Enquanto a tríade alemã Mercedes-Benz, BMW e Audi produz cada uma cerca de 2 milhões de carros por ano (arredondando), a Lexus não chega a 900 mil. Isso representa cerca de 10% do volume da Toyota, sua controladora. Ainda assim, é um feito notável. A marca tem uma linha menor e nasceu para o mercado americano, não para o europeu, onde as alemãs dominam com folga. No Brasil, a presença ainda é tímida, e o foco comercial é limitado.
Mas é natural, portanto, que a Lexus busque mais relevância em um universo de luxo comandado por outras marcas. E assim algo parece estar mudando. A marca está ajustando sua estratégia para ser mais relevante para os consumidores.
O ponto de virada está justamente em seu modelo mais emblemático: o LS, o primeiro Lexus da história, lançado em 1989. Na época, o carro pegou os alemães de surpresa, silencioso, tecnologicamente avançado e com uma confiabilidade nunca vista até então. O LS inaugurou a marca com a missão de redefinir o luxo japonês e se tornou o símbolo maior da Lexus. Agora, 36 anos depois, com a evolução do mercado e das necessidades dos consumidores, a marca quer redefinir o próprio conceito de luxo.
A LEXUS NO JAPAN MOBILITY SHOW DE 2025
No discurso de Simon Humphries, Chief Branding Officer da Lexus, durante o Japan Mobility Show, LS deixa de significar Luxury Sedan e passa a representar Luxury Space. O luxo, segundo ele, não é mais apenas sobre o carro em si, mas sobre o espaço que ele oferece, físico, emocional e simbólico. O novo LS Concept, com seis rodas, promete ser algo além de um veículo: um ambiente de contemplação, uma extensão do estilo de vida.
“Espaço é liberdade, e espaço é privacidade”, disse Humphries. Essa ideia sintetiza boa parte da transformação do luxo contemporâneo. O luxo de hoje não é definido por ostentação, mas por autonomia, tempo, silêncio e personalização. E o discurso da Lexus reforça isso em várias camadas: liberdade de movimento, variedade de experiências, integração entre modais e a capacidade de criar um refúgio pessoal em meio a agitação crescente dos tempos de hoje.
Além do LS Concept, a marca apresentou dois estudos complementares, apontando que talvez a sigla LS represente agora mais do que um modelo, e sim a linha de produtos ainda mais luxuosos dentro da Lexus.
O LC Coupé Concept traduz com precisão a dualidade que a marca quer expressar. Humphries o descreveu como o carro que “oferece o melhor de tudo”, combinando prazer ao dirigir com conforto para o passageiro. Um equilíbrio entre opostos, emoção e serenidade, desempenho e conforto, que sempre foi uma das forças da Lexus. Dentro da nova visão de luxo, ele simboliza o encontro entre a condução envolvente e o bem-estar absoluto, duas dimensões que até então pareciam contraditórias.
Já o LS Personal Concept reduz tudo à essência da individualidade. Um veículo autônomo de um só ocupante, criado para oferecer um espaço de isolamento, trabalho e relaxamento em movimento, a síntese do luxo como tempo, privacidade e estilo.
O conceito de marca se expande além do automóvel: fala de um ecossistema de mobilidade, com veículos terrestres, individuais, aéreos e marítimos conectados, todos expressando a mesma filosofia. A Lexus trabalha em projetos de mobilidade aérea com a Joby, em embarcações autônomas e em formatos de transporte pessoal que unem trabalho e lazer. Mas para brigar toda essa linha a marca concebeu uma casa e um hub.
Esses elementos, autonomia, integração, diversidade de experiências e serenidade, dialogam diretamente com o luxo moderno, que privilegia o bem-estar e a individualidade, muito mais do que a ostentação.
A proposta dessa integração de modais de luxo é ambiciosa. Neste momento, parece mais uma visão do que algo prático. Mas com certeza vai colocar a Lexus em várias mídias e no radar dos 1% superiores da população. E o futuro é construído a partir de visões.
Eu realmente gostaria de ver e testar todos esses modelos!
PM





