Na história da indústria automobilística existem alguns modelos que nunca saíram das “prateleiras” das fábricas. Vou citar alguns deles, começando pelos modelos da Fiat, como a picape Tempra e o Brava 5-cilindros
A história do Brava é curiosa. Durante uma de suas visitas à fábrica, em Betim, MG, o jornalista Boris Feldman perguntou ao pessoal da Fiat por que não montavam o Brava (foto ilustrativa de abertura) com mecânica do Marea, que tinha um motor mais forte, já que ambos utilizavam a mesma plataforma.
— Não me responderam nada, conta Boris. “Um ano depois me chamaram e apresentaram o ‘meu carro’, um Brava 5-cilindros. “E eu o comprei e ele me deu muito prazer em dirigir. Usei-o uns quatro ou cinco a nos e hoje acho que está em Brasília. Com ‘ciúmes’, o Roberto Nasser (meu amigo de saudosa memória) pediu um para ele também. E ainda montaram um terceiro, para a frota da empresa, que foi destruído num teste.”
Picape Tempra
Segundo Emilio Camanzi, jornalista automobilístico e dono do site Carros com Camanzi, que foi gerente de imprensa da Fiat de 1992 a 1997, a picape Tempra foi apenas estudo de picape média a pedido do então diretor-superintendente da Fiat, o italiano Pacifico Paoli. Foi feita a partir de um Tempra duas-portas da frota acidentado, trabalho executado na oficina assistencial interna da fábrica chefiada pelo experiente técnico-mecânico italiano Giuseppe Marinelli, e não pelo processo normal, que é a engenharia. Não há fotos dela, que foi doada para o Museu Nacional do Automóvel, em Brasília, fundado pelo saudoso Roberto Nasser.
Uno Turbo

Esse todo mundo conheceu, so que ele nasceu em 1994 com um “mal congênito”: não tinha ar-condicionado nem como opcional. O motivo era falta de espaço para o compressor e o interresfriador. A Fiat ficou no dilema de ou ter ar-condicionado e não ter assistência hidráulica de direção, ou vice-versa. Para o ar-condicionado o investimento na alteração da carroceira tinha custo bem elevado e seria necessária autorização de Turim, tanto técnica quanto financeira.
Voltam à cena história Pacifico Paoli e Giuseppe Marinelli, mais conhecido por “Pino”, diminutivo em italiano de Giuseppe, pela sua baixa estatura. Paoli ordenou ao Pino que encontrasse uma solução de qualquer maneira, pois um carro como aquele, topo da linha Uno, não poderia jamais prescindir de ar-condicionado. Pino conseguiu e depois a Engenharia assumiu, resultando no ano-modelo 1995 com a opção de ar-condicionado e a volta de Emilio Camanzi. Passou a ser seu carro de uso pessoal, a seu cargo dava direito, por vários anos.
Corsa 1,0 Turbo e Celta 1,8?
Pois é, na GM também aconteceram alguns segredos, como o do Corsa 1,0 Turbo. Todos os testes de avaliação, durabilidade, quando os veículos viajam pelo Brasil, enfrentando todo tipo de estradas e condições climáticas, foram realizados. Ele estava aprovado, pronto para para produção. Mas ninguém soube explicar ao pessoal da Engenharia a razão de o modelo não não ter sido lançado.
Mais um pequeno da GM que teria modificação significativa: o Celta, totalmente desenvolvido no Brasil e fabricado em Gravataí, RS, receberia motor 1,8 Família 1, a mesma do 1,0, com a assinatura de Emerson Fittipaldi, que já havia recebido uma homenagem no Monza Classic SE EF. Estava tudo pronto com o carro, mas por razões até hoje desconhecidas pelo pessoal da Engenharia, não foi ao ”ar”.
Outro modelo da GM que foi testado e aprovado, mas também nunca chegou ao consumidor: a picape Silverado de cabine dupla e 4-portas. Na versão original, ela foi para o mercado com cabine simples e duas portas. A Silverado da foto é uma cabine dupla fabricada da Argentina, com cabine importada dos EUA.

E o Vectra V-6?
Ninguém entendeu a razão da GM não ter colocado no mercado o Vectra V-6 2,5-litros/170 cv, já que o modelo era um sucesso de vendas desde seu lançamento com motor 4-cilindros de 2 litros em março de 1996, seis meses depois do seu lançamento na Alemanha. A fábrica chegou a levar um grupo de jornalistas numa viagem à França, com um passeio ao Vale do Loir, para uma pré-apresentação do nova e potente versão.
Posteriormente, ele foi o Pace Car da F-Indy, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, autódromo infelizmente destruído. Quem usou muito esse Vectra V-6, por diversão, foi o presidente da GM do Brasil, Mark Hogan. O carro ficou encostado quando ele voltou para os EUA em abril de 1996. Quando o Bob Sharp ingressou na GM no mês seguinte deram-lhe o V-6 “para ir usando” até que ele recebesse o Omega GLS 0-km, o que aconteceu três meses depois. O Vectra V-6 acabou sendo vendido.
Existem muitos outros casos como esses, espalhados pelas marcas brasileiras. Tivemos até histórias clássicas e atuais, como da Indústria Brasileira de Automóveis Presidente (IBAP) que lançaria o Democrata, sedã de motor traseiro, cujo protótipo percorria ruas das grandes cidades sobre a carroceria de um caminhão.
O outro caso é muito atual, do empresário Flávio Figueiredo Assis, que pretende lançar o elétrico Lecar 459, que ele chama de “Tesla Brasileiro”. Especialistas do setor duvidam da viabilidade do projeto.
CL
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