A mais clássica das motocicletas clássicas da clássica marca inglesa Royal Enfield — que está comemorando seus 125 anos de atividade ininterrupta — é justamente a Classic, que acaba de chegar ao nosso mercado na tão esperada versão com motor bicilindro de 647,95 cm3. A Royal Enfield Classic 650, lançada há dois anos no exterior, já era muito aguardada pelos motociclistas brasileiros mais chegados à estética e ao comportamento tradicionais de modelos mais antigos, numa patente preferência pelas atuais motocicletas de estilo retrô.
A linha Classic pode muito bem ser explicada por sua linha do tempo, desde as primeiras motocicletas inglesas com essa característica. Lá atrás, em 1932, a Royal Enfield criou a base da família Classic, a Bullet, com motores monocilindro de 250, 350 e 500 cm3. Para aquela época, a Royal Enfield Bullet reunia o melhor da tecnologia, seguindo sua carreira de sucesso juntamente com a versão Classic, de características semelhantes. Nos anos 50, a Royal Enfield inaugurou uma fábrica na Índia, quando esse país ainda era uma colônia inglesa, que acabou se tornando a única fábrica da marca a produzir motocicletas, a partir de 1970.
A Royal Enfield se instalou oficialmente no Brasil em 2017, trazendo os modelos Bullet e Classic, ambos com monocilindros de 500 cm3 e, com elas conquistou o motociclista brasileiro vintage. A Royal Enfield Classic mudou radicalmente com a chegada da Classic 350 (menos na aparência e no estilo retrô) e agora pretende satisfazer o mesmo perfil de motociclistas, mas que querem uma motocicleta maior e mais potente.

A nova Royal Enfield Classic 650 foi apresentada nesta semana com um test ride bastante representativo pelas serras fluminenses ao redor das cidades de Petrópolis e Teresópolis. Acho que não é necessário ficar descrevendo as linhas e as características visuais da Classic 650, uma vez que as fotografias falam por si, nem o funcionamento do motor bicilindro de 47 cv e 5,3 m·kgf, já que é o mesmo conjunto motor que equipa outros modelos já bastante mostrados aqui (Interceptor, Continental GT, Super Meteor, Shotgun e Bear). Logicamente, com pequenas calibrações específicas para cada modelo.

É muito pertinente citar, no entanto, que a nova Royal Enfield Classic impressionou positivamente muito bem em relação à sua dirigibilidade, apesar de seu peso total, abastecida, de 243 kg. Definitivamente, a Classic 650 não é uma motocicleta esportiva, mas as sinuosas e sucessivas curvas das estradas da região não intimidaram as suspensões da Classic 650, quando em piso muito bom. Eventuais irregularidades no asfalto, assim como visíveis trechos de menor aderência exigiram, prudentemente, uma abordagem mais cautelosa.

A Royal Enfield Classic 650, assim como suas “irmãs” de cilindrada, tem um motor de excelente torque em baixas e médias rotações, o que lhes proporciona uma tocada muito suave e confortável em velocidades de cruzeiro, mas que se ressente de mais potência e respostas ao acelerador quando exigido em maiores rotações. Realmente ele não foi feito para isso. Mesmo assim, o comportamento geral da Royal Enfield nessa tocada esportiva que surgiu durante o test ridee devido às boas condições da estrada, mereceu grandes elogios quanto à estabilidade, ao comportamento dos pneus e, principalmente, à eficiência dos freios.

Para não dizer que não falei de estética, já ouvi alguns chatos de plantão reclamarem de alguns pontos, como, por exemplo, a não adoção da suspensão dianteira invertida, que está presente na Bear e na Shotgun, mas o visual clássico das bengalas na mesma cor da motocicleta, “ornando” com o conjunto óptico dianteiro, também muito tradicional, seria impossível com uma suspensão invertida. Fora o fato de que uma bengala “upside-down” (de cabçe para baxo) não necessariamente tem melhor desempenho do que uma convencional (é apenas apelo de marketing). E a Classic 650 é dotada de um robusto garfo dianteiro com bengalas de 43 mm de diâmetro.

Outras reclamações que ouvi foram, já na contramão da anterior, em relação à estética não tão “antiga” quanto à da primeira Classic que aqui chegou, a 500. Um abismo de tecnologia separa essas duas motocicletas e alguns pontos foram modernizados, como os para-lamas um pouco mais leves. Realmente o traseiro parece ser muito alto, mas, seguindo o meu gosto pessoal, isso seria convenientemente resolvido com a adoção de um pneu traseiro de perfil mais alto. É que o pneu original (140/70-18) parece mesmo pequeno demais.

A Royal Enfield Classic 650 vem equipada, de fábrica, com banco para garupa, assim como com sua estrutura tubular, fazendo parte do quadro da motocicleta quando instalado. Mais uma vez meu gosto pessoal interfere e diz que a Classic 650 fica mais bonita com esse banco do que sem ele, mas nenhuma das motocicletas disponíveis na avaliação estava com esse banco (facilmente instalado e retirado), assim como nenhuma fotografia oficial, nem aqui no Brasil e nem na Índia, mostra esse componente. Parece que a ordem mundial é só mostrar a Classic 650 com o para-lama traseiro “pelado”.

A Royal Enfield Classic 650 já pode ser encomendada na sua loja preferida da marca a partir deste sábado, 11 de abril, a partir das 11h00. Será um lançamento nacional e oficial em toda a rede. São três as versões da Royal Enfield Classic 650, a de entrada vermelha Vallam, vermelha e branca, custando R$ 34.490; a intermediária verde Teal , na cor verde-água metálico (a mais bonita, em minha opinião), custando R$ 34.990; e a preta Chrome, preta e cromada, com preço de R$ 35.490. As três sãomecanicamente idênticas, a pequena diferença nos preços é totalmente justificada pelo acabamento de pintura, com um filete pintado à mão na verde e na preta, esta última ainda com uma grande profusão de cromados. Mais do que o bolso, valerá mesmo na escolha o gosto de cada um.
GM




