A Leapmotor, nova marca chinesa de veículos eletrificados, em associação com a Stellantis, confirmou sua chegada ao Brasil para novembro de 2025, provavelmente no Salão do Automóvel. O anúncio foi feito em São Paulo, durante o evento “Nova Era”, que reuniu executivos, parceiros e convidados para apresentar a estratégia da empresa, que estreia com os suves C10 e B10.
O grande destaque foi o conceito Ultra-Híbrido (REEV – Range Extended Electric Vehicle) que equipará esses carros. Uma proposta que pretende oferecer a experiência de dirigir um carro elétrico, mas sem a limitação de alcance. O sistema combina baterias recarregáveis com carregamento externo AC/DC (plug-in), mas conta também com um motor a combustão 1,5-litro a gasolina, projetado apenas para acionar um gerador de eletricidade — similar ao que já vimos no BMW i3. Ou seja: a propulsão é sempre elétrica, mas o motor atua como apoio para ampliar o alcance e reduzir a chamada ansiedade de alcance.

Um olhar nosso
Embora o discurso institucional destaque “tecnologia disruptiva” e “inovação”, o anúncio da Leapmotor precisa ser analisado dentro do contexto brasileiro. A eletrificação ainda enfrenta barreiras de preço, falta de informação ao consumidor e, principalmente, de infraestrutura de carregamento. Segundo dados apresentados no evento, seriam necessários ao menos 200 mil carregadores públicos no País para atender a demanda crescente, um número ainda distante da realidade atual.
Nesse sentido, a marca revelou parcerias estratégicas com empresas como Zletric, WEG, GreenV, VoltBras e Ituran, todas ligadas à mobilidade elétrica, conectividade e soluções de recarga. O objetivo é criar um ecossistema que permita aos clientes usar o carro com mais tranquilidade.
O papel da Stellantis
A Stellantis, que detém marcas tradicionais como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën, é sócia da Leapmotor desde 2023 e criou, em 2024, a joint venture Leapmotor International BV. No Brasil, a multinacional pretende usar sua rede de pós-venda, engenharia e experiência comercial para dar suporte à nova marca. Isso inclui tanto a parte de assistência técnica quanto a possibilidade de integrar os futuros modelos ao centro de engenharia da Stellantis, já instalado no País e com cerca de 4.500 funcionários.
A ideia é clara: usar a estrutura já consolidada para acelerar a aceitação da Leapmotor, que, por si só, ainda é uma marca jovem, fundada em 2015 e com atuação limitada fora da China.
Galeria de fotos do Leap C10
O que esperar do C10 e B10
O Leapmotor C10 será o primeiro a chegar, com duas opções de motorização: 100% elétrico (BEV) e o já citado Ultra-Híbrido (REEV). A marca promete que, mesmo na versão com gerador acionado por motor a combustão, a experiência de condução será sempre de um carro elétrico, com aceleração linear e silêncio a bordo. Já o B10, um suve de tamanho compacto, complementará a linha, ainda sem detalhes técnicos divulgados para o Brasil.

No mercado global, a Leapmotor já oferece modelos como o C11, C01 e T03, sempre apostando em eletrificação pura ou estendida. O C10 é posicionado como rival de suves médios e, pelas nossas observações, deve chegar para competir com BYD Song Plus, GWM Haval H6 e outros híbridos plugáveis (PHEV).
Galeria de fotos do Leap B10
Desafios e oportunidades
A principal questão que a Leapmotor enfrentará é a complexidade de escolha do consumidor brasileiro. Hoje, o mercado oferece siglas como HEV, MHEV, PHEV e agora REEV, cada uma com características diferentes de uso e custo. Essa variedade pode gerar confusão na hora da compra, e será papel da rede de concessionárias explicar com clareza o que cada proposta entrega.
Por outro lado, o Ultra-Híbrido pode cair como solução de transição para quem quer dirigir um carro elétrico, mas não quer depender apenas de carregadores ainda escassos no País.

Considerações finais
O lançamento da Leapmotor no Brasil marca mais um passo da Stellantis rumo à eletrificação, mas também coloca à prova um modelo de negócio que precisa ser bem explicado ao público. A promessa de oferecer sempre a experiência de dirigir um elétrico, mas com alcance estendido, soa atraente.
Resta ver se o mercado brasileiro, que ainda engatinha na eletrificação, mas já recebe opções da BYD, GWM, Toyota e outras, estará pronto para absorver mais uma marca com soluções diferentes. O desafio é grande, mas a chegada da Leapmotor aumenta a diversidade e pode acelerar o debate sobre qual caminho tecnológico o consumidor brasileiro realmente quer seguir.
GB





