A corrida pela eletrificação total no setor automobilístico sofreu um ajuste de rota, e a Volvo, uma das marcas mais ambiciosas nessa transição, acaba de confirmar que seus planos foram ambiciosos demais. A fabricante sueca, que prometeu ser 100% elétrica até 2030, está recuando e agora foca em uma convivência mais longa com os híbridos plug-in (PHEV) e os veículos elétricos de alcance estendido (EREV) como pontes essenciais para o futuro.
A complexa realidade da transição
Quatro anos após o audacioso anúncio de se tornar totalmente elétrica, a Volvo está lidando com uma realidade de mercado mais complexa.
- Revisão de metas: A meta de 100% elétricos até 2030 foi sutilmente ajustada para que a linha seja composta entre 90% e 100% por modelos PHEV ou EV até o final da década.
- Vendas abaixo do esperado: De janeiro a setembro deste ano, as vendas globais de eletrificados (EV + PHEV) da marca somaram 227.317 unidades, representando apenas 44,2% do total. Isso está muito abaixo do que a Volvo almejava para esta fase de transição.
- As vendas de carros puramente elétricos (EV) registraram uma queda de 21% em comparação com o mesmo período de 2024.
- Os híbridos plug-in (PHEV) também recuaram levemente, com queda de 1%.
Híbridos e EREVs: A nova prioridade
Em uma entrevista à Automotive News Europe, o executivo-chefe da Volvo, Hakan Samuelsson, de 74 anos, adotou um tom mais pragmático. Embora acredite que a indústria será predominantemente elétrica “em cerca de 10 anos”, ele admitiu que os motores a combustão terão que coexistir com os elétricos por mais tempo, estendendo-se até o final da década de 2030. “Precisamos de uma segunda geração de híbridos plug-in que dure até o final da década de 2030. Não podemos ditar o fim dos carros a combustão.” afirmou o executivo.
A nova estratégia foca em tecnologias intermediárias, como os EREVs. Nesses modelos, o motor a gasolina funciona apenas para acxionar um gerador que carrega a bateria, sem tracionar as rodas diretamente. Isso reduz o tamanho e o custo da baterias e elimina a preocupação com o alcance.
Sobrevida para a gasolina
Com essa mudança, a Volvo, que já encerrou a produção de motores a diesel, assume o que antes parecia impensável: os motores a gasolina continuarão em linha por, talvez, mais 15 anos, ou quem sabe, até mais. A marca reconhece que as regulamentações (emissões e segurança) e a adaptação de novas tecnologias demandam mais tempo do que o inicialmente previsto.
“Não estamos desistindo da eletrificação, mas precisamos ser realistas. O mundo não muda de uma hora para outra,” concluiu Samuelsson, validando uma estratégia de transição menos abrupta e mais alinhada com o ritmo do mercado global.
MF





