O antigomobilismo paulista ganha oficialmente as ruas neste sábado, 28 de fevereiro, com a largada da primeira etapa do Campeonato Paulista de Rally Clássico. A organização é da ACE (Auto Classic Experience), mas o que realmente importa é o que estarão em movimento: mais de 70 clássicos e esportivos formando uma fila de largada que combina memória afetiva, precisão técnica e disputa de alto nível na navegação.
Rally Clássico, como sabemos, não é sobre velocidade pura, mas sobre regularidade milimétrica. É justamente essa combinação de disciplina, leitura de planilha e sensibilidade ao volante que transforma o evento em algo muito mais técnico do que o público menos familiarizado costuma imaginar.
No rali de regularidade, cada dupla recebe uma planilha com médias horárias previamente definidas e referências quilométricas ao longo do percurso. O objetivo é passar pelos pontos de controle (secretos) exatamente no tempo estipulado, nem antes, nem depois. Qualquer adiantamento ou atraso gera penalização em décimos de segundo. O piloto precisa manter ritmo constante, enquanto o navegador controla tempo, distância e informa as mudanças de média. Trata-se de uma prova de precisão matemática aplicada à condução.
Kombi Camuflada: história rodando de verdade
Um dos destaques da etapa de abertura será a presença da Kombi Camuflada do acervo da Garagem Volkswagen. Não se trata apenas de mais um clássico para a dispua, mas de um símbolo do esforço recente da Volkswagen em preservar oficialmente sua própria história no Brasil.
A iniciativa da Garagem Volkswagen vem se consolidando como uma das mais relevantes ações de preservação da memória industrial no país. Ao colocar seus carros históricos para rodar, e não apenas expô-los de forma estática, a marca reforça um conceito fundamental do antigomobilismo: automóvel foi feito para se mover.
Ver uma Kombi histórica participando de um rali de regularidade é, de certa forma, assistir à própria história da indústria nacional cumprindo tabela no cronômetro.
Temporada 2026 com nível técnico elevado
Se a lista de veículos impressiona pela variedade, a relação de competidores chama atenção pela qualificação.
O navegador Lourival Roldan, campeão do Rally Dakar, estreia no Rally Clássico em busca de um título inédito na modalidade. A adaptação da navegação em provas de longa duração e alto desgaste físico para o ambiente de precisão quase cirúrgica do ralide regularidade será um dos pontos mais interessantes desta etapa inicial.
A dupla Ernesto Kabashima e Maidy Chaim, atuais campeões do Paulista Off-Road na categoria Super Master e vice-campeões do Rally dos Sertões, também entra na disputa trazendo a bagagem do fora de estrada, onde erro de navegação custa mais do que pontos e pode significar perda imediata de resultado.
Do outro lado, Fernando Leibel e Adriano Braz chegam como referência consolidada da modalidade. São multicampeões paulistas e especialistas em extrair regularidade matemática das planilhas. Em Rally Clássico experiência pesa muito.
Um verdadeiro museu dinâmico
Entre os mais de 70 inscritos, o que se verá é um panorama da cultura automobilística de diferentes épocas.
Ícones globais como Ford Mustang, Chevrolet Camaro, Porsche 911 e Fiat 124 Sport estarão lado a lado representando escolas distintas de engenharia. De um lado, a força bruta e o apelo visual dos muscle cars americanos. De outro, o refinamento técnico europeu, com foco em equilíbrio dinâmico e eficiência mecânica.
O fora de série nacional também terá protagonismo com modelos como Puma GTS, Adamo XRX e o raro Glaspac Cobra.
Este último carrega um simbolismo adicional. Será conduzido por Alec Cunningham, filho de Gerry Cunningham, fundador da Glaspac e um dos pioneiros na produção de esportivos em compósito de fibra de vidro no Brasil. Não é apenas um carro competindo, mas uma linhagem familiar mantendo viva uma história empresarial e técnica que ajudou a moldar o mercado nacional de esportivos artesanais.
Tributos que falam direto aos anos 1990
Para quem viveu ou admira o auge do Turismo nos anos 1990, dois carros devem atrair olhares mais atentos no parque fechado.
Um Ford Escort XR3 convertido integralmente para a especificação Escort RS Cosworth, trajando a clássica pintura Michelin Pilot, e um Alfa Romeo 155 caracterizado com o visual da DTM alemã remetem a uma era em que aerodinâmicae extrema, para-lamas alargados e asas traseiras representavam um manifesto visual das pistas.
Mais do que réplicas estéticas, são interpretações que ajudam a contar uma fase particularmente rica do automobilismo de Turismo europeu.
A largada
A abertura oficial da temporada terá narração de Fábio Pagotto, elemento que contribui para dar ao momento da partida o clima de competição que o Rally Clássico efetivamente exige. A disputa é contra décimos de segundo, não contra a velocidade máxima, mas a tensão competitiva é igualmente real.
Se a etapa de abertura costuma servir como termômetro do campeonato, tudo indica que 2026 começa com uma lista das mais interessantes dos últimos anos, tanto pela qualidade técnica das duplas quanto pela diversidade histórica do parque fechado..
Para quem aprecia carro antigo como máquina viva, poucas coisas satisfazem do que ver história rodando, cronômetro na mão.
Serviço
- Evento: 1ª Etapa do 5º Campeonato Paulista de Rally Clássico
- Data: 28 de fevereiro de 2026
- Largada: Frango Assado Cajamar – Rod. dos Bandeirantes, km 44 (sentido SP)
- Horário da largada: 9h01 (primeiro carro) os demais a cada 1 minuto
- Chegada: Clássicos Park – Shopping Morumbi Town (5º andar)
- Horário previsto de chegada: 14h30
- Inscrições: acexp.com.br/evento/1-etapa-rally-classico
- Instagram: @rallyclassico
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