A valorização exacerbada das equipes de Fórmula 1 deve-se, em grande parte, à sua popularidade cada vez maior da F-1 no mercado dos Estados Unidos. Dito isso, é surpreendente a decisão dos promotores da categoria em realizar testes pré-temporada em Barcelona (foto de abertura) com portões fechados e com interdição de áreas públicas que ofereçam visão das atividades na pista, mesmo em locais fora do perímetro do autódromo. A completar o sabor de “no-sense” desse evento, destaque-se o fato que várias equipes divulgaram imagens e informações sobre suas agendas de trabalho no circuito catalão.

No mercado financeiro equipes como a Mercedes e a McLaren estão avaliadas, respectivamente, em £ 4,6 bilhões (ou R$ 33,2 bilhões) e £ 3,5 bilhões (R$ 25,25 bilhões). O fato de a F-1 estrear este ano um regulamento técnico bastante diverso em relação ao usado até 2025 pode ter determinado a proteção para evitar que falhas técnicas surpreendentes afetassem tais valores astronômicos. No universo da indústria automobilística a equipe Mercedes tem um valor comparável ao da Leapmotor, empresa chinesa que fabrica carros híbridos e tem 20% do seu capital nas mãos do grupo Stellantis. A Leapmotor aparece em 46º lugar entre as maiores fábricas de automóveis do mundo segundo o site marketcap.com.

Isso explica a decisão da Otro Capital, empresa de investimentos sediada em Nova York, em disponibilizar no mercado os 24% de ações que possui na equipe Alpine. Essa participação adquirida em 2023 por US$ 238,6 milhões (R$ 1,47 bi) está avaliada atualmente pela Revista Forbes em US$ 588 milhões (R$ 3 bilhões). Esses números significam uma valorização próxima de 200% em dois anos, resultado indiscutivelmente excepcional. Entre os possíveis interessados em adquirir as ações da Oto Capital está um grupo de investidores que tem a participação de Christian Horner, ex-líder da Red Bull. O nome do inglês, recorde-se, já foi vinculado a várias outras equipes, que se apressaram em desmentir qualquer possibilidade de que isso pudesse acontecer.

Os resultados do primeiro dia de testes em Barcelona mostraram que a F-1 errou na dose de proteção. Ao contrário do que aconteceu em 2014, última grande alteração técnica do regulamento da categoria, não aconteceram problemas técnicos que pudessem ser considerados anormais ou graves para a estreia de novos carros. Normalmente os primeiros testes do ano são marcados por panes que, em geral, podem ser corrigidas com relativa facilidade. A opção mais segura para evitar que conceitos e projetos fossem demonstrados como inviáveis ou errados prevaleceu.
Curiosamente o piloto amis rápido do dia foi o franco-argelino Isack Hadjar, que este ano estreia na equipe Red Bull como companheiro de equipe de Max Verstappen. Detalhe: seu carro está equipado com um motor inédito na categoria e desenvolvido pela equipe em parceria com a Ford. Cabe destacar que Hadjar usou unicamente pneus do composto mais macio disponibilizado, ao contrário dos pilotos da Alpine, Audi, Cadillac, Haas, Mercedes e Racing Bulls.

A exemplo de Hadjar, Gabriel Bortoleto também pilota um Audi, projeto inédito de chassis e unidade de potência. Uma pane técnica encerrou suas atividades de pista antes do previsto e ele completou apenas 27 voltas, número unicamente superior ao registrado por Sergio Pérez, o mais lento do dia. Nesta terça-feira Max Verstappen substitui Isack Hadjar e a Ferrari escalou Charles Leclerc para andar com seu monoposto. As equipes podem participar de três dos cinco dias de testes, detalhe que determinou a agenda de cada uma delas. A Audi não entra na pista hoje, a McLaren possivelmente estreie amanhã e a Williams optou por não enviar nenhum carro para a Espanha.
Confira os melhores tempos de ontem, resultado extra-oficial:
1) Isack Hadjar (Red Bull), 1m18.159s, 107 voltas.
2) George Russell (Mercedes), +0.537s, 95.
3) Franco Colapinto (Alpine), +2.030s, 60.
4) Kimi Antonelli (Mercedes), +2.541s, 56.
5) Esteban Ocon (Haas), +3.142s, 154.
6) Liam Lawson (Racing Bulls), +3.354s, 88.
7) Valtteri Bottas (Cadillac), +6.492s, 33.
8) Gabriel Bortoleto (Audi), +7.137s, 27.
9) Sergio Pérez (Cadillac), +7.815s, 11.
WG
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