O Leapmotor B10 foi revelado na última segunda-feira (6) com pompa e atenção dividida. Na ocasião, a Stellantis aproveitou para, além de revelar seu novo suve elétrico, anunciar o patrocínio ao Palmeiras, com o pretexto de que o “futuro é verde”. Que as tecnologias de eletrificação vieram para ficar, não resta dúvida, entretanto, a chegada desse produto mostra um caminho bem interessante.
Posicionado em uma faixa de preço que assombra até modelos a combustão, o Leapmotor B10 tem predicados que lhe colocam numa situação bem competitiva no mercado. Com porte de suve médio, nível de equipamentos de modelos premium e conjunto mecânico vantajoso, há, sim, como vislumbrar um bom desempenho nas vendas. A Stellantis tem capilaridade e o segmento ainda tem espaço.
Design e acabamento bebem de fonte bem conhecida
Por mais que a Leapmotor não tenha nada a ver com a Geely, o contato inicial com o carro me remeteu muito ao que a rival chinesa entrega com o Volvo EX30 e o Geely EX5 — para quem não sabe, a Volvo é controlada pela Geely desde 2010. O desenho externo tem poucos vincos e é dominado por linhas arredondadas, enquanto o interior praticamente não tem botões. As rodas, por sua vez, seguem um padrão de modelo a combustão, com raios bem definidos em vez de corpo coberto por calotas.
Tudo é controlado pela boa e enorme central multimídia, que tem um sistema operacional próprio e bem intuitivo, porém não tão rápido quanto gostaríamos. Até mesmo os controles dos retrovisores são feitos pela tela, algo que pode incomodar usuários menos pacientes. Para compensar, há espelhamento sem fio de Android Auto e Apple CarPlay, algo que não vimos nos demais Leapmotor.

Já o acabamento é bem simples, mas remete à modernidade e ao minimalismo extremo. O painel dianteiro não tem revestimento macio, mas sim um plástico de boa qualidade. Nas portas e bancos, a coisa muda. Muito material macio que imita couro. Há conforto na cabine do B10, inegavelmente.
Sob o ponto de vista da tecnologia, muitos pontos positivos e alguns de atenção. Há Adas (sigla em inglês de Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista) nível 2 completo, com excelente calibração para as ruas brasileiras, lotadas de motos e motoristas imprudentes. Mas sentimos falta de alguns itens triviais para um modelo que ultrapassa os R$ 180 mil, como o retrovisor interno eletrocrômico, o porta-malas com abertura elétrica e o ajuste elétrico dos bancos dianteiros. Os faróis e luzes, claro, são todos de LED, mas não há iluminação interna no painel e portas.

Porte e espaço chamam atenção
O Leapmotor B10 é posicionado como um suve médio, mas eu o chamaria de médio-compacto, já que suas medidas podem, por assim dizer, passarem essa impressão. São 4.515 mm de comprimento (200 mm a mais do que o BYD Yuan Pro), distância entre-eixos de impressionantes 2.735 mm, superior a modelos como Jeep Compass e Volkswagen Taos, além de 1.885 mm de largura e 1.670 mm, de altura.

