O brasileiro Diogo Moreira, de 21 anos, nascido em Guarulhos, SP, é o primeiro brasileiro a se tornar campeão mundial da motovelocidade na mais longa das temporadas deste campeonato que é disputado desde 1949.
Nos 22 Grande Prêmios disputados este ano — o maior número desde sempre —Diogo assumiu a ponta da tabela na 20ª etapa, realizando aquela que é considerada a maior recuperação de todos os tempos, reduzindo uma diferença que chegou a mais de 60 pontos para terminar o ano campeão.
Moreira venceu quatro corridas — Holanda, Áustria, Indonésia e Portugal — fez sete pole-positions e três voltas mais rápidas. Pisou no pódio outras cinco vezes (segundo em três ocasiões, terceiro em duas) e terminou o ano com uma vantagem de 30 pontos sobre Manuel Gonzales, que liderou a tabela até três etapas antes do final.
O começo
Diogo Moreira começou nas pistas de motocross aos cinco anos de idade, incentivado pelo pai, Luiz Moreira, um ex-piloto amador da modalidade. O então garoto conquistou títulos na categoria 50 cm³ e 65 cm³ e, aos 11 anos de idade, passou a competir na motovelocidade nacional com uma Honda CBR 250F. Logo em seu primeiro ano de corridas no asfalto, 2015, Moreira alcançou o quarto lugar na classificação final do Campeonato Brasileiro.
No ano seguinte, ainda com a Honda CBR 250F, venceu sua primeira corrida na Motovelocidade, em Interlagos, vitória que repetiu na etapa sucessiva disputada em de Campo Grande, MS. Ao final deste segundo ano em corridas no asfalto, então com 12 anos de idade, disputou duas etapas com uma Honda CBR 500R, ganhando ambas as baterias em Interlagos.
Numa arriscada decisão, Diogo e seu pai seguiram para a Espanha em 2017, escolhendo o país por ser o maior celeiro de talentos do motociclismo da atualidade. Do desembarque na Europa até 2021, Diogo Moreira brilhou nos mais diversos campeonatos da motovelocidade, até estrear em 2022 no Mundial na categoria Moto3 (protótipos de 250 cm3), conquistando o prêmio de Rookie of the Year.
Na temporada de 2023 Diogo permaneceu na categoria Moto3 e alcançou sua primeira vitória no GP da Indonésia. No ano sucessivo, 2024, migrou para a categoria intermediária, a Moto2, (disputada com motocicletas de motores tricilíndricos de 765 cm3 e cerca 150 cv), na qual novamente foi o Rookie of the Year.
Nesta temporada de 2025 a chave para a conquista foi a impressionante sequência de excelentes resultados na fase final da temporada, que não apenas “quebrou” a resistência do bem mais experiente Manuel Gonzales como de uma horda de concorrentes: a categoria Moto2 nesta temporada teve nada menos do que um total de 11 vencedores diferentes e 18 pilotos capazes de pisar no pódio.
Reconhecimento

O reconhecimento ao talento de Diogo Moreira veio antes mesmo do término desta temporada: a HRC – Honda Racing Corporation, a divisão esportiva da marca japonesa e maior vencedora de corridas e títulos no motociclismo mundial, contratou Diogo Moreira para as próximas três temporadas na MotoGP, a Fórmula 1 do motociclismo. O brasileiro competirá em seu primeiro ano na categoria, 2026, com a Honda RC213V, um monstro com motor V-4 de mais de 250 cv, pela equipe satélite italiana LCR, tendo companheiro o experiente francês Johann Zarco.
Desjesum do Brasil
Para o Brasil, a chegada de Diogo Moreira à MotoGP encerra um jejum de quase duas décadas: o último brasileiro a competir na categoria foi Alexandre Barros, que participou de sua derradeira corrida na MotoGP em 2007. Outro jejum que se encerrará é o de Grande Prêmios da MotoGP no Brasil (o último foi em Jacarepaguá, em 2004), uma vez que nosso país voltará ao calendário em 2026, sediando na pista de Goiânia, a terceira etapa do Mundial, prevista para 22 de março próximo.
RA








