) | n.d. / disco ventilado |
| De estacionamento | Rodas traseiras acionamento eletromecânico |
| RODAS E PNEUS | |
| Rodas | Liga leve 18″ (Trail) / 19″ (Exclusive) |
| Pneus | AT 265/60R18 / HT 265/55R19 |
| Estepe | igual ao da rodagem |
| CONSTRUÇÃO | Carroceria sobre chassi |
| AERODINÂMICA | |
| Coeficiente aerodinâmico (Cx) | n.d. |
| Área frontal (calculada AE, m²) | n.d. |
| Área frontal corrigida | n.d. |
| ÂNGULOS (º) | |
| Entrada | 27 |
| Saída | 25 |
| Rampa | 21,1 |
| DIMENSÕES (mm) | |
| Comprimento | 5.416 |
| Largura sem espelhos/com espelhos | 1.947 / n.d. |
| Altura | 1.883 |
| Distância entre eixos | 3.230 |
| Bitola dianteira/traseira | n.d. |
| Distância mínima do solo | n.d. |
| CAÇAMBA | |
| Comprimento | n.d. |
| Largura | n.d. |
| Altura das bordas | n.d. |
| Volume (L) | 1.248 |
| PESOS E CAPACIDADES | |
| Peso em ordem de marcha (kg) | 2.223 |
| Carga útil (kg) | 1.010 |
| Peso bruto (kg) | 3.233 |
| Peso rebocável com freio (kg) | 3.100 |
| Tanque de combustível (L) | 78 |
| Profundidade de imersão (mm) | 500 |
| DESEMPENHO | |
| Aceleração 0-100 km/h (s) | 11,2 |
| Velocidade máxima (km/h) | n.d. |
| CONSUMO DE COMBUSTÍVEL (INMETRO PBEV) | |
| Cidade (km/l) | 9,5 |
| Estrada (km/l) | 10,6 |
| CÁLCULOS DE CÂMBIO | |
| V/1000 em 8ª (km/h) | n.d. |
| Rotação a 120 km/h e, 8ª (rpm) | n.d. |
| Rotação à vel. máx. em 6ª (rpm) | n.d. |