Na prática isso se traduz em um espaço interno invejável, com conforto mais do que suficiente para viagens urbanas e rodoviárias. No nosso trajeto de teste, majoritariamente na estrada, o isolamento acústico é um ponto elogiável, bem como a posição de dirigir.
Ao volante, surpresas
A experiência de guiar o Leapmotor B10 é muito boa e recompensadora. O suve vem com motor traseiro, que entrega 218 cv e 24,5 m·kgf. O motor é alimentado por uma bateria de fosfato de ferro e lítio (LFP) com capacidade de 56,2 kW·h, que lhe garante alcance, segundo o Inmetro, de 288 km. O carregamento em corrente alternada (AC) é de até 11 kW, enquanto na corrente direta (DC) é de até 140 kW. O 0 a 100km/h é feito em 7,3 s e a velocidade máxima é limitada em 170 km/h.
Na prática, o suve entrega uma condução muito bem acertada, distante de outros modelos chineses. A direção é surpreendentemente rápida e o comportamento é de uma leve saída dianteira, mesmo o motor sendo e a ração traseiros. E o fato de o motor estar no eixo de trás explica um pouco o torque inferior a modelos concorrentes. Para efeito de comparação, o BYD Yuan Pro, menos potente, produz 5 m·kgf a mais e, isso sim, faz diferença.
Não lhe falta potência nem desempenho, claro, mas sentimos que um pouco mais de torque a maior potência resultante facilitariam as coisas na estrada. Na cidade, que é onde carros elétricos brilham, nada a reclamar.
A suspensão, por sua vez, é independente McPherson com barra antirrolagem na dianteira e independente multibraço na traseira, com calibração um pouco mais firme que o usual para o segmento. Resultado: curvas bem seguras e prazerosas.
Ainda testaremos o Leapmotor B10 por mais tempo, mas as primeiras impressões são positivas e mostram que há um bom caminho a ser seguido pela Stellantis com os modelos da sua marca chinesa. O know-how do Brasil e a ótima capacidade produtiva — além do controle maior sobre as ações da marca por aqui — ajudam nos ajustes finos desses carros.
Concorrentes fortes como BYD Yuan Pro, MG S5 e Omoda 5 EV têm motivos de sobra para se preocuparem.
Leapmotor B10: Preços e versões
- Leapmotor B10 – R$ 175.990 (na troca com veículo usado) ou R$ 182.990.
FR
| FICHA TÉCNICA DO LEAPMOTOR B10 ELÉTRICO BEV | |
| MOTOR ELÉTRICO | |
| Tipo/localização | Síncrono de ímã permanente / traseiro |
| Potência (cv) | 218 |
| Torque (m·kgf) | 24,5 |
| Bateria de tração, tipo | Fosfato de ferro e lítio (LFP) |
| Localização | Assoalho, entre os eixos |
| Arrefecimento | A líquido |
| Recarga | Conectores Type 2 e CCS |
| Potência (kW) | 11 (AC) e 140 (DC) |
| Tempo de recarga AC 11 kW (horas) | 3,9, de 30% a 80% |
| Tempo de recarga DC 140 kW (minutos) | 16, de 30% a 80% |
| TRANSMISSÃO | |
| Tipo | Ligação direta do motor ao diferencial |
| Relação do diferencial (:1) | 4,227 |
| SUSPENSÃO | |
| Dianteira | Independente, McPherson, braço de controle triangular, mola helicoidal, amortecedor hidráulico e barra antirrolagem |
| Traseira | Independente, multibraço, mola helicoidal, amortecedor hidráulico e barra antirrolagem |
| DIREÇÃO | |
| Tipo | Pinhão e cremalheira, eletroassistida indexada à velocidade |
| Diâmetro mínimo de curva (m) | 10,5 |
| FREIOS | |
| Dianteiros | Disco ventilado com frenagem regenerativa integrada |
| Traseiros | Disco com frenagem regenerativa integrada. |
| Controle | ABS, distribuição eletrônica das forças de frenagem |
| Freio de estacionamento | Eletromecânico |
| RODAS E PNEUS | |
| Rodas | Liga de alumínio de 18″ |
| Pneus | 225/50 R18 (dianteiros) e 235/50 R18 (traseiros) |
| CONSTRUÇÃO | Monobloco de aço, suve, quatro portas, cinco lugares, subchassi dianteiro e traseiro |
| CAPACIDADES | |
| Porta-malas (L) | 405 + 21,5 no compartimento dianteiro |
| PESOS (kg) | |
| Em ordem de marcha | 1.780 |
| Capacidade de carga | 435 |
| DIMENSÕES (mm) | |
| Comprimento | 4.515 |
| Largura sem/com espelhos | 1.885 / 2.110 |
| Altura | 1.670 |
| Distância entre eixos | 2.735 |
| Distância mínima do solo | 185 |
| ÂNGULOS | |
| Entrada/saída/transposição de rampa (º) | 22 / 28 / n.d. |
| DESEMPENHO | |
| Aceleração 0-100 km/h (s) | 7,3 |
| Velocidade máxima (km/h, limitada) | 170 |
| ALCANCE | |
| km Inmetro PBEV | 288 |
Nota: Lamentavelmente não nos foi fornecida uma lista de equipamentos.



