O mercado de veículos eletrificados no Brasil opera sob uma dinâmica paradoxal: enquanto as importações de carros elétricos a bateria (BEV) sofreram uma retração significativa no valor, o volume de emplacamentos internos continua a estabelecer novos recordes, sustentado principalmente pelo robusto desempenho dos híbridos plug-in (PHEV).
Queda drástica em elétricos e liderança dos híbridos plug-in
Dados apurados pela Logcomex revelam uma queda abrupta no valor importado de elétricos entre janeiro e setembro de 2025. O montante despencou 56%, saindo de US$ 1,4 bilhão (R$ 7,48 bilhões) em 2024 para US$ 653,6 milhões (R$ 3,49 bilhões), uma diferença superior a US$ 740 milhões (R$ 3,95 bilhões).
Essa queda é uma consequência direta do aumento das alíquotas do impoato de importação para veículos implementadas para proteger e incentivar a produção nacional. Essa política tarifária diminuiu a competitividade dos modelos elétricos importados.
Em franco contraste, os híbridos plug-in (PHEV) assumiram a frente do setor. Suas importações movimentaram US$ 1,8 bilhão (R$ 9,61 bilhões), registrando um avanço de 3% e passando a representar 56% do valor total importado de veículos eletrificados.
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Liderança da China: O país asiático domina a origem das importações, respondendo por 70% do valor total, seguido pela Alemanha (7%) e Eslováquia (5%).
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Logística Estratégica: O estado do Espírito Santo concentra 77% do valor importado, solidificando o Porto de Vitória como um polo essencial para a entrada destes veículos.
Recorde de vendas internas e crescimento da infraestrutura
A despeito da complexidade nas importações, o desempenho do mercado doméstico mantém uma trajetória de forte crescimento. Conforme a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o período de janeiro a outubro de 2025 registrou 168.798 emplacamentos de eletrificados.
O mês de outubro, em particular, totalizou 21.369 unidades vendidas, o que representa um aumento de 33% em relação ao mesmo mês de 2024. A tecnologia plug-in (BEV e PHEV) é a grande impulsionadora, sendo responsável por 81,6% do total acumulado.
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Os híbridos plug-in (PHEV) lideraram o volume de vendas em outubro, com 9.458 unidades.
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Os elétricos a bateria (BEV) registraram 7.986 emplacamentos.
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Os híbridos elétricos (HEV) compuseram os 18,3% restantes.
O sustentáculo desse crescimento de vendas é o avanço da infraestrutura de recarga. Segundo a Tupi Mobilidade/ABVE Data, a rede nacional de eletropostos expandiu de 350 pontos em 2020 para 16.880 em agosto de 2025. Essa capilaridade crescente é vital, pois fomenta a confiança do consumidor e facilita o uso de modelos plug-in e 100% elétricos em percursos tanto urbanos quanto interestaduais.
MF





